Leitura para os sentidos

Escrito e lido por: Eliana Rezende

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Não é de hoje que digo que a leitura é daquelas ações que realizamos e que nos dão a possibilidade de exercitar nossos sentidos.

As palavras impressas tem o poder de nos fazer estimular todo um conjunto de sensações: desde passar as mãos por um livro, até sentir o cheiro das folhas (novas ou velhas) e sua mistura com reminiscências e lembranças despertadas pela leitura.

Lemos também com nossa imaginação.

A História, que é para mim paixão e vocação, entrou pela minha vida através da magia da Leitura.

A curiosidade infantil acrescida de uma imaginação feroz me fazia boa ouvinte de histórias lidas e contadas pela minha mãe.

De origem protestante, as histórias vinham sempre dos escritos sagrados e revelava um mundo feito de deuses, heróis, guerras e forças da natureza! Este mundo surgia através das páginas escritas como sendo da vontade de um Criador que, ao seu sinal, fazia surgir a luz, as águas e todos os elementos e que dispunha de um povo que vivia uma saga por um deserto, com alimento que caia do céu, ou de mar que se dividia em dois, para que toda uma nação fugisse de seus opressores.

As imagens que surgiam desta leitura eram épicas, poderosas com interferências do Poder Divino.

E desde bem pequena, muito antes de saber ler, aprendi a ouvir.

Alfabetizada, os mundos então lidos e conhecidos através dos olhos de minha mãe, ganham então a possibilidade de ser lidos por mim. Ganharam outros tons, outras tintas, muitas sensações.

O encanto das palavras assim fixadas, dispostas uma a uma oferecem tantas formas de pensar e interpretar a vida que nos cerca! Alargam o “mundo de dentro” nos fazendo romper fronteiras, tempos e espaços. O tempo da vida e as palavras que as nomeiam dão formas ao sentido, ao vivido e pensado. Nominar é, em última instância, “trazer à existência”. É com as palavras que expressamos ideias, sentimentos, projetos, sonhos, expectativas, reflexões, tecemos críticas e construímos pontes entre o sensível e o visível. Tudo isso as tintas fazem por nós. De punho ou em um jato de tinta contam ânimos e prismas. Com elas construímos e partilhamos o saber e o conhecimento.

Construímos mundos!

E aí fico pensando que a leitura em voz alta consegue ir um pouco além da leitura feita em silêncio: ela movimenta outros sentidos para a sonoridade de palavras que dançam e se movimentam para compor sensações, ideias, desejos…

Sentidos se somam e a palavra pode conter além das sílabas notas. Notas sonoras de palavras que se alinham, para juntas formar um pensamento inteiro.

Uma beleza!

Se a escrita consegue construir tramas que se cruzam e entrecruzam por meio de relações entre si. A leitura em voz alta traz todos estes sons e movimentos, embala e orienta percursos. Ambas são formas de relações, e estas são antes de tudo, troca. Troca de experiências, de sentimentos, de vida!

Oferecem alegria da transcendência. Proporcionam a infinita possibilidade de expansão e alargamento do ser, em sua mais pura acepção.

Mas, toda essa maravilha pode ser limitada e representam dificuldade para aqueles que, infelizmente, não podem enxergar.

 

Farei isso com os novos, mas também voltarei atrás e começarei a ler os antigos.

A partir de agora, terei o prazer não apenas de escrever para todos vocês, mas também a alegria de fazer algo que sempre gostei: dar sonoridade às minhas palavras e inquietações.

Vejo que a leitura neste caso será inclusiva, mas também será hospitaleira. Será uma possibilidade a mais de interação e de dar às minhas tintas o tom! Sempre digo que a tinta não carrega o tom. Mas agora, sendo eu a lê-las compreenderão e sentirão os tons dessas tintas. Além do que, ler para alguém é ato de afeto, de cuidado, atenção e espero que sintam assim cobertos de atenção e respeito.

Conto com que gostem disso e divulguem principalmente àqueles que podem ser os maiores beneficiados: àqueles que têm algum tipo de restrição com a visão.

Ficarei muito feliz se me ajudarem nisso!

 

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Publicado originalmente no Blog Pensados a Tinta

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