Aparthaid a brasileira?, por Wagner Iglecias e Rafael Alcadipani

Junto com alguns outros shoppings da capital, o Shopping JK Iguatemi, um dos templos do consumo de luxo em São Paulo, conseguiu uma liminar na Justiça impedindo o “rolezaum” que havia sido marcado pelas redes sociais para acontecer no local neste sábado. As portas automáticas que dão acesso ao estabelecimento foram desligadas e passaram a ser blindadas por policiais. Houve, ainda, a presença de um oficial de justiça na porta do estabelecimento. Caso o organizador do evento aparecesse e fosse reconhecido, seria conduzido a um distrito policial para esclarecimentos, segundo declarou à Veja SP o oficial de justiça. A situação estapafúrdia foi amplamente divulgada pela imprensa.

Em outro shopping, bem mais popular e localizado no extremo leste da cidade, a PM chegou a usar bombas e balas de borracha. Na prática, o Estado tem usado a força para impedir o sagrado direito de jovens pobres e da periferia de ir e vir. Os chamados “rolezinhos” estão sendo agendados por jovens e adolescentes destes bairros mais distantes por meio das redes sociais, e têm despertado o medo de comerciantes e frequentadores habituais dos shopping centers. Os primeiros rolezinhos faconteceram em shoppings da periferia, e a presença de seguranças e policiais também ocorreu. A ação deste final de semana seria mais marcante, pois fora escolhido um dos shoppings frequentados pela elite paulistana, localizado no caríssimo bairro do Itaim, um dos que mais concentra investimentos públicos e privados em toda a cidade. Vale lembrar que shoppings centeres ocuparam as páginas policiais dos jornais recentemente por suposto envolvimento em esquemas de propina para ter seus projetos aprovados.

A expedição de uma liminar, embora compreensível sob o ponto de vista daqueles que temiam a chegada de centenas ou milhares de frequentadores, digamos, “diferenciados”, escancara o que todos neste país sabemos mas muito poucas vezes falamos: apesar dos avanços institucionais e legais que o Brasil conheceu desde a redemocratização, alguns brasileiros são mais cidadãos do que outros. Alguns espaços são mais exclusivos do que outros. E o consumo, ainda que cantado em prosa e verso como motor da sociedade e supra-sumo da felicidade e da realização pessoal, não é, evidentemente, para todos. É estranhíssimo ver empresários buscando a ajuda do Estado, ainda que seja para obter uma simples liminar com o objetivo de impedir a diversificação de sua própria carteira de clientes. Afinal de contas, a elite brasileira é capitalista ou não?

Essa garotada que hoje tenta frequentar os shoppings nasceu na década de 1990, quando o discurso neoliberal já era hegemônico em nosso país. Cresceram ouvindo dia e noite que política é ruim e que o sucesso é uma conquista individual. Comprados o tênis de marca, o relógio da moda, o celular de última geração, o rolezinho no shopping é o top da ostentação dos que vem de baixo, da base da pirâmide social. E ai encontram o que? As portas fechadas. A porta na cara da molecada de pele marrom é o outro lado da moeda de um país onde uma boa parte da elite parece ser capitalista somente até a página 2. E que no dia a dia, há séculos, busca se apropriar, de todas as formas possíveis, do Estado, a fim de dirigir suas prioridades. Dos vultosos subsídios a setores empresariais ao eterno chororô contra os impostos, do poderoso rentismo que vive da rolagem da dívida pública aos editais amigos de obras e serviços públicos, da sonegação fiscal à domesticação de partidos e candidatos através do financiamento de campanhas eleitorais.

Fernando Henrique Cardoso talvez estivesse certo nos seus livros e artigos sobre a dependência brasileira: nunca tivemos, em nosso país, amplos setores de elite que trouxessem consigo um projeto de nação, destinado a integrar nos direitos, na cidadania ou sequer no consumo os milhões de despossuídos. Quando muito nossa elites têm um projeto de classe, ou nem isso. Ao longo de séculos boa parte delas contentaram-se em intermediar negócios com os países mais ricos e levar sua parte, e a polícia que se vire para segurar a massa mulata e preta das periferias paupérrimas. Sempre foi assim.

Ao lado dessa ignorância preguiçosa de nossas elites, temos a ignorância adestrada de nossos pobres. Quando se vê um garoto carregando um fuzil no meio de uma favela, de uma coisa pode-se ter certeza: ele não quer fazer a revolução e pôr o sistema abaixo. Pelo contrário, a violência é a forma pela qual pretende acessar e usufruir dos bens materiais que outros jovens conseguem obter por meios legais ou aceitáveis. A garotada pobre que se manda em grupos para os shoppings tem o mesmo desejo. Querem consumir os símbolos de status que de uns tempos pra cá imaginam ser acessíveis a eles também. Ignoram, no entanto, que ao invés dos shoppings muito melhor seria se tivessem acesso a teatros, cinemas, bibliotecas, centros esportivos e de lazer, tão ou mais inacessíveis a eles que estes ocos templos de consumo.

O “rolezinho” demonstra o paradoxo da elite brasileira, que por um lado quer crescimento econômico, mas por outro quer manter os de pele marrom confinados na senzala. A muralha que o “rolezinho” escancarou é formada por uma Justiça muitas vezes conivente com a desigualdade social, fato que se expressa em alguns casos como foi em Pinheirinho e agora nos “rolezinhos”.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP.

Rafael Alcadipani é PhD em Management Sciences pela Manchester Business School (Inglaterra) e Prof. Adjunto da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV.

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53 comentários

  1. Ansolutamente NADA A VER.

    Ansolutamente NADA A VER. Nenhum shopping impede a entrada de jovens pobres. Não se trata disso.

    Trata-se de IMPEDIR ARRUAÇAS que podem causar a ruina do shopping. Será que isso não é claro?

    Se o jovem pobre comporata-se de forma civilizada ele pode entrar em qualquer lugar do Pais, se chegarem 5000 no Congresso de uma só vez em atitude de bagunça, não entra no Congresso, não entra no Supremo. não entra nem em estação do Metrô, isso no Brasil, na França, na Russia ou em Cuba.

