DF: Extinção da Secretaria de Juventude: um retrocesso

No dia 7 de março, por meio de uma nota oficial, o GDF anunciou a extinção da Secretaria de Juventude, tornando-a uma coordenadoria vinculada à Secretaria de Governo.

Foi o ex-governador Roriz que criou a Secretaria de Juventude, indicando a hoje deputada distrital Celina Leão para o cargo. O ex-governador Arruda a rebaixou para subsecretaria e posteriormente para gerência. Desde esta época a Juventude do PT-DF manifesta-se a favor de um espaço governamental para o debate, gestão e execução de políticas públicas para os jovens no Distrito Federal.

Cumprindo a promessa de campanha e fruto do acúmulo político da Juventude do PT e aliados, a Secretaria foi recriada no início do governo Agnelo.

A JPT-DF indicou ao governador o nome de três companheiros para o comando da pasta: Reinaldo Gomes, Fernando Neto (que acabaria sendo o escolhido) e José Ricardo, que contava com acúmulo na temática e foi assessor parlamentar da Secretaria Nacional de Juventude de 2008 a janeiro de 2011, tendo sido também coordenador de metodologia da 1ª Conferência Nacional de Juventude (2007/2008).

Nós da AE-DF dissemos que algumas questões deveriam ser levadas em consideração tanto pela JPT na indicação quanto pelo governador Agnelo na escolha do secretário:

– O acúmulo político e teórico construído pela juventude do PT tanto local quanto nacionalmente deveria servir de alicerce para as Políticas Públicas de Juventude (PPJs) a serem implementadas no DF;

– A composição da secretaria deveria ser plural. Partidos de esquerda da base aliada (PDT, PCdoB e PSB) também possuem reconhecida atuação política na juventude do DF, assim como deveria compor com as tendências petistas com atuação em movimentos de juventude;

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– O secretário deveria possuir acúmulo político e teórico necessários para implementar PPJs que transformassem a realidade dos jovens do DF, além de atuação em movimentos de juventude.

Fruto de uma opção do governador Agnelo, após negociação entre algumas tendências do PT-DF, deu-se a escolha de Fernando Neto. O secretário não possuía o acúmulo político e teórico da juventude petista, ou não concordava com este, demonstrando em diversos momentos acreditar em um modelo de PPJs muito parecido com a visão da direita, que trata o jovem como fruto-razão de problemas, ao invés de enxergá-lo como agente de transformação social.

Sem um projeto claro, não foi possível convencer o governador e seu núcleo político da importância da temática e, portanto, da realização das nomeações necessárias para a equipe da secretaria, que ocorreram somente após muito tempo.

O diálogo do secretário Fernando Neto com as instâncias petistas foi quase inexistente, exceto no final do mandato, quando seu cargo já estava ameaçado. Durante sua gestão, o secretário não buscou construir pontes com a juventude do PT.

As poucas ações da secretaria, por exemplo a Conferência Distrital de Juventude, não possuíam foco, política consistente e dependiam, quase que em sua totalidade da articulação com outros órgãos do GDF.

A secretaria manteve uma equipe e orçamentos reduzidos, ficando impedida de fazer com que a gestão pudesse avançar minimante, mesmo do ponto de vista administrativo.

Com todos estes problemas era necessária uma mudança profunda. No entanto a “solução” encontrada pelo governador foi a pior possível: a extinção da Secretaria.

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Esta atitude contribui para colocar a juventude em segundo plano e as PPJs como políticas de menor importância. A Secretaria de Juventude do DF era o único órgão de políticas de juventude localizado no primeiro escalão de um governo estadual. Sua extinção representa uma perda não apenas para a juventude do DF, mas de todo o Brasil. O espaço poderia ter servido como vitrine positiva e exemplo de boa política, mas a Sejuv-DF tornou-se exemplo de inabilidade política e administrativa, ausência de foco social e falta de criatividade, essencial para temática.

Diante do rebaixamento da importância das PPJs no GDF, é preciso que a Juventude do PT realize uma avaliação coletiva da gestão da secretaria, dos motivos que levaram a sua extinção e retome a discussão de PPJs para o Distrito Federal, convencendo o conjunto do partido a população e o GDF da importância destas.

*Yuri Soares é militante da juventude do PT e estudante de História da UnB

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