Nuvens carregadas, por Wilson Ramos Filho (Xixo)

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Nuvens carregadas
 
por Wilson Ramos Filho (Xixo)
 
Não podemos ser ingênuos. Os votos no coiso são os votos “anti-sistema”. 
 
A mídia vem há tempos desacreditando o parlamento, as eleições, os políticos de modo geral. Os políticos são o Sistema contra o qual milhões se mobilizam. 
 
O Judiciário, por méritos próprios, nunca esteve tão desmoralizado. O Judiciário que persegue Lula, que julga sem provas, e que defende o “auxílio moradia” em valor superior à renda mensal de mais de 90% dos brasileiros, que protagoniza embates de vaidades, é o Sistema. E os eleitores do coiso são “contra tudo isso que está aí”.
 
A desconstrução institucional iniciada com o Golpe, conduziu a que 20 milhões de brasileiros apostem no novo, no anti-sistema. É um movimento de massas, irracional por definição.

 
Esse movimento ideológico em direção à extrema-direita engoliu os votos anti-petistas que antes iam para o PSOL, (que tende a desaparecer nacionalmente, com a possível exceção do Rio de Janeiro). Eram votos anti-sistema que agora se acomodam melhor na mobilização fascista. 
 
O Sistema (aquilo que é percebido pelas pessoas como tal, mídia, políticos, Judiciário) impediu a candidatura de Lula. A consequência direta foi o fortalecimento da extrema-direita. Lula, perseguido pelos políticos que depuseram Dilma e pelo Judiciário, era também percebido por muitos como um “candidato anti-sistema”. Uma parte desse contingente social está em dúvida. Pode migrar para Haddad, ou pode preferir o candidato anti-sistema mais caricato. Uma pequena parte pode ir para o Ciro, tão histriônico quanto o coiso. 
 
O pronunciamento do sujeito no YouTube é rico em mensagens subliminares e deixa transparecer a estratégia deles. Mobilizam os 20 milhões de fascistas (muitos deles pertencentes à Direita Concursada se tornaram fascistas e anti-povo) para questionarem o resultado das eleições. Repetirão o “grave erro” mencionado pelo presidente do PSDB: tentarão inviabilizar o governo Haddad desde o primeiro dia.
 
A conjuntura nos convida à reflexão permanente para tentarmos entender o que se passa na cabeça do eleitorado. 
 
Parece óbvio que teremos um segundo turno entre Haddad e o inimigo da democracia. Com tempos iguais no rádio e na televisão os fascistas tentarão se posicionar como os “verdadeiros anti-sistema”. Já vimos isso em 1933 na Alemanha. À democracia institucional oporão a ruptura “contra tudo que está aí”; às políticas de inclusão e de direitos humanos oporão a força e o aniquilamento dos inimigos do que entendem ser “bom para o Brasil”. Para a receita ficar completa, precisam focar no “inimigo da nação”. O papel reservado na Alemanha do entre-guerras aos judeus recairá “na esquerda”. O depoimento do coiso já antecipou isso. Tentarão carimbar o PT, o mais perseguido pela mídia, pelos políticos venais e pelo Judiciário, como sendo o “sistema a ser destruído”. 
 
Teremos, percebe-se, um segundo turno muito conflagrado. E um provável governo Haddad questionado desde antes da eleição. O mesmo raciocínio serve se imaginarmos um, hoje improvável, crescimento da campanha Ciro. Para os fascistas todos os que não são eles merecem desprezo e destruição.
 
Mais do que nunca é importante elegermos uma expressiva bancada progressista e democrática, na Câmara Federal e no Senado. Não sejamos ingênuos e façamos campanha diariamente. Essa “bancada Lula” legitimada pelas urnas em 7 de outubro (três semanas!) será essencial para a vitória no segundo turno.
 
Há muita coisa em jogo. O futuro do Brasil depende de cada um de nós.
 
Wilson Ramos Filho (Xixo), Doutor, Presidente do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora – DECLATRA

4 comentários

  1. Assim é difícil

    A partir do momento que você escreve “Ciro, tão histriônico quanto o coiso”, você queima pontes. Com essa divisão irracional da centro-esquerda (sonho da extrema direita) fica difícil chegarmos à parte do “é importante elegermos uma expressiva bancada progressista e democrática”.

    • Pois é

      Pois é, Rogério Almeida, o cara conclama à união e queima um monte de possíveis aliados.

      Burrice desse tipo é própria de petistas. Querem, sempre, a hegemonia. São os donos do pedaço. Depois de toda a ca**da que fizeram, ainda querem das as cartas.

      Não acordaram até agora e, ao que parece, não despertarão desse sonho tão cedo.

      No pesadelo ficamos nós, os que não embarcamos no conto da conciliação.

  2. sistema sem ilusões

    Nãoi tem nada de anti-sistema no voto no Bolsonaro e muito menos nele mesmo. O Bolsonaro representa o sistema sem ilusões, a força militar e principalmente o dominio absoluto do mercado – o sistema em que vivemos é a sociedade de mercado. Nada mais ‘ssitema’ que as propostas de Paulo Guedes, nada mais sistema do que o Estado na sua forma essencial, pura: o monopólio da violência. Dizer que Bolsonaro representa qualquer coisa ‘anti-sistema’ é acreditar nas ilusões do sistema…

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