     

    • Meu Caro, Em que País você

      Meu Caro, Em que País você vive? Eu sei, é naquele da massa cheirosa e limpinha. Pobre é tratado como  lixo e se é negro danou-se, não tem acessonem mesmo a calçada! Minha cunhada, foi a praia, juntamente com a sua filha que tem deficiência física (a musculatura dos braços e pernas não desevolveram), mas, mesmo assim, formada em Assistência Social  e chefia um dos setores de uma Fundação de Assistência ao Deficiente e faz apresentações de dança com um cadeirante, por todo o Brasil. Na praia ela perdeu as sandálias e como um Shopping, o Manaíra, fica próximo, se dirigiram para lá a fim de comprar outra, foram barradas na porta, sobre a alegação de que estava descalça e não podia entrar dessa forma, mesmo elas informando o ocorrido e que desejavam entrar para comprar outra sandália não teve acordo. Essa é a visão que permeia esse teu mundo.

      Quem quiser conhecer minha sobrinha eis abaixo:

      [video:http://www.youtube.com/watch?v=Xw2kZABB48I%5D

       

      • Um caso triste mas que nao

        Um caso triste mas que nao serve em nada para mudar o post do colega mais acima

        alias , ainda que sua sobrinha tenha passado por isso, vc continua  nao podendo entrar em mercado sem camisa, ou no metro fumando

        ou em repartiçao publica de bermuda e chinelo

        entao vamos parar de fazer drama, guarde o exemplo dela para o contexto correto ,  e fica tudo bem ok? 

  2. Vou fazer o papel de advogado

    Vou fazer o papel de advogado do Diabo:

    Em situação normal, ninguém é impedido de ir ao Shopping.

    O tal “ROLEZINHO” é só uma desculpa para um arrastão a fim de assaltar os outros frequentadores do shopping, tão pobres quanto eles, como aconteceu no Shopping Itaquera e no Internacional de Guarulhos.

    Desculpe – me sr. “sociologos” mas parece que o sr. desconhece o que ocorre na periferia…

  3. Os “despertencidos” da cidade.

    Prezados e prezadas, permitam-me um pitaco em tão bem elaborado texto.

    É irresistível uma abordagem sociológica ou a sociologização de determinados fenômenos sociais, e de certa forma, a Sociologia oferece um instrumental teórico que satisfaz boa parte de minhas expectativas, mas não todas.

    Acho complicado dar uma dimensão exata dos chamados “rolezinhos”, um tipo específico de “flashmobs” juvenis, possbilitadas pela fluidez de informação das redes sociais e das traquitanas eletrônicas.

    De certa forma, esta mobilização em torno de temas específicos (torcidas de futebol são outro exemplo) é próprio da juventude, e que pode se estender até a débeis mentais considerados adolescentes tardios, que não correspondem idade biológia com mental (outro traço muito comum na sociedade da obsolescência).

    Mas não é um fenômeno inédito ou adstrito a Idade Virtual.

    O cinema hollywwodiano explorou estas manifestações à larga, seja na saga James Jean, seja com a contracultura hyppie, e outras comunidades.

    O principal mito ocidental, ou melhor, os principais mitos ocidentais cultuados desde muito tempo são: reunião por afinididade, mediação de violência, contestação do estamento e rito de passagem. O outro é a guerra, outro tipo de manifestação institucionalizada de violência juvenil e pós-adolescência, mixado ao mito do heroísmo com propósito.

    Dito isto, vamos a nossa opinião:

    Há um pequeno erro conceitual no texto. Ele remete a posição paranoica e classista da elite paulistana e comercial de SP e de outros estados, e dos “bondes” (no RJ) e “rolezinhos”(em SP). Tivemos caso semelhante em um shopping em Vitória, ES, com repercussão parecida: de um lado a paranoia, de outro a sociologização do tema.

    Até aí tudo bem. Mas a reação não se dirige a enfrentar legiões de consumidores que optaram por expressar sua adesão ao consumo de forma de forma heterodoxa.

    A reação é bem mais complexa, e pode ser que nem todos os atores estejam cientes disto, até porque parecem que todos reproduzem gestos e reações típicas que nos iludem a acreditar que tudo passa por um contexto economicista-sociológico.

    Não há, ou pelo menos não há pesquisa e estudo que comprove esta tese, que os “truta e as mina” de SP estejam a reivindicar apenas o direito de subverter a pequena ordem privada capitalista que está confinada nos espaços-templo de consumo e seu entorno.

    Ou que estejam inconscientemente escolhendo ocupar shoppings ao invés de reivindicar bibliotecas, parques e outras facilidades públicas de lazer e cultura. Não é só isto, embora estes sejam componentes plausíveis.

    É mais que isto.

    É o direito à cidade que está sendo reivindicado, ainda que de forma caótica, e manifestada com a linguagem simbólica de violência para quem só teve este tipo de interlocução com as formas simbólicas E REAIS de violência da cidade sobre si mesmos, e que podem ser geograficamente, fisicamente demonstradas.

    O que estes jovens estão à dizer é: “nenhum espaço está à salvo, todos os lugares nos pertencem”.

    Mas por que estas manifestações se dirigem especificamente a shoppings e não há outros espaços de alto consumo ou de convivência da elite, como restaurantes, ruas como Oscar Freire, etc?

    Porque os shoppings centers são, justamente, os espaços privados que tomam a cidade (privatizam) sob a fantasia de se constituírem em locais de civilidade pública possível, ou seja, a do consumo.

    Esta é a falácia (da sociabilidade higienizada pelo consumo) que devora enormes faixas das cidades e seus recursos (água, áreas verdes, etc), complicações do ir e vir, segurança, etc.

    Neste sentido, na minha modesta opinião, o texto erra ao identificar nestes jovens uma tendência a querer manifestar sua forma de entendimento da inclusão pelo consumo.

    Não…é o contrário: a invasão destes espaços é um grito, ainda que alienado e sem noção ideológica de si mesmo, de enfrentamento do consumo como única possibilidade de sociabilidade possível.

    É precioso o momento. É preciso entendê-lo.

