O populismo judicial de Mário Sérgio Conti

Desde os anos 90, com o fim da ditadura, criou-se no país uma visão primária e maniqueísta de direitos civis. Como há diferenças óbvias entre o excesso de direitos dos influentes e a falta de direitos dos despossuídos, ambos precisam ter o mesmo tratamento. Como é impossível, no quadro processual, e do próprio modelo jurídico das democracias de mercado, dar ao pobre o mesmo tratamento do rico, que sejam igualados na falta de direitos.     

Trata-se de um primarismo acachapante, uma ignorância ampla em relação a princípios básicos de direito. É  desconhecimento de conceitos que, desde o Iluminismo, passaram a diferenciar sociedades civilizadas das comunidades bárbaras.

Lembro-me da comemoração dos 80 anos da Folha, no Teatro Folha do Shopping Higienópolis. Fiz parte de uma mesa com outros colunistas do jornal. Foi um festival de loas ao papel da imprensa.

Na mesa, uma colunista do senso comum comemorava o fato de que no dia anterior a Policia Federal algemou o senador Jader Barbalho para conduzi-lo em um avião. E tudo isso graças ao trabalho exemplar da mídia.

Falei depois dela, lamentando a celebração da barbárie, da Lei de Talião, e ponderando que, quando a imprensa endossa um ato desses contra um senador da República, na prática está avalizando o pau-de-arara em qualquer delegacia de periferia.

Na saída do teatro, cruzei com Otávio Frias Filho e o advogado Luiz Francisco Carvalho, criminalista. Ambos me cumprimentaram pela defesa de princípios fundamentais, por ter investido contra a onda punitiva. Ficou só no cumprimento. Na prática, a história da mídia de massa mostra que a maneira mais fácil de conseguir leitores (quantidade, não qualidade) são  os chamamentos ao fígado.

Não é por outro motivo que o maior massacre da história moderna do país, os 650 assassinatos de maio de 2006 pela Polícia Militar de São  Paulo, tenha sido varrido da história do estado.

Hoje, na Folha, o neo-colunista Mário Sergio Conti – intelectualmente melhor aparelhado que a ex-colunista – recorre a esse populismo judicial. Por quê os advogados que criticaram a Lava Jato não se posicionam contra a prisão preventiva de milhares de prisioneiros anônimos? Chama a carta de “hipocrisia seletiva dos homens de bens”.

Conti incorre em três pecados contra a originalidade.

O primeiro, de enveredar por esse populismo de araque, de pretender que a maneira de igualar ricos e pobres é na falta de direitos. É de uma pobreza intelectual que depõe contra o autor.

O segundo, recorrendo a um recurso primário de retórica, mais propício a comentários de trolls do que a jornalistas experientes. É é o sofisma das afirmações infinitas. Tipo “porque você escreveu isso e deixou de escrever aquilo?”. Ao que se sucede: ˆPorque você escreveu aquilo é deixou de escrever aquilo outro”, em uma progressão que tende ao infinito.

Segundo ele, a carta revela a “hipocrisia da defesa seletiva dos homens de bens”, porque se refere especificamente aos presos da Lava Jato. Ora, muitos daqueles advogados são defensores de direitos humanos e as próprias OABs têm movido campanhas contra os abusos contra a população carcerária. A carta fala só sobre os tais “homens de bens” da Lava Jato porque se refere à Lava Jato, ora.

Se falasse também da população carcerária brasileira, o brilhante Conti cobraria uma crítica a Guantánamo, ou às prisões de Cuba, ou à população carcerária dos Estados Unidos. E o Iraque? E o África? É o padrão Facebook na mídia.

O terceiro é a tal imagem dos “homens de bens”. O uso da ironia exige, ao menos, a companhia da originalidade.

Há uma crítica consistente a ser feita contra a infinidade dos recursos judiciais que impede a punição dos que podem recorrer aos grandes advogados. Daí a se pretender igualar a todos na exposição abusiva às prisões preventivas vai uma distância enorme, a mesma que separa a civilização da barbárie, ou a discussão séria dos vícios processuais brasileiros do uso primário do populismo judicial.

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53 comentários

  1. Muito bom Nassif. Assino

    Muito bom Nassif. Assino embaixo.

    Não vejo a hora dessa densa poeira amenizar seus efeitos, para poder ver onde está a cortina e abri-la, para deixar o sol entrar.

    Vade retro bárbaros neo modernos!!!

  2. é isso aí.
    liberdade e demais

    é isso aí.

    liberdade e demais direitos fundamentais são assuntos sérios demais para serem diminuídos por lugares comuns; unanimidades popularescas; ou “chamamentos ao fígado”.

  3. Exatamente. E, mais grave,

    Exatamente. E, mais grave, quantos advogados defensores dos direitos humanos foram e são achincalhados pela mídia como defensores de bandidos? Muitos deles ligados a partidos de esquerda, inclusive ao PT. E isso muito antes da Lava jato. Simplesmente quem controla os meios de produção e distribuição do discurso querem impor seu próprio discurso como a verdade. 

  4. Esse Conti quando entrevista

    Esse Conti quando entrevista no seu programa DIALOGOS faz do interrogatorio uma camara de tortura, grosseiro, sem nenhuma finesse, joga perguntas que ele julga “diretas” e com isso acha que seu programa tenebroso vira nobre.

    Antipático ao extremo, segue uma linha de muitos jornalistas, ser algoz do pecado, obviamente depende de quem seja o pecador. Sua defesa do fascismo judiciario-policial-mediatico é do mesmo naipe dos jornalistas que defendiam o Senador Joseph Mc Carthy e foram muotos naqueles anos negros, houve até que deu graças por Charles Chaplin ter que fugir dos EUA onde estava há quarenta anos, para não ser interrogado pela truculenta Comissão darling da midia.

    A Comissão Mc Carthy SÓ existiu pelo apoio da midia no mesmo arco de ondas mentais que a imprensa bem pensante de hoje

    aplica ao tribunal de Curitiba. As semelhanças entre essa Comissão e a Lava Jato são mais que impressionantes.

    • nota Ajufe

      Nota Pública da Associação dos Juízes Federais do Brasil sobre a Operação Lava Jato

      15/01/2016

       

      A

      Diante do manifesto de advogados da Operação Lava Jato com críticas à atuação do juiz Sérgio Moro, a Ajufe esclarece:

      A quebra de um paradigma vigente na sociedade nunca vem desacompanhada de manifestações de resistência. Gritam e esperneiam alguns operadores desse frágil sistema que se sentem desconfortáveis com a nova realidade nascente.

