Fibria tem lucro trimestral de R$ 19 milhões

Jornal GGN – A produtora de celulose Fibria apresentou um lucro líquido de R$ 19 milhões durante o primeiro trimestre, resultado 21,9% abaixo do contabilizado no mesmo período do ano passado. 

De acordo com dados divulgados pela companhia, o desempenho dos primeiros três meses de 2014 foi diretamente afetado pelo resgate total de bônus 2020, que totalizou R$ 303 milhões. Sem considerar o efeito de tal operação, o lucro líquido teria sido de R$ 219 milhões. 

A receita líquida registrada entre janeiro e março atingiu ficou em R$ 1,64 bilhão, crescimento de 13,3% na mesma base de comparação. O fluxo de caixa livre no trimestre foi de R$ 9 milhões, queda em comparação a R$ 746 milhões e R$ 167 milhões no quarto trimestre e no primeiro trimestre de 2013, respectivamente, devido principalmente à variação no capital de giro e à antecipação dos juros provisionados com o resgate do Bond 2020. 

Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado subiu 20% no período, para R$ 679 milhões, com margem de 41%. Em relação ao primeiro trimestre de 2013, houve um aumento de 20%, como resultado do maior preço líquido da celulose em reais (+13%), por sua vez explicado pela valorização do dólar médio frente ao real de 19%, parcialmente compensado pela queda do preço da celulose médio em dólar. 

O resultado financeiro foi negativo em R$ 170 milhões, contra um resultado negativo de R$ 599 milhões no quarto trimestre do ano passado. A variação é explicada principalmente pelo efeito positivo da variação cambial sobre a dívida (desvalorização de 3% do dólar de fechamento) e sobre as operações de hedge (principalmente swaps de dívida), compensado pelos efeitos financeiros e contábeis do resgate do bond 2020.

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Em relação ao primeiro trimestre do ano passado, a maior despesa teve origem no resgate do Bond 2020, parcialmente compensada pelo maior efeito positivo da variação cambial sobre a dívida e os derivativos. As despesas de juros foram 11% ante os primeiros três meses do ano passado, resultado das ações de gestão do endividamento que buscam redução de principal e do custo do endividamento.

No primeiro trimestre, a produção de celulose da Fibria atingiu 1,277 milhão de toneladas, alta de 1% na comparação anual, enquanto as vendas do produto nos três meses ficaram estáveis, em 1,188 milhão de toneladas. Segundo a companhia, a produção foi prejudicada por paradas programadas de fábricas para manutenção e pela quantidade menor de dias de produção. Com a estabilidade das vendas, os estoques ficam em 56 dias no trimestre. 

Para a corretora Concórdia, os resultados apresentados pela companhia podem ser considerados positivos. “Apesar de ser difícil mensurar até que ponto os fatores conjunturais de variação cambial e relativa escassez internacional de celulose – por conta de condições climáticas atípicas nos EUA – foram determinantes para a boa performance operacional, vemos alguns fatores e pontos que transparecem uma boa administração empresarial”. 

Entre os pontos listados pela corretora, estão a melhora da gestão do mix de vendas, mais focado na Ásia e, nas palavras da própria Fibria, a “resistência à tentação” de suprir maiores demandas externas em troca de manutenção de margens. “Também consideramos positivos tanto o programa de recompra de dívida para redução da alavancagem, quanto a consequente elevação de seu rating de risco internacional por parte de duas importantes agências mundiais”. 

Porém, a corretora aponta alguns pontos de dificuldade para a companhia. “Primeiramente, lembrando que a matriz energética também é uma fonte de receita, a venda do excedente de energia da companhia (comum às demais empresas do setor) está atrelada a contratos de prazos mais longos, impedindo que os elevados preços spot contribuam para melhores resultados. Fora isso, a Fibria foi beneficiada por um período bastante particular em que uma manutenção não prevista da demanda ocorreu em paralelo a atrasos de projetos greenfield de outras empresas do setor”. Também incitam cautela o aumento da compra de madeira de terceiros e os rumos que a paridade cambial podem tomar. “Acreditamos que a empresa apresenta qualidades, mas vemos dificuldades de vendas, principalmente quando novos projetos, vide unidade Maranhão da Suzano, apresentarem maior grau de maturação”.

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