    Eles querem estar ali “por estar”, ainda que de forma ruidosa. Mas na cidade dos shoppings e dos ricos contra os pobres, ninguém pode estar em nenhum lugar apenas por estar.

    Tudo tem que ter um motivo e um objetivo, sempre dentro da lógica econômica.

    Hoje, a cidade nos “despertence”.

     

     

    • Nossa obelix que forma

      Nossa obelix que forma complicada de falar que vandalo é o mesmo que ativista

      Talvez sua compreensao ” sociologica ” com eles va ate o momento de alguns falarem mal da Dilma né?

      Pq dai eles voltam a ser para voce o que ja é para todo mundo que tenha um minimo de lucidez ou nao seja demagogo

      -Um bando de sem vergonhas arruaçeiros que acham que democracia é o direito de F*&¨  com o dia de lazer dos outros…

      • Além da minha compreensão.

        Prezado Senhor Leonidas,

        Como já mencionei em outras oportunidades, renuncio a polemização com Vossa Senhoria pela completa incapacidade minha de decifrar o sentido que o Senhor pretende dar as palavras.

        Novamente, peço desculpas.

        Cordiais saudações e boa sorte.

  4. grã-finos pilantras!

    Descarada discriminação. Expressão do Apartheid Social brasileiro.

    justiça de merda…

    O povo pobre é que precisa ser protegido da imensa arruaça costruída por esta “elite”  branca, rica… e canalha!

      • Chópein virou castelo

        Diz um dito que para o “homem sua casa, seu castelo”.

        Independente do mérito, o rapaz mistura tudo.

    • Discriminação?
      Pergunte aos

      Discriminação?

      Pergunte aos jovens frequentadores que não faziam parte do “role” e froam assaltados, perdendo tenis e dinheiro, se eles concordam com a sua opinião.

      Não se trata de discriminação, se trata de um bando de ladrões arruaceiros que subjulgam e impedem o lazer dos frequentadores destes shoppings que de elite não tem absolutamente nada.

      São pessoas pobres da periferia como a maioria dos frequentadores da maioria dos shoppings paulistanos.

      Tua visão distorcida da realidade te cega para a verdadeira finalidade destes “rolezinhos” : ASSALTAR!

       

    • canalha é quem acusa pobre

      canalha é quem acusa pobre trabalhador que vai no shopping tomar sorvete e comprar tenis a prestaçao de ser burgues e nao querer ” pobre ” junto dele…rs

  5. Arquitetura da Exclusão

    Alguns destes Shoppings de Luxo já dificultam a entrada de qualquer pessoa a pé. Falta pouco para essas entradas serem totamente abolidas. Ou entra de carro ou fica de fora dos templos de concreto e vidro.

    O “apartheid” já é planejado desde a planta do imóvel.

    Pagar para consumir. O Nirvana do capitalismo.

    • Ai Hélio povao nao é o mesmo

      Entao Hélio povao nao é o mesmo que ladrao ou vandalo nao!

      ta tentando convencer quem com essa conversa furada?

      vem aqui na zona leste com seu carro ate o bairro do Gouveia e quero ver se voce e tao moderninho como gosta de parecer postando da sua casa com a regiao glutea na cadeira

      o problema do pais é gente desonesta feito voce que em nome de suas ideologias fica falando abobrinha

      Vc nao entra no Gouveia se ver ele de longe, e sabe porque demagogo?

      -Pq voce vai ter ( e com razao ) muito medo dessa turma que vc feito um tonto generaliza como povao… 

  6. Arran, Mota Araujo. Jovem

    Arran, Mota Araujo. Jovem preto e pobre da periferia entra em qualquer lugar nesse país. Claro, claro. 

  7. A burguesia precisa conhecer a periferia

    Se me permitem, gostaria de reafirmar o que foi dito em alguns comentários anteriores. 

    Me admira muito que doutores de instituções como a USP e GV, com os melhores cursos de gestão de políticas públicas do país, divulguem mais uma opinião intelectual e sociológica de um problema que não os atingem.

    Moro no local taxado aqui no texto como “extremo leste” da cidade, pois bem senhores, aqui também tem nome, se chama Itaquera. E se um dia os senhores tiverem a descência de presenciar o que realmente ocorre dentro de um shopping center quando um grupo muito grande de jovens se reunem, e começam a gritar, assaltar, causa pânico e medo num dos poucos locais que temos de lazer na região, favor redigir seu texto, para que ele entre na realidade e não fique somente num olhar superficial que defende o pobre do “apartheid a brasileira”.

    Para deixar claro, concordo com a grande parte do conteúdo do texto, mas foi impregado neste contexto com muita infelicidade.

  8. Há tempos não via um texto de

    Há tempos não via um texto de esquerdismo tão barato como esse. Melhor fariam os dois articulistas se, em vez de ficarem estimulando esse tal de “rolezinho”, estimulassem essa garotada a protestar contra a liminar que suspende o aumento do ‘iptu’; contra a medida do ‘tcm” que impede a criação de novos corredores de ônibus, etc etc

  9. 3 Causos “enrolesados”

    O ano era 1982.

    Recentemente transferido para a cidade de São Paulo, morando perto de um conhecido Shopping em casa paga pela empresa, eu, branco, dito de “boa” aparência, com positiva carreira em multinacional (meu próximo cargo seria no exterior), recebi a visita de 2 irmãos.

    Um, adolescente crescido e outro, que não aturava desaforo, mais velho. Num tempo (que ainda perdura um tanto) de pessoas vestidas para “ir ao shopping”, resolvemos almoçar, e lá fomos nós três a pé, em (boas) camisetas, bermudas e havaianas.

    Depois de algum tempo circulando, o mais novo observou que estávamos sendo seguidos por seguranças. Meu mais velho, confirmando o fato, imediatamente parou, voltou e confrontou-os e um discreto bate boca começou. Felizmente saímos em vantagem, pela ameaça de processá-los e ao Shopping e a percepção d que éramos pessoas “de bem e de bens”.

    Mesmo ano.