      Há décadas, a imprensa brasileira veicula notícias referentes a desvios de bens e recursos públicos, cujos responsáveis – políticos, empresários, pessoas poderosas – raramente pagavam pelo crime cometido. O poder financeiro lhes possibilitava contratar renomadas bancas de advogados para ingressar com infindáveis recursos protelatórios nos tribunais – manobras que, em geral, levavam à prescrição da pena e à impunidade do infrator.

      Tal quadro começou a se alterar nos últimos anos, fruto da redemocratização do país e da Constituição Federal de 1988. O Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal vêm adquirindo cada vez mais autonomia, tanto do ponto de vista orçamentário como operacional. É aí que surge um novo capítulo na história do Brasil.

      A Operação Lava Jato coroa um lento e gradual processo de amadurecimento das instituições republicanas brasileiras, que não se colocam em posição subalterna em relação aos interesses econômicos. A Justiça Federal realiza um trabalho imparcial e exemplar, sem dar tratamento privilegiado a réus que dispõem dos recursos necessários para contratar os advogados mais renomados do país. Essa ausência de benesses resulta em um cenário incomum: empreiteiros, políticos e dirigentes partidários sendo presos.

      Aqueles que não podem comprovar seu ponto de vista pela via do Direito só têm uma opção: atirar ilações contra a lisura do processo. Fazem isso em uma tentativa vã de forjar na opinião pública a impressão de que a prisão é pena excessiva para quem desviou mais de R$ 2 bilhões, montante já recuperado pela Operação Lava Jato.

      A Lava Jato não corre frouxa, isolada, inalcançável pelos mecanismos de controle do Poder Judiciário. Além de respaldada pelo juízo federal de 1º grau, a operação tem tido a grande maioria de seus procedimentos mantidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

      Aludir genericamente a violações de regras do “justo processo” sem a correspondente ação judicial reparatória é mero falatório, fumaça, que não gera benefício nem para o cliente pretensamente protegido.

      O desrespeito aos direitos dos réus, por quem quer que seja, é uma conduta passível de questionamento. Nada impede que um advogado, se estiver certo da violação, postule a devida correção no âmbito da Justiça.

      Quando há provas de um vício ou equívoco processual, o natural é apresentá-las ao Tribunal, para que se mude o curso do caso. Quando elas não existem, uma carta nos jornais parece um meio de dar satisfação aos próprios contratantes. Os advogados não podem tirá-los da cadeia – as condenações estão sendo corroboradas pelas instâncias superiores do Judiciário – então, a única solução encontrada é reclamar em alto e bom som.

      Interessante notar como as críticas de alguns poucos advogados revelam o desajeito deles com este novo contexto. Tal se revela sobretudo na busca de neologismos marqueteiros. Chamar de neoinquisição o funcionamento das instituições republicanas é um desrespeito com as verdadeiras vítimas históricas da inquisição, que – todos sabemos – perseguiu, torturou e assassinou por motivos religiosos. Na ausência do que dizer, atacam desmedidamente e revelam escasso conhecimento histórico.

      A impossibilidade de se ganhar a causa dentro do devido processo legal leva a todo tipo de afronta à decisão tomada em juízo. O manifesto desse pequeno grupo de advogados dá a entender a ideia absurda de que o Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal se uniram com o propósito de manejar a opinião pública para pressionar o próprio Judiciário. Não só a história não é factível, como parece o roteiro de uma ficcional teoria da conspiração.

      A posição institucional da OAB, que mantém uma postura de respeito às instituições, é louvável. A maioria dos advogados têm respaldado as investigações conduzidas. Sabemos que a iniciativa de ataque à Lava Jato é isolada e decorrente do desespero de quem se vê diante da perda iminente e definitiva da causa. Diversos advogados têm endossado as ações da Lava-Jato, em pronunciamentos públicos. As leviandades expressas na carta não encontram eco na advocacia brasileira.

      Sobre os supostos “vazamentos” de informações sigilosas, destaca-se que os processos judiciais, em regra, são públicos e qualquer pessoa pode ter acesso, inclusive às audiências, salvo nas hipóteses de segredo de justiça de acordo com as previsões legais dos artigos 5º, LX, e 93, IX da Constituição. A publicidade dos processos e das decisões judiciais visa exatamente a garantir o controle público sobre a atividade da Justiça.

      A magistratura federal brasileira está unida e reconhece a independência judicial como princípio máximo do Estado Democrático de Direito. Assim, reconhece também a relevância de todas as decisões de todos os magistrados que trabalharam nesses processos e, em especial, as tomadas pelo juiz federal Sérgio Moro, no 1º grau, pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, relator dos processos da Lava Jato no TRF4, e pelos desembargadores Victor Luiz dos Santos Laus e Leandro Paulsen, que também compõem a 4ª turma.

      No STJ, sabemos quão operosos são os ministros Felix Fischer, relator dos processos da Lava Jato, e Jorge Mussi, Gurgel de Faria, Reynaldo Soares e Ribeiro Dantas, que compõem a 5ª turma. Eles não se prestam à violação de direitos de qualquer réu.

      Da mesma forma, confiamos plenamente nos ministros Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, e Celso de Mello, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Dias Toffoli, que integram a 2ª turma, bem como nos demais ministros da Corte. Eles dão a garantia final de que os processos da Lava Jato correram conforme o devido processo legal.

      A magistratura brasileira avançou muito nos últimos anos, assim como a nossa sociedade democrática. Os magistrados não sucumbirão àqueles que usam o Direito e Justiça para perpetuar impunidades sob o manto do sagrado direito de defesa.

      Antônio César Bochenek
      Presidente da AJUFE

       

    • Sobre MSC

      O Mario Sergio Conti acho que, de uma certa forma, nunca superou a saida forçada da revista Veja, que à época estava no auge. Hoje ele até deve dar graças de ter saido de la justamente num momento em que a Veja ainda era levada a sério.

      Mario Segio é arrogante, simpatico até certo ponto, mas bastante arrogante, principalmente profissionalmente, pois se considera um dos melhores jornalistas brasileiros…

      Eu acho que o que ele vem fazendo, agora na Folha, é tentar se manter na “audiência” entre o que sobrou dos escombros do [bom] jornalismo.

    • ”’Antipático ao extremo”
      O

      ”’Antipático ao extremo”

      O que vc coloca como defeito, é a melhor qualidade dele.

      Entrevistador tem que ser antipático mesmo.

      Ou aquele simpático DAVILA é entrevistador que se preze ?

      Só se for pra namorar a ex presidente do S T F .

  5. Só faltou uma coisa : O

    Só faltou uma coisa : O artigo do MARIO que eu coloquei no Fora de Pauta.

    Leiam e formem opinião.

      Mas é muito difícil  contralia-lo não haver UMA carta pra 240 000 presos na mesma situação dos acusados da Lava Jato.

        Vão lá no Fora de Pauta e leiam.

       Aliás, diga-se de passagem, a analogia com Kafka é um primor.

