Mulheres movimentam R$ 1,9 trilhão na economia brasileira

Imagem: Pixabay

Pesquisa mostra que público feminino é responsável por 41% do dinheiro que circula no país 

108 milhões de mulheres. Esse é o número do grande contingente feminino do país, responsável por movimentar R$ 1,9 trilhão por ano ou 41% de todo dinheiro que circulará pelas mãos dos brasileiros. Elas fazem parte do chamado Clube do Trilhão (que concentra mulheres, pessoas com mais de 50 anos e população negra), grupo identificado por meio da pesquisa “O varejo pelo olhar do consumidor”, realizada pela Instituto Locomotiva, e que foi assim chamado por conta da alta quantia em reais que movimentam no mercado.

Apesar das mudanças e adaptações necessárias ligadas aos hábitos de consumo do brasileiro nos últimos anos por conta das instabilidades do cenário econômico, a pesquisa, publicada em agosto último, mostra que as finanças voltam gradativamente ao equilíbrio, permitindo que as compras tornem a acontecer em um ritmo ascendente.

Mudanças nos hábitos de consumo

A pesquisa aponta outros dados importantes:

  • 70% dos pesquisados fazem suas compras em três ou mais canais de venda, incluindo supermercados, hipermercados, mercadinhos de bairro, comércio de rua, farmácias, entre outros que reúnem qualidade e facilidade de alinhamento com a rotina dos entrevistados.
  • Os consumidores continuam preocupados com o preço, mas já não aceitam produtos de baixa qualidade.
  • 81% dos entrevistados afirmam ter mais preocupação hoje com a qualidade dos produtos que adquirem do que antes.
  • Os compradores estão dispostos a experimentar marcas que não são líderes de mercado, descobrindo dessa forma novas e positivas possibilidades.

Representatividade como ponto central

O consumidor quer ser ouvido e também passa a prestar mais atenção em relação à representatividade.A pesquisa indicou que 83% dos consumidores querem ser mais ouvidos pelas empresas e gostariam de descobrir novos produtos que têm a ver com a sua personalidade.

Dois em cada três entrevistados preferem consumir de marcas e empresas com valores próximos aos seus. No entanto, quase 68 milhões de consumidores brasileiros não se identificam com nenhuma marca de empresas varejista.

Aliar qualidade, bom custo-benefício e representatividade é, certamente, um dos principais desafios do varejo brasileiro nos próximos anos. Sirlene Costa, CEO da Dassi Boutique, enxerga no desafio seu grande trunfo. Ao lado do marido e sócio Danilo Costa, a empresária piauiense fatura anualmente R$ 10 milhões com o e-commerce e as duas lojas físicas da sua marca, localizadas na capital paulista. A rede tem como foco oferecer qualidade e beleza a preços populares.

“Recebemos diariamente clientes de vários lugares da capital, que atravessam a cidade para comprar a preço mais baixo sem abrir mão da qualidade – o que ocorre também no e-commerce, com consumidoras de todo o território nacional. São mulheres de todas as idades, faixas etárias e situações econômicas. Para nós é indispensável que nossas clientes tenham uma experiência realmente especial desde o momento em que acessam nossa loja virtual ou entram em nossas lojas físicas, e temos o retorno diário das clientes contando como tudo isso é positivo na rotina delas”, relata Sirlene.

Abrir mais possibilidades de representatividade é também o foco das empreendedoras Luísa Morato, 24, e Juliana Zanin, 38, criadoras da Camys, marca de camisetas com peças que vão do tamanho PP ao Super GG2. Além de abraçar a diversidade de corpos e estilos, a empresa também se preocupa com toda a cadeia de produção.]

“A produção das peças da Camys leva em conta três frentes: fair trade, responsabilidade social e ambiental. Nossos fornecedores possuem matéria-prima com selos de sustentabilidade e a mão de obra é local e certificada. E, principalmente, nossa cadeia produtiva não recebe nem envia peças em sacos plásticos, as embalagens são 100% recicláveis e reutilizáveis, e a produção é 100% nacional.”, destaca Juliana, uma das criadoras da marca.

Esse novo olhar do mercado mostra que as marcas querem caminhar junto ao consumidor, que está mais exigente: 89% dos entrevistados afirmaram que têm mais consciência dos seus direitos como consumidores do que tinham no passado, e 77% afirmam exigir mais os seus direitos atualmente do que há 10 anos.

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