    De terno e gravata, peguei minha boa moto (com placa de fora) na minha privativa vaga no trabalho e fui almoçar num “elegante”  shopping. Como meus colegas foram de carro, eu mais rápido, parei na entrada da garagem para esperá-los. Não deu 5 minutos e um policial me abordou, pediu documentos, etc. e tal. Apresentei-os todos e ele não satisfeito, disse-me que teria que aguardar pois iria investigar (via rádio). Perguntei-lhe o que e porque iria “averiguar”. Disse-me que a placa da moto “não era de SP” e podia ser um assaltante disfarçado! Comecei um bate boca de abuso de autoridade, retrucado com ameaças de desacato até que meus colegas chegaram e ele então percebeu que eu era de “bem e de bens” (identifiquei-o e prestei queixa, mas não deu em nada).

    Mais recentemente:

    Num “elegantééééérimo” shopping (onde frequentemente se convive, la´dentro, com forte cheiro de esgoto do Tietê), fui buscar minha filha num carro popular que acabara de lhe dar. Na cancela da garagem, cheia de Mercedes e Land Rovers, um segurança bloqueiou a abertura e questionou-me o que eu iria fazer no shopping. Disse-lhe que isto não era de sua conta e ele, após melhor olhar e pensar, deixou-me “passar”.

    Neste mesmo shopping, em outra feita, combinei pegá-la numa entrada onde os carros podem parar para embarque e desembarque. Parei o popular atrás de uma BMW  série 7 e na frente de um outro de similar “status” e fiquei (como os demais) aguardando minha filha. Pasmem, mas um “gerente de entrada” apareceu e pediu-me para estacionar em outro local, pois estava “atrapalhando” . Disse-lhe que sairia prontamente: assim que os carros da frente, que haviam chegado antes também saissem. Depois de uma pequena discussão, o bem vestido funcionário saiu resmungando que há gente que não “colabora”.

    Eu até parecia ser “de bem”.

    Mas não “de bens”

  10. A burguesia precisa conhecer a periferia

    Se me permitem, gostaria de reafirmar o que foi dito em alguns comentários anteriores. 

    Me admira muito que doutores de instituções como a USP e GV, com os melhores cursos de gestão de políticas públicas do país, divulguem mais uma opinião intelectual e sociológica de um problema que não os atingem.

    Moro no local taxado aqui no texto como “extremo leste” da cidade, pois bem senhores, aqui também tem nome, se chama Itaquera. E se um dia os senhores tiverem a descência de presenciar o que realmente ocorre dentro de um shopping center quando um grupo muito grande de jovens se reunem, e começam a gritar, assaltar, causa pânico e medo num dos poucos locais que temos de lazer na região, favor redigir seu texto, para que ele entre na realidade e não fique somente num olhar superficial que defende o pobre do “apartheid a brasileira”.

    Para deixar claro, concordo com a grande parte do conteúdo do texto, mas foi impregado neste contexto com muita infelicidade.

    • Sensacional, Nicolas! Eu

      Sensacional, Nicolas! 
      Eu também moro em Itaquera, tenho amigos e conhecidos que já foram a esse “rolezinho, rolezaum” e os mesmos me relataram furtos e arrastões SIM! 
      Até no Facebook, o pessoal que furtou postaram fotos “cantando” vitória… Uma delas, lembro bem, era uma bolsa cheia de tênis Adidas (Aquele caro, de R$1.000), e a legenda era: “Resultado do Rolezinho no Shops Itaquera, hahaha os bicos passaram mal”. 

    • Ótimo comentário Nicolas!!
      Eu

      Ótimo comentário Nicolas!!

      Eu também acho repugnante o propósito desses encontros. 

      Se a garotada quer se reunir e dar um “rolezinho” em algum lugar, por que não vão a um parque? Porque querem fazer tumulto e baderna!!!

      Na minha opnião esse texto só foi escrito desta maneira para chamar atenção…

      O meu único ponto de indignação nesse caso todo foi o uso da polícia para proteção de um empreendimento privado enquanto nós nunca temos essa “proteção” quando precisamos nas ruas…

       

       

  11. Mais um causo (invertido, mas não divertido)

    Em uma primeira viagem a Miami, há mais de 3 décadas, aluguei um conversível para ir a Key West.

    Notando que não tinha roupa de praia (vinha de um seminário a trabalho em NY, onde ainda havia segregação oficial em ônibus), parei num shopping para comprar algo.

    Reparei já no estacionamento, que ele tinha um clima mais “popular”. Tudo bem, pensei: será menos caro. Havia uma escada rolante logo na entrada e para começar a procura por cima, subi. Na escada contrária um grupo de adolescentes negros já passou me olhando, uns de cara feia, outros fazendo piadas.

    Só então percebi que eu estava dando um “rolé” num “shopping segregado”.

    Senti-me como um teco-teco travado no radar deles. Apesar do meu sorriso ao ser abordado por outro grupo, onde um me perguntou “educarsticamente” o que “eu estava querendo lá?” e de dizer-lhes “sou um brasileiro turista, procuro swimwear” (nesta ordem), preferi aproveitar a condescendente oportunidade de não ter sido mais importunado e … “sartei de banda”.

    Ou seja, concluo que devo ser mesmo uma “ameaça” em qualquer xópingue!

  12. O sagrado direito de ir e vir.

    Muito tem se falado sobre essa questão ultimamente, li em diversos lugares textos sobre isso e, infelizmente, as opiniões que constroem estes texto são as mesmas.
    Vejo uma insistente necessidade em transformar todos os moradores de periferia em vítimas de um ‘Aparthaid brasileiro’, concordo que, em certos casos, há preconceito, quando alguém característico da periferia entra em algum lugar ”chique”, há olhares e desconfiança.

    Mas a diferença é gritante e os senhores doutores deveriam ter o mínimo de decência em usar estes argumentos para tal situação, então imagine isso: Você está em um shopping, lugar de lazer, com sua digníssima esposa e seu filhinho pequeno, quando do nada, centenas, isso mesmo CENTENAS, de jovens entram no local, gritando, fazendo folia, correndo e causando medo e pânico em todos, você acharia seguro para sua família um ambiente assim? Desculpe mas eu não acharia.