  6. Os advogados envolvidos na 

    Os advogados envolvidos na  operação Lava Jato (sic).já coneçam a mostrar o contrário do que propalou o Conti

    Eles vão apontar fatos e fatos jrídicos

    O advogado de Marcelo Odebrecht, Nabor Bulhões, hoje na FSP, já está apontando manifesta-se de forma objetiva e incontestável:

    “Juiz Moro é parcial contra os acudados na Lava Jato’.

    Será que Dr. Mario Sergio Conti, comezal contumaz e íntimo do patro nato da grande imprensa, ainda vai aprender na própria

    carne as lições que o juiz e seus aceclas querem ensinar em Curiba?

  7. Comecei o dia bem… (II)

    Entrevista com o fundador da NETFLIX… em 20 anos a TV aberta não via mais existir…

     

    .O empresário Reed Hastings reinventou o negócio de distribuição de filmes, ao lançar, em 2007, um serviço pioneiro de aluguel pelainternet. Hoje, oito anos depois, a Netflix alcançou, segundo ele, mais de 70 milhões de assinantes em 190 países, entre eles o Brasil, onde está presente desde 2011. Neste início de ano, a empresa fez seu maior movimento de expansão, ao oferecer o serviço para mais 130 países e incluir conteúdo em árabe, coreano e chinês. Em 2015, as ações da empresa, cujo valor de mercado chega a US$ 50 bilhões, subiram 140%, uma das maiores valorizações das Bolsas nos Estados Unidos. Nesta entrevista a ÉPOCA, Hastings fala sobre o crescimento no Brasil, o lançamento da série brasileira 3%, previsto para este ano, e o futuro do cinema e da TV na era da internet. “Ainda vai levar uns 20 anos, mas o sistema de distribuição de programas de TV pela internet vai tomar o lugar dos outros – sinal aberto, cabo e satélite”, afirma.

     

    ÉPOCA – Recentemente, o senhor disse que o Brasil era como “um foguete” para a Netflix. Por quê? O desempenho da Netflix no Brasil o surpreendeu?

    Reed Hastings – Quando comparei o Brasil a um foguete, estava me referindo ao crescimento do número de assinantes da Netflix. Há quatro anos, lançamos a Netflix no Brasil. Foi o primeiro mercado que exploramos fora da América do Norte. Estávamos tão ansiosos em expandir a Netflix no Brasil que acabamos indo rápido demais. Não tínhamos o sistema de pagamento certo nem a dublagem certa. Muitas vezes, as legendas tinham erros de tradução. Levou de seis a nove meses para acertar isso. Hoje, o Brasil é um de nossos maiores mercados.

     

    >> Um guia fácil é rápido para garimpar os melhores filmes no Netflix

     

    ÉPOCA – Em 2015, segundo projeções do setor, o faturamento da Netflix no Brasil deverá chegar perto de R$ 1 bilhão (US$ 250 milhões), com quase 4 milhões de assinantes. Se fosse uma rede aberta de TV, a Netflix estaria em quarto lugar em receitas, à frente da Band e da Rede TV!. Como o senhor explica esse desempenho?

    Hastings – Esses números não são oficiais. Não abrimos nossos números de países específicos, apenas nos Estados Unidos. No mundo, temos mais de 70 milhões de assinantes. Acredito que crescemos rapidamente no Brasil porque a internet oferece vantagens. Você pode assistir no meio da noite, à tarde, quando quiser. Você pode assistir em qualquer tela: no celular, no notebook ou na TV. E nosso sistema tem a capacidade de conhecer seu gosto e fornecer boas recomendações. Ao lado da expansão da banda larga, são três grandes vantagens que explicam nosso crescimento no país.

     

    ÉPOCA – Há pouco tempo, a Netflix anunciou a produção da série3%, a primeira feita totalmente no Brasil. Quais são os planos da Netflix para o país?

    Hastings – A série 3%, que está em produção, ficará pronta neste ano. Parte da equipe que está trabalhando na série trabalhou em Cidade de Deus, como César Charlone, que foi o diretor de fotografia do filme e é o diretor da nova série. Pretendemos fazer mais no Brasil, mas não posso adiantar nada por enquanto.

     

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    ÉPOCA – Qual é a importância da produção local para o crescimento da Netflix no Brasil e em outros países?

    Hastings – Mais que produzir conteúdo local, o que importa é produzir conteúdo de boa qualidade. As pessoas querem grandes histórias. Se o filme é internacional e ruim ou brasileiro e ruim, não faz diferença. No Brasil, há grandes contadores de histórias. Estamos conhecendo alguns e estamos muito animados com isso.

     

    ÉPOCA – A Netflix está negociando com os reguladores brasileiros as regras para o vídeo por demanda. Como estão essas conversas?

    Hastings – É difícil falar sobre isso no momento. Eu escuto coisas boas, mas não conheço pontos específicos. Sei que tem sido uma conversa construtiva sobre o melhor sistema para os serviços de internet. O uso da internet tem crescido muito e ninguém quer que isso pare. 

     

    “Mais que produzir conteúdo local, o que importa é a produção de conteúdo de boa qualidade”

    ÉPOCA – Um dos pontos que preocupam os reguladores é garantir o pagamento de impostos pela Netflix e por outros serviços de internet, como o Google e o Facebook, no país. O que o senhor pensa sobre isso?

    Hastings – Nós já pagamos impostos no Brasil. Temos um escritório local há vários anos, para realizar ações de marketing e de relações públicas. Operamos como uma companhia brasileira, a partir de nosso escritório no Brasil, e não a partir dos Estados Unidos. Como nos estabelecemos como uma companhia local, a receita também é local. Pagamos os impostos de vendas, trabalhistas, muitos impostos, no Brasil. Nós concordamos que deve ser um mercado justo, em que todo mundo paga os mesmos tributos. Num sistema justo, oferecer um conteúdo de qualidade e conquistar a preferência do consumidor depende só de nós.

     

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    ÉPOCA – Muitas operadoras defendem que os grandes geradores de tráfego na internet, como a Netflix, que responde por 37% do total nos Estados Unidos, paguem seu quinhão. Qual sua posição em relação à neutralidade da internet?

    Hastings – Acreditamos firmemente na neutralidade da rede. A maior parte das pessoas concorda que a rede deve ser aberta, livre, para o consumidor poder escolher os serviços que ele quiser. Os 37% que você mencionou são pessoas que escolhem assistir à Netflix. Elas já estão pagando pelo acesso à rede e pela banda larga. No Brasil, estamos tentando disponibilizar os dados para provedores locais, de São Paulo e do Rio de Janeiro, para que não seja preciso acessá-los nos Estados Unidos. Tentamos fazer com que seja menos caro para todo mundo, com o conteúdo mais perto.

