Funcionários do BNDES refutam acusações de reportagem de revista

Jornal GGN – Em carta aberta aos funcionários do BNDES, Sergio Foldes e Otavio Lobão Vianna desmentem e rebatem as acusações de reportagem da Revista Época, intitulada “O caso JBS é escandaloso”. A matéria [aqui] aponta troca de mensagens pessoais entre os dois funcionários sobre a entrada de Maria Silvia Bastos Marques na chefia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social:

Carta aberta aos empregados do BNDES

Prezados(as) colegas,

Lamentamos profundamente que conversas informais e privadas nossas tenham sido usadas para atacar o BNDES, casa em que trabalhamos com muito orgulho há muitos anos (Sergio – 25 anos; Otavio – 14 anos). A reportagem da Revista Época devassa e tira de contexto conversas privadas de funcionários que obviamente se mostram preocupados com a instituição em que trabalham. Acreditamos que qualquer funcionário, de qualquer empresa, já tenha compartilhado momentos de preocupação e de visão crítica dos acontecimentos com amigos.

A matéria adota o expediente de usar conversas informais privadas para criar indevidamente uma atmosfera de suspeição sobre algumas operações do BNDES. Para tanto, assume a premissa de que as conversas refletem opinião de profissionais que participaram direta ou indiretamente, e por isso, “sabem do que estão falando”. No entanto, grande parte das discussões versa sobre operações em que não houve participação nem sequer indireta dos integrantes da conversa.

As opiniões privadas não representam de nenhuma forma um posicionamento técnico formal sobre as operações e certamente carecem de uma avaliação mais profunda. E, mesmo quando houve algum tipo de envolvimento profissional, trata-se de opiniões informais feitas a posteriori, a luz de informações que não estavam disponíveis inicialmente e não atribuem responsabilidade ou culpa aos funcionários do BNDES, como nós, vítimas das circunstâncias.

Quem nos conhece sabe que prezamos enormemente a honestidade intelectual e que temos um senso crítico rigoroso. Eventuais diferenças de ponto de vista em relação às operações e às suas premissas não são críticas em relação às pessoas nem denotam desconfiança de qualquer forma. Aos eventualmente atingidos involuntariamente pedimos desculpas redobradas, mas lembramos que foram fruto de um vazamento indevido de conversas privadas, publicadas fora de contexto.

De todo modo, os questionamentos internos e o debate de divergências técnicas são parte do processo que fazem do BNDES uma instituição de reconhecida excelência. As decisões colegiadas e o rigor técnico que caracterizam sua atuação se pautam na pluralidade de visões e na discussão franca. Na falta de elementos que mostrem a existência de ilegalidades nas operações do Banco, a matéria usa contra o BNDES algo que na verdade é um sinal de sua vitalidade.

Somos integralmente favoráveis à transparência preconizada pelos editores da revista Época, mas entendemos que o BNDES seguiu a lei ao opor sigilo inicial ao TCU. A incerteza jurídica no país é tamanha que seguir a lei pode ser visto como atitude criminosa e subverter a lei com práticas juridicamente questionáveis ser visto como algo louvável. Passar a limpo o país é muito importante, mas não a qualquer preço, pois os fins não justificam os meios. Ambientes em que pré-julgamentos sejam disseminados como verdadeiros são propícios a muitas injustiças, e é nesse contexto de ataques e críticas injustas ao Banco que as conversas se deram.

Finalmente, erros da narrativa ficcional do repórter serão devidamente apontados à Época e temos certeza que tudo será esclarecido.

Cordialmente,

Sergio Foldes e Otavio Lobão Vianna

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