    O estado não está impedindo o ”sagrado direito de ir e vir”, está mantendo a ordem, coisa que é sua FUNÇÃO, manter a ordem, existem lugares para se fazer as coisas, ao invés de um shopping, vão à um parque aberto, ibirapuera talvez? É muita ingenuidade achar que eles são jovens coitadinhos.

     

     

  13. Desculpe o foco está errado.

    Não sou a favor de arruaças, arrastões ou outras coisas em lugar nenhum, sejam em praças, shoppings, praias ou outros lugares.

    Proibir a moçada de entrar em um estabelicimento é preconceito puro e simples e não vou entrar nessa discussão.

    Mas utilizar a policia militar para proteger o interior de um local privado, isso é uma aberração. Os shoppings teriam que prover sua segurança interna já que cobram para tudo dentro do local, do estacionamento a manutenção dos banheiros (você usuário pode não pagar diretamente, mas os logistas pagam no condominio.).

    A policia deveria ser utilizada em outras atividades rondas nas cidades, aos arredores dos citados shoppings center e não proteger o interior!

    Quem paga o salário desses policiais são todos, inclusive os barrados na porta pelos PMs.

    Mstel

    • Local privado PAGA IMPOSTO
      E

      Local privado PAGA IMPOSTO

      E a policia é a unica a ter PODER DE POLICIA

      dificil entender ou tem que desenhar a razao pela qual o apoio da PM é indispensavel? 

    • A PM é o PiG armado…

      A PM é a polícia política da “elite” branca e rica.

      A função da PM é descer o cacete, torturar e até assassinar preto e pobre… pros grã-finos vagabundos aproveitarem a vida mansa de parasitas.

      A PM é o PiG armado!

  14. Os intelectuais de merda ja

    Os intelectuais de merda ja tao falando abobrinha vulgarizando o termo apartheid para analogias boçais novamente?

    rs

    Incrivel como a defesa de vagabundo por parte desse tipo de gente é compulsiva

    Pobre ao contrario do que esses imbeciis pensam nao e funkeiro , sem modos ou  vandalo nao

    pobre sao os que tambem vao ao shopping e se sentem ameaçados por uma orda de sem vergonhas que nao tendo o que fazer só sabem tumultuar

    Democracia nao é anarquia nao, nao se entra no metro fumando ou no mercado sem camisa

    shopping é lugar fechado e a ordem deve ser mantida com o legitimo uso da força por parte da Pm

    Gente safada que gosta de tutelar pobre em nome de suas visoes liberticidas do que venha a ser democracia deve fazer isso para expiar suas culpas por viverem feito burgueses e nao dividerem seus bens com esses tais ” pobres “

     Essa raça de vagabundos funkeiros eu conheço bem, sou da zona leste e quem gosta deles ou ache que estao protestando por algo que va ate onde rola os bailes desses tais

    Posar de humanista falando merda na net para parecer moderninho sem viver no dia-a-dia com essa tralha é a parte mais facil da coisa toda…

  15. Pode haver uma liminar

    Pode haver uma liminar cerceando o direito constitucional de ir e vir? Se puder, que se faça uma constituinte para reparar este erro! Se não puder, que este juiz seja punido! Onde estão a OAB, o CNJ, os MPs estadual e federal e todos os setores da sociedade civil? Viva o Brasil, o Lula e a Dilma!!! Abaixo os poderes que não emanam do povo pelo voto direto: Judiciário, MP, PIG…….!

    • Ninguem cercea o direito de

      Ninguem cercea o direito de ir e vir colega

      Cercea o vandalismo de organizaçoes ja pre agendadas 

      Isso é como dizer que a policia ao controlar os deslocamentos das torcidas organizadas de futebol ( inclusive no metro sao vagoes separados com seguranças dentro ) estaria cerceando direito de ir e vir

      Faça uma gentileza fique calado e passe por alguem que tenha bom senso…

    • Com esta justiça de merda… os privilegiados podem tudo.

      É uma afronta ao povo pobre. Descarada e covarde discriminação.

      E mais uma evidente ação para que a “elite” branca, rica e canalha goze seus privilégios indecentes.

  16. Comentário.

    Mesmo sendo branco, já fui barrado muitas vezes por não ter “cara” de gente da elite branca. Claro que não tratei como questão de raça, mas de classe. E não tenho medo de dizer algumas vezes em que isto aconteceu. A primeira vez, no Citibank da Avenida Paulista (eu tinha uns 19 anos na época), por um segurança que inclusive me ameaçou. Em uma outra oportunidade, por estar de mochila, no Banco Nossa Caixa (até então, antes de ser BB) ao qual eu era correntista (!) e não tinha local para guardá-la – chamei a polícia. Recentemente, no Pão de Açũcar da região da Praça da Árvore, eu fiz um “escândalo”, pois em mais de uma vez os seus trogloditas travestidos de seguranças agiram como se eu fosse roubar aquele mercado que nem verdura e legume decente tem (preferem gastar em trilha sonora de jazz de quinta e em televisor de 50 polegadas na entrada do caixa). Essas situações em que inclusive a força pública é utilizada para, supostamente, resguardar a propriedade (não perguntemos se os proprietários de lojas são honestos ou se detestam concorrência) não podem e não devem manchar a honra e a dignidade de ninguém. Pelo fato de ser policial, ninguém tem a obrigação de dizer nada a ele, muito menos para o segurança, direito constitucional. Por isso é que existe o tal de “plantar prova”: se não tiver nada contra a pessoa, ela processa o Estado (vale a pena como dor de cabeça ao Estado e não como forma de ganhar indenização) e pode haver afastamento e eventual demissão do agressor. Raciocínio válido, inclusive, para os seguranças particulares, com suas devidas circunstâncias. Tem ladrão? Pode ter, mas a segurança não tem inteligência. Não adianta se queixar, contra o agressor não existe diálogo.

  17. Combinar rolezinhos de outra forma

    Chegamos na encruzilhada da hipocrisia de todos os lados.

    Não existe certo ou errado nesse assunto.

    Os shoppings estão errados em usar o poder público para se proteger, pois cobram tudo, e muito caro.

    E o pessoal que organiza os rolêzinhos estão fazendo o “manifesto” de forma errada. Deviam ser silenciosos, pacíficos e coerentes. Não são. Se fossem, aí sim teríamos como defendê-los.