     

    ÉPOCA – O senhor diz que a Netflix continuará a investir em conteúdo próprio, em séries como Narcos, House of cards e outros. Já não há conteúdo suficiente para o consumidor?

    Hastings – Não, nem de longe. Nós queremos ter alguns dos melhores programas e filmes franceses, argentinos, brasileiros, japoneses. Queremos oferecer muito mais a nossos assinantes. À medida que a gente cresce internacionalmente, queremos que você possa assistir aos melhores conteúdos em qualquer lugar do mundo.

     

    ÉPOCA – No exterior, especula-se que a Netflix poderá produzir talk shows e conteúdo nas áreas de esportes e notícias. Como estão esses planos?

    Hastings – Não temos planos para atuar em esportes e notícias. Estamos fazendo uma série de documentários com a (apresentadora de TV e comediante) Chelsea Handler, que anunciamos mais ou menos um ano atrás. Ela realizou quatro documentários em 2015, e nós deveremos lançá-los neste mês. Estamos nos preparando também para lançar um talk show. Isso não significa que ofereceremos telejornais ao vivo nem eventos esportivos.

     

    “Temos de equilibrar o nosso medo de errar com a nossa ambição de mudar o mundo”

    ÉPOCA – Qual é o futuro do cinema? As pessoas vão continuar a ir aos cinemas para assistir a um filme?

    Hastings – Nós todos cozinhamos em casa. Mesmo assim, os restaurantes continuam a existir. As salas de cinema vão durar tanto quanto os restaurantes.

     

    ÉPOCA – Em relação à TV aberta, qual é seu diagnóstico?

    Hastings – Os programas de TV podem ser exibidos em rede aberta, por cabo ou satélite. Muitos passam nos três sistemas. Há também um quarto sistema, que é a distribuição pela internet. Como já disse, ele tem muitas vantagens. Então, acredito que vai tomar o lugar dos outros. Mas isso ainda vai levar uns 20 anos, mais ou menos o mesmo tempo que levou para o celular substituir o telefone fixo.

     

    ÉPOCA – Ao pensar na Netflix dentro de 20 ou 30 anos, o que o senhor imagina?

    Hastings – Espero que a gente esteja produzindo programas em todo o mundo, dos quais possamos nos orgulhar, e seja a primeira rede de TV global. O primeiro passo é oferecer o serviço no mundo inteiro. Depois, precisaremos atrair a audiência. Como ocorreu no Brasil, leva um tempo para as pessoas nos conhecerem. Agora, teremos de fazer isso em outros países.

     

    ÉPOCA – A China faz parte dos planos?

    Hastings – Esperamos oferecer um serviço na China também. Para a China, você precisa de permissões especiais. Estamos trabalhando nisso e não dá para saber quando elas vão sair (mesmo após a expansão anunciada na semana passada, não há Netflix na China, na Síria e na Coreia do Norte).

     

    ÉPOCA – Em 2015, as ações da Netflix subiram 140% em dólar, uma das maiores altas do ano nos Estados Unidos. O sucesso da Netflix o preocupa? Como mantê-la mobilizada para o próximo passo?

    Hastings – Temos de equilibrar nosso medo de errar com nossa ambição de mudar o mundo. Para ter um grande impacto, queremos que as pessoas estejam mobilizadas e a Netflix cresça. Mas, por termos alcançado tanto sucesso, às vezes podemos ficar com receio das mudanças. Esse é o grande risco

      • Eu estou comemorando a

        Eu estou comemorando a realidade, num futuro próximo, o jornalismo e empresas de entretenimento brasileiras serem obrigadas a melhorar a qualidade dos serviços que prestam a nós, o público.

  8. Jornalismo e Cultura

    Os argumentos que encontramos na Internet são os mais variados. Acho que não podemos controlá-los ou estabelecer uma regra, afinal as vezes as pessoas apenas falam, sem muita reflexão. Isto não é uma crítica, pois caso contrário a nossa velha conversa de bar ia ficar muito chata. Hoje a Internet parece ser um pouco o nosso bar.  

    Mas quando falamos da imprensa, em particular de um colunista  famoso que tem um espaço privilegiado,  eu não posso aceitar.  Os escritores de internet como eu deveriam ir aprendendo com o jornalismo a, como aprofundar e como argumentar. Isto é,  jornalismo também é cultura. Porém Conti como vários de seus colegas estão invertendo  tudo, pois  eles estão se baseando em nós , meros escritores de internet. É necessário avisá-los que nós muitas vezes falamos apenas o que achamos sem muita responsabilidade, afinal, não somos pagos para isso. Na verdade queremos apenas conversar. Trocar ideias. Jogar conversa fora.  

    Porém , refletindo um pouco mais,  a  colocação  acima  pode ter duas explicações : a primeira, por incompetência ou preguiça o jornalista nos copia, e  a segunda pode ser pior: visando apenas nos manipular o jornalista hipotetiza que todos somos idiotas e que então ele vai dizer o que ele acha que nós vamos gostar. 

    A segunda vertente é a pior de todas pois foi pensando deste jeito que  por exemplo as gravadoras só divulgam certos tipos de musica, que o cinema só divulga certo tipo de filme, editoras só imprimem livros de auto ajuda  e assim por diante. Perdoem eu não estou criticando quem gosta deste tipo de música deste tipo de filme ou deste tipo de literatura,  eu  apenas sei que existe conversa de bar e outras conversas . E cá para nós ,não pretendo me tornar alcoólatra !!!

    • É o progresso

      Está perfeito.

      O Facebook tornou-se uma conversa entre amigos, outros nem tanto, como se estivessemos num bar.

      É o progresso.

      Só que já existem algumas recomendações no proprio Facebook alertando para informações, notícias falsas e para nós não entrarmos nessa onda.

      Vejam que nada difere dos boatos nas conversas de bar.

      Como bem disse Frederico, não somos pagos para jogar conversa fora, ao contrario dos jornalistas, cuja missão deve ser informar corretamente.

      Cito um exemplo recente em que critiquei Mark Zuckerberg, acerca de uma nota que vi no Facebook do suposto site G1, mas que na verdade não era, esse site era o G17, que só propaga notícias falsas.

      Fui alertado por um colega do Face e só depois fui conferir que tinha entrado de gaiato.

      É ou não é uma conversa de boteco?

      Só que para se chegar a este nível, já deveriamos ter tomados vários copos de cerveja.

  9. Como já tive a oportunidade

    Como já tive a oportunidade de comentar em outra ocasião, esse é o famoso “jornalismo do conti do vigário”.

    Já se torna enfadonho tal comportamento da imprensa brasileira, o de falsamente combater a corrupção e sutilmente defender o autorismo e a arbitrariedade travestidos de “justiça”. Como dizia meu velho e saudoso pai, mineiro da zona da mata:”É porco fando do toucinho”.

