Um genocida FHCiano na presidência?

Desde que tomou posse, o novo governador do Rio de Janeiro protagonizou várias polêmicas. Wilson Witzel autorizou policiais a efetuar disparos mortais do alto dos quartéis, participou pessoalmente de caçadas humanas realizadas com helicópteros da PM, comemorou o assassinato a sangue frio de um pobre coitado na Ponte Rio Niterói. Agora ele pretende fechar Delegacias de Polícia e transferir para a Polícia Militar o poder dever de realizar Boletins de Ocorrência quando o crime tiver sido cometido por milicianos. Sob seu comando, a PM/RJ se tornou a corporação policial mais letal do Brasil.

Witzel tem uma predileção pelo uso da violência. Ao que parece ele acredita que o poder que ele exerce não encontra legitimação no voto popular e sim nos canos dos fuzis. O erro que ele está cometendo é evidente, provavelmente fruto de sua imensa ignorância. Afinal, como disse Hannah Arendt:

“O domínio pela pura violência advém de onde o poder está sendo perdido.” (Sobre a Violência, Hannah Arendt, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 71)

“Onde a violência não mais está escorada e restringida pelo poder, a tão conhecida inversão no cálculo dos meios e fins faz-se presente. Os meios, os meios da destruição, agora determinam o fim – com a consequência de que o fim será a destruição de todo poder.” (Sobre a Violência, Hannah Arendt, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 72)

“Para resumir: politicamente falando, é insuficiente dizer que poder e violência não são o mesmo. Poder e violência são opostos; onde um domina absolutamente, o outro está ausente. A violência aparece onde o poder está em risco, mas, deixada ao seu próprio curso, conduz à desaparição do poder.” (Sobre a Violência, Hannah Arendt, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 73)

Discordo de tudo o que Jair Bolsonaro. Mas hoje sou obrigado admitir que ele está certo ao atacar Wilson Witzel. O governador do Rio de Janeiro é um suicida. Mas o que ele está destruindo não é a própria vida e sim o próprio fundamento do poder que ele exerce. Isso além de demonstrar uma profunda incapacidade de compreender a distinção entre poder e violência.

“A violência pode destruir o poder; ela é absolutamente incapaz de criá-lo.” (Sobre a Violência, Hannah Arendt, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 74)

“…a própria estrutura de poder precede e supera todas as metas, de sorte que o poder, longe de ser o meio para um fim, é de fato a própria condição que capacita um grupo de pessoas a pensar e a agir em termos das categorias de meios e fins.” (Sobre a Violência, Hannah Arendt, editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2009, p. 69).

Ao se afastar de Wilson Witzel, o capitão motosserra cuidadosamente se distanciou da acusação de genocídio que será sacada dentro e fora do país contra o governador do Rio de Janeiro. Ao que parece, Jair Bolsonaro é um genocida metódico e cauteloso. Ele não quer ser impedido de colocar em prática a política de extermínio econômico dos brasileiros pobres (negros, imigrantes, nordestinos e índios incluídos) que recebeu o apoio das Forças Armadas.

Matar dezenas de milhares de cidadãos de inanição e/ou por falta de assistência médica e de medicamentos não faz barulho, nem rende as cenas grotescas protagonizadas pela PM/RJ que tem sido exibidas nos telejornais. A morte lenta e silenciosa não atrai a atenção da imprensa, pois ela prefere devorar e regurgitar os cadáveres que são feitos de maneira espetacular.

As vítimas de Wilson Witzel são filmadas sendo abatidas a tiros. As de Bolsonaro não serão vistas até que o problema da fome e da omissão presidencial assuma proporções gigantescas. Todavia, quando isso ocorrer o genocídio bolsonariano estará consumado.

Os procuradores e juízes brasileiros jamais cogitaram meter FHC numa jaula porque ele deixou milhares de nordestinos morrer de inanição. A perversidade do presidente cheio de merda (Tom McKay) não é menor ou menos eficiente do que a do ex-presidente tucano. Nesse sentido, a diferença entre ambos é apenas retórica. Wilson Witzel apenas atrapalha o exercício do poder ao identificá-lo com os espetáculos de carnificina policial.

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