    Um exemplo.: Você tem um comércio de rua, e de repente, centenas de jovens (todos brancos, bem vestidos, mas com “sangue nos óio”) começam a se juntar em frente ao seu negócio e a botar som alto… O que você faria? Convidariam para entrar na sua lojinha ou chamaria a polícia?

    Enfim…

    Ta certo que o preconceito no Brasil existe muito forte. E a sociedade finge que não vê. Mas não sejamos hipócritas em defender somente os organizadores dos rolezinhos… 

    O problema aí nessa história continua sendo o calcanhar de Aquiles do Brasil: educação (formal e informal).

     

    • Pois é, Rodolfo, eu até

      Pois é, Rodolfo, eu até concordo, em parte com o seu comentário mas, não devemos esquecer que esse tipo de manifestação foi aplaudido, estimulado e protegido pelo sistema judiciário, midiático, universidades, etc… nas manifestações de junho, qdo jovens de classe média alta, barbarizaram as cidades; depredando patrimômino público e tb privado com todo o apoio midiático e, com OAB de plantão. É natural, portanto, que cada grupo se vá atingir o que incomoda. Os tais revolucionários de junho que depredavam bancos e gritavam contra o “kapetalismo selvagem”, por alguma razão ” esqueceram dos shoppings, símbolo máximo do consumo e de todo o sistema judiciário, garantidor das desigualdades… Eu li aqui na rede e custo a acreditar que um juiz, al´me de proibir a entrada de adolescentes desacompanhados num determinado shopping, ainda estabeleceu um multa de 10 mil reais pelo descumprimento… Fico me perguntando, qto cada filho de classe média alta pagou pelas depredações e em que momento foram obrigados a manifestarem-se em companhia dos pais. Como sempre aa elite resumiu o problema a PM; nossos meninos estavam brincando e a PM, os atacou… E, esses outros meninos aí? Kd OAB, pseudo-intelectuais, MP, PSOL, PSTU, SEPE…. Manifestar-se contra tudo que está aí pode mas contra tudo o que está lá na periferia, não pode. Parece que os jovens da periferia não estavam nos planos da Academia, ou melhor, estavam no discurso fácil e contrabandeados debaixo das máscaras dos filhos da classe média alta. Se alguém tinha alguma dúvida, apesar da insistência dos organizadores das jornadas de que ali não haviam jovens de periferia, agora não tem mais. Onde eles chegam, o que acontece é isso que estamos vendo e nunca o que vimos em junho. Estava na cara que era um grupo que atuava sob proteção. E, agora? Como é que a gente fica? A perfiferia deve pagar pedágio de 10 mil para entrar nos shoppings? Se minha filha, de 16 anos, for ao shopping, amanhã, como sempre faz, eu vou ter que ir com ela ou pagar 10 paus de multa? E, se, ela preferir depreadar a cidade na Copa, aí tudo bem? A OAB, dá um jeito?

      • Comparar uma confraternização

        Comparar uma confraternização de universitários numa praça de alimentação com um encontro “pra zuar” (sic) que reuniu mais de 2 mil jovens que promoveram correria, gritaria, furtos e pânico em clientes e lojistas pra sustentar a alegação que a diferença foi apenas em relação à cor dos envolvidos demonstra que a racionalidade passa longe nesta conversa. 

  18. Sempre achei que essa coisa

    Sempre achei que essa coisa de discriminação no Brasil passa primeiro pela classe social, sou branca de olhos azuis, gosto de andar esculhambada para os padrões de bem vestir, adoro calça rasgada, no verão sempre ando de bermuda ou saia e sandálias havaianas, sempre que ía ao banco o tal do personalitè observava que era olhada de soslaio pelos funcionários e demais clientes, e sempre foi assim, toda vez que vou a um lugar dito mais sofisticado me sinto na obrigação de botar uma roupa melhorada, caso contrário sou discriminada.  Já fui discriminada em loja de eletrodoméstico por não estar devidamente bem vestida, todos os vendedores me evitavam, quando eu me dirigia a algum deles era solenemente ignorada, e isso em uma região praiana onde as pessoas costumam andar bem largadas.  Uma vez em uma lanchonete, dessas que a propaganda passa todos os dias na tv, me senti discriminada juntamente com minha irmã que tem o mesmo biotipo que eu, uma mulher olhava para mim com cara de nojo, quanto mais chique o lugar pior é o constrangimento.  Perto de casa tem uns restaurantes de comida portuguesa que quando quero comer uma bacalhoada vou, mas se me esqueço de me arrumar qual uma perua, a coisa se repete, todos olham pra mim como se eu fosse uma ladra ou uma golpista.  É hora de se repensar essa estória que discriminação só acontece com pretos. 

  19. Todo preocupado com o direito

    Todo preocupado com o direito dos jovens de ir e vir, mas dá aula na FGV. Exerça sua convicção e dê aula na perifa, cara! Vamos lá!! 

     

    Direito de ir e vir dos jovens? Que mais sabe sobre a constituição? Olha, até entendo uma pessoa sem acesso à educação falar bobagens, mas ouvir de um professor da FGV algo desse nível. Por isso mesmo que o Brasil é essa merda. A elite intelectual deixa a desejar.

     

    Vou organizar um rolezinho na rua onde vc mora, será que vai curtir? Ou de repente vou combinar um rolezinho na FGV, tipo um open house pra conhecer as instalações. Seria bacana, não? Vc nos recepcionaria?

     

    BA BA CA

     

     

  20. Eu não gostei do texto. Não

    Eu não gostei do texto. Não gostei da forma como se colocou e acho que você deveria conhecer melhor de quem fala.

    Essa garotada que você fala não respeita o direito do outro. São os mesmos que ligam o som alto do carro quando você tenta fazer seu filho dormir, os que ouvem música alta no metro sem fones de ouvido sem ligar para a pessoa do lado… eu sei disso por que moro e já morei na periferia e sem bem que grande parte desse pessoal quer fazer bagunça. 

    Não estou defendendo o pessoal do shopping. Não acho que eles deveriam chamar polícia, arranjar liminar ou qualquer coisa desse tipo. Mas você ficaria com medo se essa “garotada” entrasse no shopping, não por causa da sua aparência ou pele marrom, mas por causa do seu grande número.

