Sininho e 22 ativistas contra a Copa são condenados por “quadrilha”

 
Jornal GGN – Concluindo um capítulo de criminalização de movimentos sociais, os 23 jovens ativistas que participaram de protestos contra a realização da Copa do Mundo, entre 2013 e 2014, agora são sentenciados pelo juiz Flavio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça (TJ), a sete anos de prisão.
 
Entre eles, a militante Elisa Quadros Sanzi, de 32 anos, que ficou estampada pela imprensa e pelas capas de revistas durante as jornadas de junho de 2013 como Sininho, uma suposta violenta Black Block. Ela apareceu como a liderança dos “Exércitos do ódio” segundo a IstoÉ, “protetora de vândalos” ou “fada da baderna” para a Veja, e assim por diante.
 
Em entrevista para a monogragia “Oligopólio de imprensa, discurso e poder: a cobertura das ‘Jornadas de Junho’ – ‘Sininho’: uma personagem construída estrategicamente”, de Bruna Freire para a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Elisa narrou como foi a saga de ser perseguida pela Justiça e pelo noticiário à época, criando uma imagem da ativista não condizente com a realidade.
 
Com histórico na militância e em movimentos estudantis, Elisa Quadros disse que a sensibilizava “muito a questão dos moradores da favela e moradores de rua”, participando de todas as manifestações de 2013 contra a Copa, incluindo a que ficou conhecida como “Batalha da Alerj”, quando os ativistas ocuparam a sede da Assembleia do Rio. 
 
“Eu não sentia nem medo, nem dor, nem nada. Eu dei meu corpo, minha alma e tudo. Eu dei cada porozinho, cada pelinho do meu corpo eu dei pra aquilo ali”, contou. 
 
“Sininho”, como foi chamada, viveu todas as rotulações da imprensa, e contou como foi ser presa em julho de 2014 com os outros 22 ativistas, por suposta associação criminosa e levada a detenção de cinco dias em Bangu 8, passando por diversos tipos de violações de direitos humanos e cenários agonizantes da prisão.
 
“Pessoas que são torturadas todo o dia. A prisão é uma realidade paralela. Então quando eu cheguei em Bangu, e aquele portão fechou, essa é uma cena que não sai da minha cabeça, eu estava dormindo porque era de madrugada. Quando aquele muro se fechou, eu tive a noção de que a minha vida não me pertencia mais. Mas, ainda assim, você ainda não tem noção da realidade que é uma cadeia brasileira”, disse.
 
“Eu comecei a entender como aquilo é desumano, parece que você tá na Idade Média mesmo. A sua vida não te pertence, você pode ser assassinada lá dentro, você pode ser estuprada lá dentro, você pode ser torturada lá dentro. E é assim que o sistema penitenciário funciona. Quem manda lá dentro são as carcereiras, os diretores, a sua vida não te pertence, e você vai ser torturada lá dentro, não só fisicamente. A tortura se inicia desde quando você coloca o pé lá dentro”, continuou.
 
Ao ser questionada se valeu a pena ter participado ativamente das manifestações, após ter que passar por todas os tratos que viriam em seguida, Elisa respondeu que sim. “Se tivesse um novo 2013 agora eu iria pra rua de novo. Não faria nada diferente. É uma posição, um sentimento que eu respeito. Esse desejo de mudança. Se tivesse de novo, eu faria tudo igual. Tanto que tudo que a gente denunciou lá veio à tona, tudo, tudo. Os escândalos envolvendo Sérgio Cabral, a Odebrecht por conta das obras no Maracanã também. Tudo. Tudo”, encerrou.
 
A entrevista concedida por Elisa Quadros à monografia de Bruna Freire foi divulgada pela Ponte Jornalismo em janeiro deste ano, e pode ser lida, na íntegra, aqui.
 
Mas seis meses após a divulgação da matéria, Elisa e os outros 22 jovens foram condenados por “atos violentos” pelo juiz Flavio Itabaiana, a sete anos de prisão. Na setença, eles foram acusados de “formação de quadrilha ou bando” e “corrupção de menores” por simplesmente planejar e realizar os protestos contra os gastos da Copa do Mundo. As denúncias reivindicadas pelos ativistas foram posteriormente confirmadas pelas investigações da Lava Jato no Rio de Janeiro.
 
Apesar de serem condenados, os jovens poderão recorrer em liberdade a instâncias superiores. Além de Elisa, foram sentenciados Luiz Carlos Rendeiro Júnior, Gabriel da Silva Marinho, Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, Eloísa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Jourdan, Igor Pereira D´Icarahy, Drean Moraes de Moura Corrêa, Shirlene Feitoza da Fonseca, Leonardo Fortini Baroni Pereira, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes, Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, Felipe Frieb de Carvalho, Pedro Brandão Maia, Bruno de Souza Vieira Machado, Andre de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria Araújo de Freitas, Rebeca Martins de Souza, Fabio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza.
 
 

7 comentários

  1. Canalhas..

    .. acho que não há mais nada a falar, a não ser a conclusão de que “a tão sonhada multipolaridade infelizmente vai se consolidar em torno da capacidade bélica dos países, como latinos e africanos não tem exércitos de verdade, já viu onde vamos parar, né?”..

    .. canalhas, canalhas..

  2. Alguém me explica, por

    Alguém me explica, por gentileza, porque “Apesar de serem condenados, os jovens poderão recorrer em liberdade a instâncias superiores” e o Lula não pode?

  3. Finalmente perigosos

    Finalmente perigosos terroristas condenados!

    TODOS do MBL, com sua pungente, infectada, ofensiva, purucosa BURRICE continuam soltos…

  4. Impossível não comparar com o MBL… esse país acabou!!!

    Meios de comunicação corruptos e vultrapassados massacrando jovens de maneira baixa e cruel… 

    ME LEMBRO BEM DO R-E-T-A-R-D-A-D-O DO REINALDO AZEVEDO DEDICANDO LONGOS TEXTOS A MASSACRAR UMA MENINA DE FACULDADE INOFENSIVA… Sinceramente… ele merecia simplemente um belo murro no olho! Só… violência??? Sim… a boa e velha agressão física!

    Enquanto os dementes MBL tocaram fogo nesse país… financiados por dois chefes da máfia brasileira: Aécio e Cunha!

     

    Eu tenho vergonha desse país… sinceramente… que desgraça subdesenvolvida… que latrina… que xorume!!!

  5. A grande mídia…

    O pior crime é ter sido o agente causador de várias metástases na direita.

    Mesmo que involuntário. 

    A Rede Golpe empoderou o movimento e a direita tentou cooptar e se apropriar das suas pequenas e vagas motivações. Afinal, faltava pouco mais de um ano para as eleições.

    Quando o movimento foi desarticulado e sumiu, ficaram os grupelhos espúrios e oportunistas da direita saudosa e raivosa que hoje temos aí. 

    Aliás, sempre estiveram. Agora sabemos.

    Apenas saíram do armário. 

    Como o lixo que ficou depois da festa.

    Os índices de aprovação de Dilma despencaram e, claro, o de desaprovação saltaram.

    A direita aproveitou para colocar a culpa no governo (e não no Estado, como era o mote do protesto).

    E a desconstrução da imagem de Dilma e do PT iniciaram e nunca mais fomos [o Brasil] os mesmos.

     

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