  10. Mário Sérgio Conti

    Os advogados envolvidos na  operação Lava Jato (sic).já coneçam a mostrar o contrário do que propalou o Conti

    Eles vão apontar fatos e fatos  jurídicos

    O advogado de Marcelo Odebrecht, Nabor Bulhões, hoje na FSP, já está apontando manifesta-se de forma objetiva e incontestável:

    “Juiz Moro é parcial contra os acusados na Lava Jato’.

    Será que Dr. Mario Sergio Conti, comenzal contumaz e íntimo do patro nato da grande imprensa, ainda vai aprender na própria

    carne as lições que o juiz e seus asseclas querem ensinar em Curitiba?

  11. É um pensamento extremamente

    É um pensamento extremamente simplista mesmo. Dividir em dois lados, os pobres e os ricos. Pois há “ricos” e “ricos”. Podemos dividir o cidadão que vai encarar dona justiça agora em três tipos. O pobre, sempre em desvanategem, o rico do tipo impune, e o rico “bode expiatório”.

    Este último apesar de rico, devido às circunstâncias políticas, poderá ser “rebaixado” a pobre. Se por acaso ele for uma peça importante a ser sacrificada pelo bem da campanha inquisidora da aliança midiática-judicial, que seja, melhor ainda. Uma jogada demagógica genial do Moro, para “provar” que agora com ele, “rico vai para cadeia”.

    Um belíssimo trunfo da campanha de criminalização da política a la “mãos limpas” que agrada em cheio ao senso comum da classe média. E se por conta da aliança com o pig, só um lado será perseguido, tudo bem, o importante é alcançar o “objetivo”.

    E de quebra, “quebra” as empresas nacionais de construção e infra-estrutura, o que agrada em cheio ao capital internacional. O rico que ousar se aliar a um projeto de desenvolvimento nacional estará abdicando de suas prerrogativas de rico. Essa é a mensagem.

  12. o argumento do conti acaba

    o argumento do conti acaba admitindo, no limite, 

    o macartismo que impregna, que é

    inerente à  operação lava-jato….

    quando menos espérar, chega a ele esse macartismo….

    o que vai dizer então?

    o que diremos a nós mesmo se admitirmos isso?

    esse populismo é burro.

    primeiro,  porque, em sã consciencia, ninguém acredita que a

    lava-jato vá    inflienciar positivamente na mudança da

    relação da casa grande e senzala, que é histórica no judiciário.

    segundo, que conti não está   minimamente preocupado com isso,

    muito menos a fsp….

    muito menos a elite escravocrata brasileira, nem o judiciariio,

    retrógrado como sempre….

     

     

  13. Esse tipo de jornalista

    Esse tipo de jornalista defende sua militância política atrás de conceitos tendenciosos e salamaleques. Se tivesse alguém do Psdb preso se juntariam aos advogados.

    Cansei desses jornalistas pretensos intelectuais tipo Élio Gaspari, Gilberto Dimenstein e outros. Mesmo porque me enganaram durante longos anos com sua “imparcialidade”.

    E viva Fernando Brito, Paulo Nogueira, Nassif, Azenha e outros que, com menos pretensão e intelectualismo,  fazem um jornalismo relevante, com poucos recursos e de primeira.

  14. Nassif, hoje vc se superou: mil vezes PARABÉNS

    Nao sou de te elogiar sempre, vc sabe disso, já discordei muito de certas posiçoes que às vezes vc defende. Mas hoje foi perfeito.

  15. Faltou na Nota Pública da

    Faltou na Nota Pública da AJUFE menção ao prêmio recebido por um dos seus membros, Dr. Moro, Juiz à frente do processo gerado pela Lava a Jato. 

    Por “coincidência” a concedente foram as Organizações Globo,  uma das mais ferrenha adversárias do sistema de Poder que governa o país e sabidamente parte interessada nos desdobramentos das decisões do magistrado e que não por coincidência responde a processo por sonegação de impostos. 

    E aí? Desde quando é eticamente aceitável um Juiz responsável por um feito receber “mimos”, mesmo que impalpável,  da parte interessada? 

    Sei: trata-se, ou tratou-se, de mais um “quebra de paradigma”.

     

  16. É escusável, porque ele

    É escusável, porque ele entende mesmo é de futebol.

     

     

    Colunista da Folha confunde sósia com Felipão

    PATRÍCIA CAMPOS MELLO
    DE SÃO PAULO

    19/06/2014  18p0Compartilhar10 Mais opçõesPUBLICIDADE 

    O colunista da Folha Mário Sergio Conti confundiu Wladimir de Castro Palomo, sósia do técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, com o próprio Felipão. Em voo do Rio de Janeiro para São Paulo, na quarta (18), Conti conversou com Palomo sobre futebol e publicou reportagem no site da Folha como se tivesse entrevistado o técnico.

    “Não houve maldade, em nenhum momento eu disse que era o Felipão ou que estava dando entrevista”, justificou Palomo para aFolha. “Eu achei que ele tinha entendido que eu era o sósia do técnico quando dei meu cartão, em que está escrito sósia”. (leia abaixo)

    “Eu adoraria ser o sósia e homônimo do Mario Sergio Conti dando essa entrevista para você agora”, afirmou Mario Sérgio. Muita gente havia pensado que o colunista estava fazendo piada em seu texto, que foi publicado também no site do jornal “O Globo”, já que ele escreveu no final que o suposto Felipão havia dado o cartão de sósia. Mas não era. Conti achou que era uma brincadeira do próprio Felipão.

    “Foi um erro, eu achei que era o Felipão; mas não houve má-fé e pelo menos esse erro não prejudicou ninguém, nem influenciou a eleição ou derrubou a Bolsa”. Conti tampouco achou insólito Neymar e Felipão estarem em um avião de carreira, já que estavam de folga.

    Um dos trechos considerados implausíveis foi aquele em que o suposto Felipão critica a zaga da seleção, já que esse é considerado um dos pontos fortes do time brasileiro.

    Palomo participa do programa de humor “Zorra Total”, na TV Globo. “E eu sou bem mais baixo que o Felipão e não tenho sotaque gaúcho”, disse Palomo, que é aposentado, tem 54 anos e é corintiano. Ele estava no avião acompanhado pelo sósia de Neymar, que também havia participado do “Zorra Total”.

    “Fiquei batendo papo e dei as minhas opiniões; não fingi que era o Felipão, mas, afinal, todo brasileiro se acha técnico da seleção”, disse Palomo.

     Divulgação/Facebook/Chema Moya/Efe Wladimir de Castro Palomo (de boné), sósia do técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari

    *

    Leia abaixo a íntegra do texto publicado pela Folha nesta quarta-feira (18) e o Erramos

    “O problema do Brasil é a zaga”, diz Felipão

    Neymar e Luiz Felipe Scolari foram os últimos passageiros a embarcar no avião, às 17p0 de ontem. Como voo da ponte-aérea, do Rio para São Paulo, estava lotado, ambos se espremeram em poltronas entre passageiros, Felipão na 25E e Neymar na fileira da frente.