    Eu não sei onde você mora, mas se você tivesse morado na periferia, veria que sim, lá tem gente boa de pele marrom e também gente ruim com pele marrom. Eu nunca vi ninguém ser barrado em shopping por que quer comprar ou passear.

     

  21. hipócritas somos nós

    O que o texto clama é respeito, de ambas as partes. Tanto o shopping quanto o movimento “rolezinho” infrigem o direito do outro. Muitos dos comentários aqui estão com grande carga de desrespeito contra os autores, e paradoxalmente exigem o tal respeito que não o fizeram em seus bairros e shoppings, sempre carregados de suas “verdades” absolutas. Outra vertente deste fato é o contexto socio-histórico da sociedade brasileira. O capitalismo e sua consequência vem tomando o inconsciente da nova geração e cada vez mais “ter” significa, única e exclusivamente, ascensão social. O materialismo vem sendo, em grande parte, a forma mais rápida de conseguir a tão sonhada inclusão social ou a sensação de pertencimento. O texto faz refletir sobre inúmeras formas de inclusão social, como teatro, cinema, esporte, ignoradas pela juventude. Ou seja, enriquecimento intelectual não é uma opção, pois é lento e chato. O consumismo atrai mais facilmente o imaginário da parte da sociedade que emerge da adolescência para a fase adulta. E o movimento parece ser um inchaço dessa sociedade discriminada e sem opção de mudança, pois não enxergam ou não aguentariam buscar outros meios para fazer a revolução. Ora por inércia, ora por falta de oportunidade. Se ao menos soubessem qual o poder que o conhecimento tem não fariam essa afronta a classe burguesa, que assustada toma atitudes estúpidas a fim de se proteger, criminalizando os despossuídos.

    Investir em segurança nada mais é que criar um muro que separa os burgueses das classes inferiores. E sim, isso é uma segregação. Pois se quisessem mesmo fazer algo, iríamos todos às ruas fazer uma revolução onde o direito, de fato, fosse garantido a todos. E inevitavelmente a iniciativa tende a partir das classes sociais mais abastadas, ou pelo menos dos filhos dessas pessoas ricas em opção. Não se pode exigir um movimento completamente intelectualizado por parte dos garotos, pelo simples fato de não serem visto pela sociedade. Lembrando quando tentam acuar a sociedade, mesmo que de forma pacífica, em manifestações. Deve-se então exigir dos donos de Shoppings uma postura de inclusão social, porque não adianta a eles bater de frente, mas as “sobras” que possuem de seus balanços financeiros seriam muito bem aplicadas e aceitas as instituições que defendem e pretendem fazer algo pelos não vistos.

    Hipócritas somos todos nós!

     

  22. Respeito, custe o que custar!

    A ideia que passa é conseguir respeito a qualquer custo, até pela força! Isso não leva a nada! A geração constante de conflitos (até bobos) está começando a ficar perigosa!

    E falando em consumismo, seus templos e seu fascínio temos um real e pragmático socialista opinando:

    “Não sei se vão me dar bola, mas digo aos jovens de hoje que aprendemos mais com o fracasso e a dor que com a bonança. Na vida pessoal e na coletiva pode-se cair uma, duas, muitas vezes, mas a questão é voltar a começar. E é preciso criar mundos de felicidade com poucas coisas, com sobriedade. Refiro-me a viver com bagagem leve, a não viver escravizado pela renovação consumista permanente que é uma febre e obriga a trabalhar, trabalhar e trabalhar para pagar contas que nunca terminam. Não se trata de uma apologia da pobreza, mas de um elogio à sobriedade — não quero usar a palavra austeridade, porque na Europa está sendo muito prostituída, quando se deixa as pessoas sem trabalho em nome do ‘austero’”

    José Mujica, Presidente do Uruguai!

    Esse cabo de guerra insano, com um lado vivendo em um mundinho milionário e ‘clean’ e o outro querendo direitos até para as pedras, fica claramente reproduzido na figura abaixo. O fim será nos tentáculos de um monstro que ninguém conseguirá controlar depois de cair na beira do mundo:

  23. que pena

         Acredito que preto ou branco sofrem discriminação de RENDA no Brasil, mas claro que o preto sofre ainda a de RAÇA. Entrar em qualquer lugar para cometer um delito, seja cometido em grupo/solitário, seja por brancos/pretos/pardos/indígenas/etc, bem/mal trajados não muda o fato de ser um DELITO.

          Quanto a questão ideológica é mais complicado: uma vez escutei na rádio o Ricardo Boechat na rádio BandNews dizer que: “quando vejo estas imagens de jovens negros segurando um fuzil no alto do morro fico imaginando que se trocarmos a arma e o capuz por uniforme e chuteiras teriamos um jogador de futebol”. Claro que entendo bem o que ele quiz dizer: o pobre, negro, morador de favela, virou bandido assim como muitos pobres, negros, moradores de favela viraram “estrelas no esporte de paixão nacional”.

         Realmente é grave o fato de arruaceiros penetrarem em estabelecimentos para promover desordem (caso que acontece em estádios de futebol com muito mais frequência). Na MINHA OPNIÃO é necessário punição sim, mas também é preciso EDUCAÇÃO de base, é a famosa história que a escola básica pública é ruim e nela só estudam “pobres” e que na escola superior pública, que é boa, só estudam “ricos”.

         Tem de haver punições sim, contudo qual a chance de uma criança de se tornar “um adulto exemplar” se nasceu de uma mãe viciada em crack, que já não tem família, o “companheiro” a agride, rouba pra alimentar o vício e o filho, deixa a criança vender balas em sinais no lugar de ir para a escola… Como uma criança neste ambiente tem a chance real de se tornar um “bom adulto”? Como uma criança filha de analfabetos funcionais, que estudou em escola pública e plural (artifício do governo de Minas para não reprovar crianças, assim a mesma “acompanha” a sua turma até a formação, mas na verdade é uma maneira de economizar na educação em escala estadual) terá chance real de competir com uma outra advinda de uma familia com boa “intelectualidade” e que estuda em “boas” escolas na hora do vestibular?

