Fernando Morais rasga ficha de filiação no PMDB

Jornal GGN – O jornalista Fernando Morais esteve presente no Grito pela Democracia no último sábado (21), na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Lá, o escritor rasgou em público a sua ficha de filiação ao PMDB. “As conquistas que vieram das ruas não poderão ser eliminadas por um bando de aproveitadores. O povo brasileiro mais uma vez repele a tentativa de supressão de seus direitos e de sua liberdade”, disse.

Da Rede Brasil Atual

Fernando Morais e Audálio Dantas deixam PMBD. ‘Acabou’

Por Vitor Nuzzi

São Paulo – “Acabou!”, exclamou o jornalista e escritor Fernando Morais, aos rasgar em público a sua ficha de filiação ao partido. Morais revelou que sua adesão foi abonada em 1974 pelo ex-deputado Aírton Soares. “Na ditadura, militávamos numa legenda democrática, generosa, que deu proteção a grupos políticos”, afirmou Morais, citando, entre outros, o MR-8 (“Era comunista.”) A manifestação aconteceu durante o chamado Grito pela Democracia, sábado (21), que lotou o auditório da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade, zona sul de São Paulo, em evento contra o governo interino e em defesa da democracia.

Ex-secretário e deputado estadual, Morais não foi o único. O também jornalista Audálio Dantas, presidente do sindicato e da federação nacional da categoria nos anos 1970 e ex-deputado federal, também anunciou sua desfiliação do partido, que segundo ele já foi “uma frente democrática e de luta”. “A nossa luta tem de ser a da unidade”, afirmou Audálio.

“As conquistas que vieram das ruas não poderão ser eliminadas por um bando de aproveitadores. O povo brasileiro mais uma vez repele a tentativa de supressão de seus direitos e de sia liberdade”, disse o veterano jornalista, de 87 anos. Entre 1964 e 1980, a ditadura impôs ao Brasil um regime de bipartidarismo. A Arena reunia os apoiadores do regime, e o MDB funcionava como uma frente, abrigando de conservadores liberais a militantes de partidos clandestinos, como PCB e PCdoB.

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Novas manifestações

O coordenador estadual da Central de Movimentos Populares (CMP), Raimundo Bonfim, um dos líderes da Frente Brasil Popular (FBP), informou que haverá um novo dia nacional de protestos e paralisações em 10 de junho, juntamente com a Frente Povo sem Medo. As duas frentes reúnem mais de 80 entidades da sociedade civil.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de reunião com a FBP na tarde de hoje. “Muitos acham que estamos desanimados. Estamos é muito animados para continuar”, disse Raimundo Bonfim. “Nós acreditamos que é possível reverter o golpe e resistir aos ataques desse governo golpista transitório.”

Também presente ao Grito pela Democracia, o poeta Sérgio Vaz, idealizador do Sarau da Cooperifa, na zona sul da capital, declamou um poema, pediu palmas para os estudantes da rede pública e encerrou sua fala dizendo que um país sem democracia é ilegal. “Quem dá alvará é o voto. Por isso, o Brasil hoje está na ilegalidade.”

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6 comentários

  1. Transição

    O PMDB realizou a transição do MDB para ARENA. Tornou-se de partido da oposição de fachada na Ditadura militar para ser o partido da situação na ditadura dos ladrões.

    • Parte significativa do antigo

      Parte significativa do antigo MDB era oposição de verdade e foi muito importante para a queda do regime militar. O Fernando Morais provavelmente pertencia a esse grupo. 

  2. PMDB

    Eh um gesto importante e o nosso caminho agora é o de lutar pela volta ao Estado de Direito. O PMDB é um partido que ha muito esta gragrenado pelo fisiologismo e não tem em seu horizonte nenhum compromisso com idelogia e nem verdadeiramente com seus eleitores (não é o unico no cenario brasileiro), e por isso ser tão dificil provocar uma consciência em seus deputados e senadores. Esses estão até o ultimo fio de cabelo da cabeça dentro do golpe, com exceção de Requião, ainda que o senador me pareça mais um agitador que um formulador de ideias e de ações.

  3. Os protestos deveriam conter

    Os protestos deveriam conter FORA PMDB e PSB, pois nas eleições suas propostas eram outras.

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