    “Vê se dorme, moleque”, disse o técnico ao jogador. Neymar desligou o celular, mas não dormiu, apesar de apenas um passageiro ter-lhe pedido um selfie durante o voo. Tampouco Felipão pregou o olho. Um tanto apreensivo com o céu carregado, ele respondeu de bom grado tudo que lhe foi perguntado.

    “Acho que, até agora, os melhores times foram a Holanda e a Alemanha”, disse. “Eles vão dar trabalho. A Itália também. Ela sempre chega às semifinais. É como o Brasil: tem tradição, empenho, torcida”.

    O zero a zero com o México não o abalou: “Pode ter sido até positivo, na medida em que jogou um pouco de água fria no oba-oba, na ideia de que é fácil ganhar uma Copa”. Num campeonato de nível tão alto, ele acha imprevisível fazer prognósticos. “Quem diria que a Espanha sairia da Copa logo de cara?”, indagou.

    O mesmo raciocínio ele aplica à seleção sob a sua responsabilidade. “O Oscar fez uma excelente partida na estreia, mas não foi bem no segundo jogo”, disse, mastigando um salgado de gosto insosso. “O Neymar foi bem, mas não teve a genialidade da partida anterior. São coisas que acontecem. E quem esperaria que o goleiro mexicano defendesse todas?”

    “Felipão concordou com o raciocínio que Neymar parece mais centrado agora do que antes, não se joga tanto no chão nem faz demasiado teatro:”

    “É verdade, ele está mais objetivo. Mas pode melhorar ainda mais. Não dá para apressar muito esse processo: ele é muito moço, tem que aprender as coisas na prática”. Mas não tem dúvidas: “se tivéssemos três como ele, ao Copa seria uma tranquilidade”.

    O avião deu solavancos e o técnico comentou: “isso sim é que é um especialista, repare como o piloto conduz o avião com mão firme, fazendo mil coisas ao mesmo tempo”. O que seria mais difícil: pilotar um avião ou a seleção nacional? “Não tem comparação, avião é muito mais difícil. O piloto lida com vidas humanas, é responsável por elas. Se a seleção perder, será muito triste para o Brasil, para os jogadores, a minha família e eu. Mas ninguém corre risco de morte”.

    Felipão se disse satisfeito com o ambiente geral da Copa. Não esperava que tantos mexicanos e chilenos viessem, nem que as torcidas se confraternizassem. “Até os argentinos estão se dando bem com os brasileiros. Pelo menos até agora”. Disse que os estádios são bons e a organização dos jogos funciona. “E te digo: tive dúvidas, mas os aeroportos onde estive até agora estão uma maravilha”.

    Contou que ninguém do governo o procurou, em momento algum. E ouviu com agrado o relato de meu encontro recente com um ministro, seu fã atilado. “Pelo que ouço dizer, o governo está torcendo pela seleção, e a oposição nem tanto”, disse. “Acho uma bobagem misturar futebol e política. Eu mantenho essa separação custe o que custar, não dou uma palavra sobre política”. Os xingamentos A Dilma no jogo de abertura, portanto, não lhe dizem respeito.

    Perguntado se lia comentários de especialistas nos jornais, ou ouvia o que diziam na televisão, Scolari sorriu: “Até papagaio fala”. Ao ouvir os nomes de alguns, ex-jogadores e ex-técnicos, repetiu, divertido: “Papagaio fala!”.

    Felipão terminou de tomar a caixinha de suco de laranja e se se explicou melhor: “os comentários são necessariamente frios, distantes. A experiência de jogar no Maracanã lotado, de cobrar um pênalti, de ouvir vaias, são coisas que mexem com o jogador, com o indivíduo. Não é questão de aplicar uma receita”. Para ele, as variáveis envolvidas numa partida são inúmeras, não é possível reduzi-las ou quantifica-las.

    Deu como exemplo a seleção da Alemanha: “Ela está na Bahia, no sol, entre mulatas lindas. Claro que isso os influencia”. Felipão riu7 de novo: “Desconfio que alguns deles nem voltarão para a Alemanha”.

    Se não acompanha os comentaristas da imprensa, ele está ciente de dificuldades táticas e de entrosamento na seleção. “O principal problema é a zaga”, disse. “Ela cai para o lado, quando deveria ir em frente, buscar o jogo lá na frente”.

    O que mais o irritou até agora foram os boatos, divulgados pela imprensa europeia, que o Brasil já ganhou a Copa, já que a Fifa teria orientado juízes a facilitarem a vida da seleção. “Mais que um absurdo, é um desrespeito. Você imagina comprar a Itália, a Alemanha? Isso não existe”. O avião sobrevoava São Paulo, coberta por nuvens. “É como descer a serra de Santos com um nevoeiro fechado, sem enxergar nada”, disse. “Esse comandante sabe tudo”.

    Neymar e o técnico tinham participado da gravação do programa “Zorra Total”, no Projac, o estúdio da Globo em Jacarepaguá. “Não gosto de passar muito tempo longe de São Paulo: veja que cidade interessante”, apontou.

    Felipão estava curioso em saber como seu filho se saíra numa prova naquele dia. Ele estuda Economia nas Faculdades São Judas Tadeu, e pegara uma recuperação. “Mas o garoto vai bem, é estudioso”.

    Perguntei se toparia dar uma entrevista ao programa “Diálogos”, da GloboNews. “Claro, vamos lá. Só que ando meio ocupado…”, disse, rindo. Pegou sua carteira, tirou um cartão de visitas e me entregou, afirmando: “Mas isso pode te ajudar por enquanto”.

    O cartão de visitas dizia: “Wladimir Palomo – Sósia de Felipão – Eventos”. Depois das gargalhadas, apertou a mão e disse: “Deus te proteja”.

    *

    Erramos: Felipão não falou com colunista da Folha

    Diferentemente do que foi publicado no site da Folha, o técnico da seleção brasileira, Luiz Felipe Scolari, não falou com o colunista Mario Sergio Conti.

    Quem falou ao jornalista foi um sósia do treinador, Wladimir Palomo.

    Felipão não estava em um voo do Rio para São Paulo. Ele passou o dia em Fortaleza.

    O texto também foi publicado pelo site do jornal “O Globo”, do qual Conti é colunista.

    Mario Sergio Conti pede desculpas a Scolari, a Palomo e aos leitores pela confusão. 

     

    • Kkkkkkkkkkk, tá mais do q
      Kkkkkkkkkkk, tá mais do q explicado, o tal do jornalista é apenas um imbecil desfavorecido, como os que o seguem.