         Sou negro (e reconheço isso, ao contrário de alguns que se dizem de “outras etnias” mas quando precisam de algo dos governos se declaram “afro-descendentes”) mas não sou burro. Pensem ná ótica de “todos os lados” seja dos “pretos bandidinhos” ou dos “ladrões de terno e gravata”.

         E POR FAVOR: Sem ofenças aos que tiveram o trabalho de escrever e expressar sua opnião.

        

     

  24. Nassif
     
    Deplorável este

    Nassif

     

    Deplorável este texto.  Mistura bandidagem com cor de pele e defende o indefensável. Este texto é típico de quem não tem contato com a realidade, voce não sabe meu caro o que é um rolezinho….. Voce não sabe o que é ser intimidado, roubado e muitas vezes humilhado.  Temos que parar de colocar toda a culpa pelos desmazelos em cima de diferenças sociais…. Não estamos no país do pleno emprego???

  25. Ontem sim, hoje não.

    Observem o paradoxo, há apenas 6 meses atrás, a direita conservadora e parte do PIG, apoiavam as manifestações comandadas e apoiadas financeira e logisticamente por alguns partidos políticos extremistas, e previam o crescimento destas manifestações, e sua provável influência na sucessão Presidencial, e agora que percebem que aqueles movimentos extrapolaram quaisquer perspectivas, vêem pipocar novas manifestações populares, agora vindas das classes antes não representadas, os pobres dasperiferias paulistana, que estão invadindo(literalmente) os templos de consumo das classe médias alta e ricas, os Shoppings Centers, e mostrando que não precisam serem comandados nem serão usados como massa de manobras, para atacarem as governanças atuais, nem querem incendiar a cidade, apesar de alguns escessos, perfeitamente entendíveis, nas circunstancias em que ocorreram.

    Entretanto, aqueles mesmos defensores das manifestações de junho/13, estão conseguindo na Justiça(ah, a justiça parceira deles !) o ingresso de pessoas da classe “diferenciada” nestes centros de convivência, sob o pretêxto, de que são vândalos e não consumidores.

    Viva o apartheid à brasileira !

    Viva o povo brasileiro !

  26. Demorou….

    Demorou, mas apareceu: Ode aos rolezinhos.

    E pau na classe-média-paulista-burguesa-etc da Chauí….

    Como a esquerda está previsível e repetitiva….

  27. Gentrificação de Itaquera com a construção do estádio

    Pra quem mora no extremo leste da periferia de SP sabe que a única opção de lazer são os Shoppings. Não há espaços para cultura, lazer e diversão nas periferias. Não estou justificando a atitude dos jovens, mas é só percorrer o bairro de Itaquera e seus extremos ( Guaianases, Parada XV, Cidade Líder, etc) pra saber do que estou falando. Um estádio (Itaquerão) que irá promover apenas a gentrificação da região sem melhorias reais aos jovens e aos moradores.

  28. Rolezinhos, só isso?

    Texto ser interessante, os comentários foram mais ainda. 

    O que me chamou atenção nos comentários foi a quantidade de ódio de esquerda ou de direita, algo bem passional, chega a ser cômico. Se tem uma coisa que aprendi nesse vida é que não podemos e nem devemos tentar ver o mundo a partir de um ponto de vista unilateral.

    Minha percepção disso tudo…

    Os rolezinhos incomodam a classe média, de certa forma eles (e me incluo nessa) se sentem seguros nos shoppings, e esse tipo de ação traz o problema das periferias para dentro da zona de conforto. É natural a reação de medo ao ver 1000 jovens entrando em um shopping sofisticado e tenho certeza, apenas por inferência, que nem todos se comportaram de forma “educada”, inclusive trazendo consigo problemas ou crimes.

    Por outro lado, existe sim um trabalho de estimular o consumo nas classes mais baixas, agora também classe média e que foi alavancado por uma condição de crescimento econômico somado as políticas de crédito barato para os menos favorecidos. A maioria continua com a cultura de periferia e favela, porém consumindo eletrônicos, smartphones, 3G, vestuário de marca. Enfim, eles estão usando os elementos que definem a classe, mas sem serem da classe, e eles estão cobrando a parte que lhes foi prometida para entrar no incrível mundo do consumo e liberdade de escolhas.

    Como resolver mais esse problema? Impedindo a entrada? Liberando a entranda? Mudando as políticas públicas? Descendo o cacete no jovem? Educando? Culpando a classe política que esta mais preocupado com eleições? Culpando o governo PT por estar tornando o Brasil um país “comunista”? Ou culpar o governo PT por já ter se vendido ao capital, se tornando dependente das verbas de bancos e grandes empresas?

    Eu diria que o assunto merece mais conversa antes de concluir que o problema é a perversidade das classes “abastadas” ou a barbaridade dos “pobres”, e nem faz sentido citar a nossa aristocrácia política, os PTs e PSDBs, por que esses não estão muito preocupados em mudar algo e sim se perpertuar com modelos de governo diferentes porém mantendo a estrutura igual, enfim, mais do mesmo.

     

     

     

  29. Quem mandou perseguir  os

    Quem mandou perseguir  os bailes funks na periferia , os coxinhas estão incomodados com a classe c  e  d no mesmo espaço , só rindo mesmo , shopping vai ter que virar Sams Club , só entra com carteirinha kkk , como proibir um cidadão de tomar uma coca no Iguatemi ?? , Façam um cursinho de ingles e bora lavar prato e ser discriminado nos states kkkkkkkkkkkkkkkkk

  30. Artigo tolo

    Que grande tolice. Imagine mais de 1000 pessoas invadindo um local que não está acostumado a essa quantidade. Num país onde temos arrastão toda hora. O que pensar ? E se ao menos no artigo, como bom repórter, bom leitor, e mais que nada tivesse uma mínimo de bom senso, admitisse o quão surreal é ser lojista, ou vendedor e num piscar de olhos aparecem 30 pessoas na sua loja.. Como manter o controle ?

    Que lamentável esse artigo, por essas e outas a incongruência no Brasil é uivo de cachorro com raiva.

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