4 de junho de 2026

O acervo digital da ALESP

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A Assembléia legislativa resolveu disponibilizar seu acervo histórico na internet. Acredito que esse é o meio mais barato de preservação da cultura: pode pegar fogo na ALESP hoje, que com uma chamada pública a gente recupera os PDFs espalhados pelos computadores pessoais dos pesquisadores.

O registro mais antigo é um relatório de 1824 sobre as obras da estrada de Santos:

http://www.al.sp.gov.br/repositorioAcervo/imperio/23660FCGP-SE24_001.pdf

 

Vale a visita, por vários fatores: a curiosidade histórica, imaginar quantas horas-trabalho a Administração perdia para produzir um relatório simples desse com alguém de boa caligrafia, descobrir um pedaço esquecido da história de São Paulo.

Depois para o pessoal especializado opinar sobre a qualidade do trabalho, e ajudar o bem comum, cobrando melhorias enquanto ainda está sendo feito. Pessoalmente, achei difícil de ler. É uma boa digitalização, mas parece que uma resolução mais alta ajudaria – tem alguma coisa estranha.

Mas achei excelente o formato escolhido. PDF é lido em qualquer lugar e você pode baixar inteiro e transferir para outros leitores, manipular, etc. Ao contrário de outros sites mais precários, como o Diário Oficial da União, em que tem que navegar página por página e ficar preso à ferramenta dada pelo site.

Andamos bastante devagar em questões culturais e disponibilização de documentos públicos. Mas esse aí é um grande avanço.

Outra biblioteca histórica que eu queria ver disponibilizada é a de livros raros da Faculdade de Direito da USP. Fica trancada e acessível apenas a pesquisadores de alto nível, com razão, porque os objetos são preciosos. Mas se na próxima calourada de “trote solidário” eles derem uma máquina digital na mão de cada calouro, e cada um tirar 20 fotos das páginas dos livros, em um dia preservamos o conteúdo, disponibilizamos gratuitamente, damos escala ao bem cultural. E o livro antigo fica sendo apenas um objeto para estudo de historiadores do livro, ou para o fetichismo dos colecionadores que tentam levar essas peças embora. Porque para ler, um pdf no Kindle ou iPad tem bem menos pó.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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