  17. Como diz a resposta da AJUFE

    Não haveria de ser sem resistência que se equipararia, mesmo que parcialmente,  a justiça que alcança as elites e a justiça que alcança o populacho.

    Nã vejo necessidade nenhuma da violência policial e judicial que aflige os desprovidos de riqueza e influência ser “avalizada” pela prisão de membros da elite, do topo da pirâmide social. 

    Não é disso que se trata.

    Simplesmente pessoas que detém poder e riqueza tamém que estar expostas a lei.

    Gente desse naipe é presa, e fica presa,  todos os dias por esse mundo afora. 

    A galera da FIFA está toda presa sem julgamento.

    O José Soares, PM de Portugal, está preso preventivamente a mais de um ano e já teve mais de dez HC negados pelo Supremo de Portugal.

    Algumas pessoas cometem crimes e tem que pagar por isso.

    Ces´t la vie.

  18. jornalistas do PIG sofrem de precisão mecânica…

    são como uma pedra redonda descendo uma ladeira

    freio nenhum, jornalismo nenhum, mas as piruetas, ahhhhh um verdadeiro espetáculo

  19. Porque ele é colunista da Folha se já tem um programa na TV ?

    Aliás programa muito bom, mas , parece que os emburrecedores da coletividade   reclamaram e pra compensar ele foi escrever na Folha.. 

    Seria cômico se não fosse trágico.

  20. Ainda que não seja seita,

    Ainda que não seja seita, transparece algo ORGANIZADO DE FORMA IDEOLÓGICA!

    A Alemanha NAZISTA tinha um discurso seguido que foi vendido com verdade – deu na morte de milhões de judeus.

    Parece com isso, não que vá gerar tantas mortes, mas É CLARO O SENTIMENTO DE IMPICHAR NO PT OS MALES DE NOSSA SOCIEDADE.

     

  21. Como posso confiar na visão

    Como posso confiar na visão de um jornalista que não enxerga que esses ricos só estão sendo presos porque podem incriminar um partido, que quando as investigações dão em cima do PSDB simplesmente “não vem ao caso”. Não é difícil imaginar que se nesses 12 anos no lugar do PT fosse o PSDB que estivesse governando, o Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró, Delcídio Amaral estariam ainda lá na Petrobras e a imprensa não apoiaria essas investigações e o Moro não receberia prêmio da Globo e seria conhecido apenas por seus pares. Conti outra. Parabéns Nassif por ser o excelente jornalista que é.

  22. Quem pensa o Brasil sempre

    Quem pensa o Brasil sempre sonhou em ver os mesmos direitos dos poderosos alcançando o mais humilde brasileiro, no mais afastado rincão.

    Estamos assistindo o inverso, sob aplausos de muitos. O triste é saber que uma pessoa como o Conti endossa essa loucura.

  23. A opinião do Conti atesta o

    A opinião do Conti atesta o império da boçalidade na mídia patronal pois recorre ao populismo mais rasteiro e sensacionalista, copiado de algum programa policial vespertino. Se rico na cadeia é novidade, então os donos de empreiteiras devem amargar o cárcere sem direito à choro. Até parece que o pessoal da globo se preocupa muito com pobre vítima do sistema carcerário e da violência policial.

    Sendo assim, os donos da rbs deveriam passar um longo período na mesma hospedagem ocupada pelos réus da lava jato. Bem, neste caso seria um ato arbitrário de algum juiz petista, recrutado pelo bolivarianismo e adepto da teoria do domínio do fato.

    O magistrado metido à justiceiro e a equipe de procuradores empenhados na “refundação da república”  assumem o controle do noticiário com vazamentos direcionados ao governo, mas o que bate na oposição, simplesmente, “não vem ao caso”.

  24. Ele defendeu quem ameaça o seu emprego.

    Apesar de ser “melhor aparelhado intelectualmente” que a maioria de seus colegas de profissão, o jornalista em questão é apenas um funcionário dos barões da imprensa nativa.

    Por algum motivo, muito provavelmente de natureza econômica, não chutou para a longe os panfletos travestidos de “jornais diários” ou “revistas semanais de informação” que deformam as mentes de certa camada média da população brasileira.

    Nem todos são como Mino Carta e Xico Sá.

    Ironicamente, ele defende a indefensável “Lava-Jato”, destruidora da infraestrutura do país e que ameaça empregos em todas as áreas da economia. Inclusive, no jornalismo.

     

  25. De pleno apoio ao Nassif,

    só gostaria de aproveitar a oportunidade para saber que fim teve a pergunta: algum preso sem condenação teve direito ao Indulto de Natal? Não seria da responsabilidade do ministro da justiça se preocupar com isto? 

  26. Ótimo texto, ainda que possa ter sido a pedido

     

    Luis Nassif,

    Excelente texto. Ainda mais quando eu levo em conta que você, jornalista, faz a crítica a um jornalista de fama, embora eu sempre fiz pouco caso do jornalismo praticado por Mário Sergio Conti que, semelhantemente ao de Elio Gaspari, desenvolve-se muito mediante histórias contadas a partir da veia criativa. São uma espécie de jornalistas do realismo fantástico que não deram certo, ao contrário de jornalistas como Mario Vargas Llosa e Gabriel Garcia Márquez que podem até não ter dado certo como jornalistas, mas foram, e ainda é, no caso de Mario Vargas Llosa, excelentes ficcionistas.

    Apesar de considera o seu texto como excelente eu faria alguns reparos. O primeiro seria um reparo a mim na própria qualificação de excelente que dei ao seu discurso uma vez que o seu discurso faz uma crítica que com certeza o Mário Sergio Conti considera válida. Pareceu-me que ele pediu que você fizesse essa crítica ao texto dele. Mario Sergio Conti escreveu um texto em que ele não acredita. Como todo jornalista que quer se manter como tal ele escreveu um texto que vende.

    Feito esse reparo em minha avaliação do seu post eu faço agora um reparo ao título deste seu post “O populismo judicial de Mário Sérgio Conti” de terça-feira, 19/01/2016 às 18:34, saído aqui no seu blog. Acho que o termo populismo deveria ser empregado em circunstâncias específicas. Eu o uso em relação ao discurso quando quero referir-me a fala de quem fala com convicção em uma linguagem de fácil aceitação ou assimilação pelo povo. Quando se trata de um discurso que é feito por quem não acredita no que diz e nem sempre consegue atingir a todas as camadas da população, eu me refiro a este discurso como demagógico.

    Ao chamar o artigo de Mário Sergio Conti de populismo judicial você dá a ele o beneplácito da convicção. É como se para você Mário Sergio Conti acreditasse no que ele disse. Não creio que esse seja o caso. Os textos de Mário Sergio Conti parecem com os discursos da turma do PSDB. Os políticos do PSDB nunca primaram pelo populismo porque um político do PSDB não acredita no que diz. O discurso do PSDB é um discurso demagógico.

