Fragmentos de uma vida no século XIX

Finalmente encontrei alguns documentos acerca do meu bisavô Faustino José de Oliveira Ribeiro.

Ele colou grau na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em 1869, 38a. Turma, exatos 120 anos antes de eu mesmo colar grau na Faculdade de Direito de Osasco (1989).

Encontrei duas listas de presença da turma dele publicadas em jornais de 1866, 1867, 1868 e 1869.

Em 1873 meu bisavô foi nomeado juiz nomeado Juiz Municipal do 3o. Distrito, Paróquias de São Sebastião do Tijuco Preto e Bom Sucesso, Província de São Paulo. 

Em 1881 ele prestou concurso e foi empossado como Promotor na província do Paraná.

Em 1887 ele já estava atuando como Juiz em Xiririca (atual Eldorado Paulista), província de São Paulo, e foi nomeado presidente do Conselho Eleitoral da cidade.

Além de Juiz, meu bisavô também foi inspetor de higiene da cidade. Encontrei num jornal de 1888 a notícia da liberação de pagamento por tratamento de doentes que foi requisitado por ele.

Em 1896, por decreto publicado no Diário Oficial da União, meu bisavô foi nomeado oficial militar do Batalhão da Reserva da Guarda Nacional em Xiririca. Até a Proclamação da República em 1889 as autoridades e servidores civis deviam lealdade ao Imperador. Portanto, suponho que meu bisavô tenha sido um “militar de papel e decreto”. Como tantos outros ele foi nomeado oficial militar apenas para que tivesse obrigação formal de lealdade a República.

Meu bisavô também foi Juiz na Comarca de Itapeva da Faxina, abrangendo Apiaí. Isto ocorreu em 1873, portanto, antes dele ser designado para Xiririca.

Leia também:  Vacina, Política e Ideologia, por Edmundo de Moraes

Estes são fragmentos impressos de uma história pessoal. Mas eles não dizem quase nada sobre o homem que atendia pelo nome Faustino José de Oliveira Ribeiro.

Sempre que penso neste meu bisavô tenho sentimentos ambíguos. Por um lado ele fez parte de uma elite e isto deveria inflar meu orgulho. Por outro  não posso esquecer o passado.

No século XIX a esmagadora maioria da população brasileira era analfabeta. A Legislação legitimava a escravidão. Havia poucas Faculdades e apenas algumas dezenas de cidadãos colavam grau todos os anos. O pior é que aquele passado de exclusão brutal e exploração impiedosa sempre volta florescer na realidade brasileira.  É exatamente isto o que está ocorrendo agora diante dos meus olhos.

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Hoje encontrei outro dado relevante sobre meu bisavô.

    Em 13/11/1869 ele foi nomeado Promotor da Comarca de Botucatú. A portaria de nomeação foi publicada no Diário de São Paulo do dia 16/11/1869.

    Cópia do jornal pode ser encontrada facilmente na Base de Dados do Diário de S. Paulo 1865 a 1878.
    Edição 01259 – primeira página.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome