Em coberturas exaustivas de temas complexos, a parte mais reveladora não está nos fatos ostensivos, mas no que se esconde por trás dos efeitos manada: as jogadas de lobby, os balões de ensaio, a engenharia da cooptação.
A imprensa brasileira carrega um vício estrutural — um subdesenvolvimento editorial — que se manifesta na facilidade com que adere a consensos artificiais. Surge um fato de impacto. Quem publica primeiro vira o boi guia. A manada segue. Poucos jornalistas se dispõem ao risco do contraponto: errar acompanhado é sempre mais confortável do que acertar sozinho.
Esse ambiente é terreno fértil para um fenômeno mais grave: a naturalização do lobby midiático. Antes restrito a grandes grupos corporativos, ele hoje se espalha por portais, colunas e blogs “independentes”, que operam como extensões informais de disputas econômicas e jurídicas.
Com isso em mente, fica mais fácil entender os movimentos recentes da mídia contra Alexandre de Moraes e, agora, contra o Banco Central. Mas com um fato novo na parada. Ao contrário dos tempos da Lava Jato, desta vez as tentativas de efeito-manada esbarraram em uma barreira de críticas pesadas, que Power Point nenhuma resolverá.
Dois grupos, um objetivo comum: paralisar as investigações
Há, essencialmente, dois blocos em ação, com estratégias distintas, mas interesses que se cruzam.
O primeiro grupo — segundo suspeitas, inspirado no banqueiro André Esteves (BTG) e ancorado editorialmente em O Globo —, trabalha para a desmoralização de ministros do STF — em especial Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — e, por extensão, da Diretoria de Fiscalização do Banco Central.
Não é casual. Foi dessa diretoria que saíram os elementos que permitiram à Polícia Federal a primeira ofensiva séria contra a máquina de lavagem de dinheiro da Faria Lima. O problema é sistêmico: não atinge apenas os investigados, mas um mercado inteiro sustentado por fundos com lastros frágeis. A meta é clara: derrotar, constranger e, se possível, empurrar para o impeachment.
O roteiro é conhecido. Primeiro, o escarcéu em torno de um fato antigo e público: os contratos do escritório da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Percebendo que havia ali uma questão ética, mas não um ilícito, veio a segunda etapa: a acusação de que Moraes teria ligado quatro vezes para Gabriel Galípolo para interceder em favor do Master — uma denúncia grave sustentada exclusivamente por seis fontes anônimas do mercado.
Um déjà-vu da Lava Jato, sem Moro e sem PowerPoint, mas com o mesmo desprezo pela prova. E, mostrando que os tempos são outros, com um recuo providencial da jornalista.
O segundo grupo é diretamente ligado ao Banco Master. Sua estratégia é defensiva, mas não menos agressiva: tentar deslegitimar a liquidação do banco.
A primeira tese é acusar o Banco Central de ter apressado a liquidação quando uma “solução de mercado” estaria próxima — invertendo completamente a lógica dos fatos. A tentativa frustrada de empurrar a carteira podre ao BRB implode essa narrativa.
A segunda linha de ataque é ainda mais ousada: tentar anular as denúncias criminais alegando ilegalidade na cooperação entre o Banco Central, o juiz federal e o Ministério Público Federal nas operações Carbono Zero e Colossus.
Essa tese apareceu em blogs alinhados ao lobby do Master, travestida de reportagem exclusiva, mas nada mais era do que a peça de defesa dos advogados do banco. A argumentação foi desmontada publicamente pelo procurador Vladimir Aras, um dos maiores especialistas do MPF no tema.
O teatro chega ao clímax
O jogo de cena entre os dois grupos atingiu o auge numa entrevista curiosa: Reinaldo Azevedo, que divide programa com o principal advogado de Daniel Vorcaro, entrevistando André Esteves.
Reinaldo garante ter perguntado “em on” se Esteves era responsável pelos ataques a Alexandre de Moraes. E — surpresa! — Esteves respondeu que não. Um furo jornalístico à altura das seis fontes anônimas que, segundo Malu Gaspar, ouviram ligações que ninguém gravou, viu ou provou. Ressalte-se, por justiça, que Reinaldo tem se comportado como um defensor do STF.
O pano de fundo
O que se tenta, de forma extemporânea, é reeditar o clima midiático da Lava Jato, em uma quadra histórica completamente distinta. Não há santos nessa história — nem mesmo ministros do STF, que parecem ainda não ter plena consciência de seu papel histórico como garantidores da democracia. Passado o vendaval, será inevitável discutir e consolidar um código de conduta mais rigoroso para o Supremo.
Mas o objetivo imediato é outro: criminalizar o STF e fragilizar o Banco Central para interromper o avanço das investigações sobre o crime organizado, tanto na Faria Lima quanto no Congresso.
O resto é barulho. E manada.
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Naldo
31 de dezembro de 2025 8:47 amA tal independência do bc só interessa quando é pra por dinheiro no bolso dos abutres….. quando é para limpará carniça, ou seja, os podres que cometem, essa tal independência é questionada…. interessante….
Padawan
31 de dezembro de 2025 12:46 pmNo X, antigo twitter, povo do MBL e espalha que Vorcaro é o Epstein versão nacional. São suspeitos sujos falando dos mal lavados e todos lavajatistas.
Nada melhor que Xandão para desatar o nó górdio.
Jotabankbrazil !!!
31 de dezembro de 2025 5:20 pmNassifão exato,o comando semore parte da mídia da elite Globo,fazem o estardalhaço sensacionalista manipulativo e contam com o outros veículos da midia mimada bilionária para BOMBAR no País,procurando CONVENCER a maioria ou todos os setores da sua verdade,quando surgir estes assuntos porcos.sera preciso CONVOCAR quem noticiou isto e quem autorizou para dar explicações,será preciso ter e cobrar RESPONSABOLIDADES JORNALISTICAS para o Brasil poder evoluir AFF,mas não foi isto q fizeram para defender banqueiro sujo ladrão bilionário mimado?Aff ,este comentário seria dado só bem mais à frente mas foi preciso adiantalo com certo prejuízo,no momento certo relembro ele pois OPORTUNIDADE NÃO FALTARÁ !!!
fabricio coyote
31 de dezembro de 2025 8:19 pmnessa entrevista de de kakay, “inoporruno”, ele diz que trabalha há 40 anos junto ao stf e que os escritórios de advocacia ligados a parentes de ministros são os mais agressivos. e o povo que se escalde no dia a dia de labuta. mas nós, trabalhadores e trabalhadoras, somos resilientes. Feliz Ano Novo, na acepção do colosso Rubem Fonseca.
fabricio coyote
31 de dezembro de 2025 8:22 pmnessa entrevista de kakay, “inoporruno”, ele diz que trabalha há 40 anos junto ao stf e que os escritórios de advocacia ligados a parentes de ministros são os mais agressivos. e o povo que se escalde no dia a dia de labuta. mas nós, trabalhadores e trabalhadoras, somos resilientes. Feliz Ano Novo, na acepção do colosso Rubem Fonseca.
JULIO CESAR DOS SANTOS
1 de janeiro de 2026 3:00 pmO problema de “fundos frágeis” apontados por Nassif como constantes no mercado financeiro é um pressuposto realista que talvez poucos se deem conta. Como economista que trabalha no mercado eu avalio essa colocação como fundamental. É algo que precisamos, sem dúvida, tratar.
Mas a tese de um mercado financeiro agindo deliberadamente através da mídia para descredibilizar Moraes me soa paranóica e sem fundamento.
Os indícios que isso esteja ocorrendo são, na verdade, mais frágeis do que os que a Malu Gaspar apontou ao “deixar subentendido” uma atuação corrupta de Alexandre de Moraes. Ela só trouxe fatos: (1) um contrato milionário que ninguém negou entre a mulher de Alexandre e o Banco Mastar; (2) ligações entre o Sr. Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo que efetivamente ocorreram. As suposições que ela levantou a partir disso foram sempre colocadas como suposições, não como fatos.
Já a tese de Luís Nassif, que geralmente é muito coerente e inovador em seu jornalismo investigativo (sobretudo o econômico), me parece muito mais frágil (sem provas) e extremamente agressiva com a jornalista, tentando descredibilizá-la e acusá-la de corrupção sem provas. Ela nos trouxe um contrato de Vivi de Moraes com o Banco Master. E você, Nassif? Cadê o contrato dela com o André Esteves, XP, BTG, BlackRock? Conversas entre os dois onde porventura ele pode ter mandado ela fazer tal publicação?