    E o segundo reparo diz respeito ao trecho deste seu post que transcrevo a seguir:

    “. . . Na prática, a história da mídia de massa mostra que a maneira mais fácil de conseguir leitores (quantidade, não qualidade) são os chamamentos ao fígado.

    Não é por outro motivo que o maior massacre da história moderna do país, os 650 assassinatos de maio de 2006 pela Polícia Militar de São Paulo, tenha sido varrido da história do estado”.

    Creio que vocês jornalistas não são neófitos no assunto de comunicação com o leitor ou ouvinte, ou espectador. O massacre de membros do PCC ter passado batido na mídia talvez devesse ser tomado como mérito da mídia e não como falha. Faria pior a mídia se para satisfazer os receptores da notícia que ela transmite, ela demonstrasse como os bandidos foram mortos. O ser humano com o grau de generalidade que a expressão comporta ainda vive na barbárie. 

    Todos vocês sabem a lição que está apresentada no magnifico texto “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” de Rafael Araújo, professor da Escola de Sociologia e Política de São Paulo e da PUC-SP, e que foi transformado aqui no seu blog no post “A cegueira branca do Estado e o gigante iluminado” de quinta-feira, 20/06/2013 às 16:10, e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-cegueira-branca-do-estado-e-o-gigante-iluminado

    Lá em parte do artigo o professor Rafael Araújo diz o seguinte:

    “É verdade que as manifestações revelam um descontentamento da população e uma falência do sistema de representação política. Há uma crise de racionalidade pelo fato do Estado de direitos não ser capaz de cumprir com aquilo a que se propõe. Os articulistas têm repetido isso como um mantra, mas até que ponto trata-se de uma crise exclusivamente brasileira? Até que ponto podemos associar o descontentamento do povo ao descaso e à corrupção? Esse é o raciocínio de superfície que estrutura os meios de comunicação tradicionais e que está por toda parte: nas músicas, filmes e novelas, nos sermões e discursos políticos, nas conversas de bar e de família, nas fábricas e escritórios, nas ruas e praças. Se todo o público que consome notícia pensa dessa forma rasa, como esperar que a velha mídia se comporte de outra maneira? São empresas que precisam de anunciantes, dizem e escrevem o que o espectador quer ouvir e ler. O jogo é esse. As fontes de informação dizem aquilo que se quer ouvir, assim garantem a audiência. Afirmar isso tem um fundo de perigo, principalmente quando estamos em um período de desequilíbrio como agora, porque essa afirmação significa ampliar as responsabilidades também para os receptores”.

    A mídia empresarial tem o discurso que o receptor quer. O discurso de Mário Sergio Conti assume o conteúdo tal o que ele colocou na coluna que você comenta porque esse é o discurso pelo qual o receptor tem interesse, quer ouvir ou ler. E na sua crítica ao exemplificar com a pouca repercussão que a mídia deu a matança da polícia em 2006, você faz certa demagogia, pois você sabe que a população ficaria ainda mais satisfeita se soubesse que a matança não ocorreu naturalmente em enfrentamento comum entre bandidos e policiais.

    Aliás, há mais tempo, eu comentei em um post de Gunter Zibell em que ele fazia prognósticos estatísticos sobre o fracasso eleitoral do PT em São Paulo, que se anunciava para 2014, que talvez o PT não devesse ter interesse em ganhar a eleição estadual em São Paulo pela dificuldade inerente de um partido de esquerda, impregnado de políticas de direitos humanos, administrar a área de segurança em uma realidade como a de São Paulo. E dei como exemplo o caso do ônibus 157 em que 12 membros do PCC foram mortos em 05/03/2002. A Folha de São Paulo através do uol chegou a contar a notícia como a notícia de fato aconteceu como se pode inferir do trecho transcrito a seguir:

    “A polícia já sabia da tentativa de assalto e armou a emboscada. A PM soube da ação após uma escuta telefônica”.

    A matéria de autoria de Milena Buosi, publicada terça-feira, 05/03/2002 às 14p0, com o título “Ônibus usado por PCC tinha número 157, artigo de roubo”, pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u47131.shtml

    Há um documentário sobre esse evento que eu não assisti, mas, segundo me contaram, dá um tom mais realístico ao que aconteceu. Ainda que não como as mesmas palavras, reformulo a questão que lancei para Gunter Zibell, como um partido que se põe em defesa dos direitos humanos iria tratar uma situação como essa da emboscada? E a dificuldade era ainda maior porque a população iria ficar mais satisfeita ainda se ficasse sabendo exatamente o que aconteceu.

    De certo modo, o papel de catequese civilizatório que eu tenho apontado como sendo uma obrigação da esquerda e que visaria tirar a humanidade da barbárie é também função que caberia à mídia, mas que ela provavelmente não poderá cumprir quando atua no modelo empresarial. Talvez a internet possa permitir a existência de uma mídia pluralista, pulverizada e não empresarial que possa também assumir o encargo de expandir e espargir o conhecimento que se supõe seja a fonte da civilização.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 19/01/2016

  27. A OMISSÃO

    quanto aos desvalidos é da imprensa brasileira.

           Ainda bem que existem algumas págimas da internet, publicações de negros que estão sempre lembrando o “genocídio do povo preto”  (página do face).

           Realmente a Justiça Brasileira somente age com força e coragem contra os mais pobres, ou como agora quando há interesse ideológico, partidário e age com imenso desprezo pelo devido processo legal.

           Para condenar o Azeredo, aquele do Mensalão Mineiro Tucano, não foi preciso inventar “domínio dos fatos”, fundamentar com esse absurdo “não existem provas,mas foi condenar porque ….”, não foi precisso a TV GLOBO e grande imprensa agir de forma aviltante. Foi condenado há 20 anos de cadeia apenas com as provas dos autos e está livre, leve e solto (como dizem) e não vai ser preso.

  28. Essa caça as bruxas e

    Essa caça as bruxas e partidarização da nossa justiça só aconteceu com tanta força, porque a maioria esmagadora dos bons jornalistas   brasileiros embarcaram nessa fraude que foi a judicialização da nossa política. Só se deram conta da barca furada, quando ela já estava afundando.

    Parabéns Nassif! Sua coragem de nadar contra a corrente, ajudou muito leitores a ver o que se passava no Brasil.

    Infelizmente, Dilma continua na lua. Zé, eu duvido!

  29. Esses mesmo que hoje criticam

    Esses mesmo que hoje criticam os advogados que lançaram a carta, são os mesmos que falavam que o Brasil virou Estado Policial apenas porque investigava banqueiros que não interessavam ver condenados.

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