4 de junho de 2026

STF ainda dará resposta final sobre indulto de Bolsonaro a Daniel Silveira

No Supremo Tribunal Federal (STF), estão em andamento as ações que trarão uma resposta definitiva ao caso.
Daniel Silveira. Foto: Plínio Xavier/Câmara dos Deputados
Daniel Silveira. Foto: Plínio Xavier/Câmara dos Deputados

Não há uma palavra final na Justiça sobre o indulto ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), dado pelo presidente Jair Bolsonaro. No Supremo Tribunal Federal (STF), estão em andamento as ações que trarão uma resposta definitiva ao caso.

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Alexandre de Moraes, ministro relator da ação que condenou o deputado a 8 anos e 9 meses de prisão por coação ao Supremo e ameaças ao Estado Democrático de Direito, encaminhou pedidos de explicações à defesa de Daniel Silveira.

Moraes deu 48 horas para o advogado se manifestar a sobre o decreto do presidente Jair Bolsonaro que concedeu o instituto de graça, perdão da pena, ao parlamentar. O ministro também questionou Silveira sobre a tornozeleira eletrônica instalada não estar funcionando.

A tornozeleira de Silveira está descarregada desde o dia 17 de abril. A informação foi dada pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal (Seape) ao Supremo. Assim, o parlamentar estaria descumprindo com a ordem e, uma vez descarregado o equipamento, Daniel Silveira sequer é localizado.

No mesmo questionamento, o relator pediu as manifestações sobre a graça concedida por Bolsonaro. Não só da defesa. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também deverá se manifestar em até 48 horas.

Na petição escrita pelo ministro, Moraes lembrou que o indulto da graça não se sobrepõe à inelegibilidade Daniel Silveira, que permanece. Assim, os direitos políticos do deputado continuam suspensos.

“Dentre os efeitos não alcançados por qualquer decreto de indulto está a inelegibilidade decorrente de condenação criminal em decisão proferida por órgão judicial colegiado”, lembrou o ministro.

Após a decisão de Bolsonaro, diversas petições foram protocoladas no Supremo questionando a constitucionalidade do ato do mandatário. A relatora destes questionamentos é a ministra Rosa Weber.

Weber decidiu que as quatro ações, até agora, devem ser julgadas diretamente no Plenário do Supremo, e em única sessão, ou seja, como uma única ação. Entretanto, ainda não há previsão de julgamento.

Os pedidos dos partidos PDT, Cidadania, Psol e Rede pedem a nulidade do indulto de Bolsonaro, alegando que violou preceitos fundamentais de impessoalidade e moralidade, além de desvio de finalidade, visando interesse pessoal do presidente. As siglas também afirmam que a medida de Bolsonaro afronta o princípio da separação de Poderes.

Mesmo sem data estabelecida para esse julgamento, a ministra já deu o prazo de 10 dias para que o próprio mandatário explique a decisão de indulto dado a Daniel Silveira (PTB-RJ).

Também deu o prazo de 5 dias para as manifestações da AGU (Advocacia-Geral da União) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). Segundo a ministra, a ação tem “especial significado para a ordem social e segurança jurídica”.

“Requisitem-se informações ao Presidente da República, a serem prestadas no prazo de 10 (dez) dias. Após, dê-se vista ao Advogado-Geral da União e ao Procurador-Geral da República, sucessivamente, no prazo de 05 (cinco) dias.”

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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