Bahia: milícias mataram 38 desde início de greve

Por Paulo F.

Milícias da Bahia aproveitam greve da polícia para matar sem abrigo e toxicodependentes

Do publico.pt, repórter Ana Gomes Ferreira

 Posto da polícia vazio na praia do Leme, no Rio de Janeiro
Posto da polícia vazio na praia do Leme, no Rio de Janeiro (Sérgio Moraes/Reuters)

Toxicodependentes, sem abrigo, pequenos criminosos, rivais. Os indesejados dos bairros periféricos de Salvador, a principal cidade do estado nordestino da Bahia, estão a aparecer mortos nas ruas.

São assassiandos pelas milícias a soldo dos comerciantes e dos traficantes de droga, revelou o director de Homicídios e Protecção à Pessoa daquele estado, Arthur Gallas, ao jornal Folha de São Paulo.

De acordo com Gallas, 38 das 157 pessoas assassinadas na região metropolitana de Salvador desde o início da greve da polícia, a 31 de Janeiro, foram mortas por milicianos. “Estes grupos estão a aproveitar a greve, que reduz o policiamento, para ‘limpar’ a área e matar quem os está a incomodar”, disse.

A greve da Polícia Militar da Bahia (no Brasil, o trabalho desta polícia equivale ao PSP portuguesa) levou para as primeiras primeiras páginas dos jornais a fragilidade deste corpo de segurança, na Bahia e não só. Não têm treino adequado às funções e são mal pagos — sendo o aumento salarial e a melhoria das condições de trabalho as principais reivindicações dos grevistas na Bhaia e no Rio de Janeiro (nesta cidade, os bombeiros juntaram-se à paralisação).

Os parcos rendimentos, aliados a uma cultura de corrupção — na Bahia acrescenta-se à lista o baixo investimento do Governo estadual na segurança —, fazem desta polícia uma fonte de problemas; muitos integram eles próprios as milícias.

A greve na Bahia está a perder força. O comandante da Polícia Militar bahiana, Alfredo Castro, disse na sexta-feira que 85% dos efectivos (32 mil homens) já retomara funções e declarou a greve encerrada — os que não regressarem ao trabalho terão falta, disse. Os líderes da greve fizeram saber que não é assim: a paralisação continua e querem agora também uma amnistia para os 12 grevistas com mandato de prisão. A Presidente Dilma Rousseff excluiu essa possibilidade dizendo que o perdão daria ao Brasil uma imagem de “país sem lei” — em 2014 é lá que se realiza o Campeonato do Mundo de Futebol e, dois anos depois, são os Jogos Olímpicos.

No Rio de Janeiro, a greve não teve a adesão esperada pelos organizadores.

Foram presos 17 dirigentes da greve (que ficou sem cúpula) e serão levantados processos disciplinares a 129 polícias e a 123 bombeiros.

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