Vidas complementares: FHC e Jair Bolsonaro, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Vidas complementares: FHC e Jair Bolsonaro, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Lula perdeu três eleições, mas conseguiu unir o Brasil em torno dele. Nem mesmo o escândalo do Mensalão conseguiu manchar sua imagem. Ele deixou a presidência extremamente popular e conseguiu unir o povo em torno da até então pouco conhecida Dilma Rousseff.

Com o caso do Triplex, o sistema de justiça pretendia destruir a liderança de Lula. Ledo engano. O tiro saiu pela culatra, pois a credibilidade de Lula cresceu em razão da perseguição injusta e evidente que ele sofreu. A liminar conferida a Lula pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU (decisão que foi acintosamente descumprida pelos juízes brasileiros) apenas reforçou a credibilidade internacional do líder petista. 

Visitado na prisão por políticos e intelectuais europeus e norte-americanos, Lula se tornou o símbolo mundial da luta contra o Lawfare. Desprezado por seu apoio à prisão dele, FHC afundou na hipocrisia e na inveja. Nas próximas semanas, o envelhecido e envilecido líder tucano será obrigado a ver a implosão eleitoral do seu partido.

A destruição eleitoral do PSDB é culpa dos próprios tucanos. Foram eles que rejeitaram a derrota em 2014 e fomentaram uma crise política que aprofundou a crise econômica brasileira. O objetivo do PSDB foi atingido: Dilma Rousseff foi deposta. O custo da vitória na guerra política contra o PT foi o fracasso dos tucanos ao lado de Michel Temer. Eles criaram as condições para o crescimento eleitoral de Jair Bolsonaro.

O criador, entretanto, se viu obrigado a rejeitar sua criatura. Bolsonaro é um filhote do golpe “com o STF com tudo” dado pelos tucanos, mas ele é indesejado pelo PSDB. O candidato do PSL levanta a bandeira das privatizações (que pertencia ao PSDB), mas sua vocação autoritária causa medo pavor em líderes como FHC. Há algumas décadas Bolsonaro prometeu mandar fuzilar o ex-presidente tucano. Nem mesmo a possibilidade de vitória com os votos de Alckmin fez o líder fascista renunciar à sua promessa. 

FHC costumava dizer que Lula era um mito fadado à desconstrução pelo fracasso administrativo. Na presidência do Brasil, o petista conseguiu provar que era muito mais capaz e eficaz do que seu eterno adversário diplomado. O ódio e a inveja de FHC não foram suficientes para destruir a liderança nacional e internacional de Lula. No máximo os sentimentos destrutivos de FHC apenas ajudaram a construir outro mito: Bolsonaro.

Chamado de mito por seus seguidores irracionais e fanáticos, o candidato do PSL conseguiu o apoio de algumas lideranças financeiras no Brasil. De modo geral, contudo, Bolsonaro é rejeitado pelo mercado. Ele não tem nem o refinamento intelectual de Fernando Haddad nem o carisma de Lula. Jair Bolsonaro odeia os petistas tanto quanto FHC, mas ao contrário do tucano ele não é capaz de esconder a ira sob a máscara de um sorriso benevolente e professoral.

A força de Bolsonaro é única: ele conseguiu unir todos contra ele. Homens, mulheres, gays, corintianos, santistas, gremistas, palmeirenses, paulistas e cearenses. Todos os brasileiros rejeitam o candidato do PSL. E até mesmo alguns generais dizem que ele não representa o Exército. Bolsonaro é o anti-Lula e isso explica porque ele nunca chegará à presidência. A derrota dele não será mitológica, será apenas e tão somente mais uma derrota de FHC.

O ex-presidente tucano tentou e não conseguiu derrotar o PT apoiando seus afilhados políticos legítimos em quatro eleições. Em 2018 o filhote bastardo e indesejado que FHC gerou ao apoiar o golpe contra Dilma Rousseff também será derrotado. Jair Bolsonaro não poderá cumprir sua promessa de fuzilar FHC. Impossível dizer qual dois (FHC ou Bolsonaro) será o mito que deixará de existir em 2019.

 

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