A soma que reforça a força: Fernandinho Melo, Luiz Bueno, Carlos Malta e Robertinho Silva lançam trabalho juntos

Os quatro músicos somaram suas capacidades e multiplicaram suas forças. Dai nasceu Duo + Dois (selo Sesc), disco que transcende qualquer gênero no qual se queira enquadrá-lo

Imagem de Fernando Melo e Luiz Bueno tocando Espelho das Águas.

Por Aquiles Rique Reis*

Fernandinho Melo e Luiz Bueno são o Duofel – identidade forjada na soma das quatro mãos. Força tecida em música dedilhada. Arranjos pujantes, viris mesmo. Pegada vigorosa. Tudo o que lhes sai das mãos é experimento sonoro. Energia!

Carlos Malta é craque em qualquer instrumento que necessite ser assoprado. A sua musicalidade vem da seiva advinda da brisa pura que aspira – tão livre, tão poética. O ar que vem de seus pulmões purifica a música que toca. Admirável!

Robertinho Silva é patrimônio musical brasileiro. Seus tambores proclamam a fortaleza de uma brasilidade que impõe respeito, dá orgulho e causa admiração. As batidas de suas percussões têm o sabor que emana da sabedoria que lhe permite saber com exatidão o que quer de seu ofício. Eterno!

Cada um dos quatro instrumentistas acima vive da força da arte que produz. A grandeza de Fernandinho, Luiz, Carlos e Robertinho reside na música que reluz em cada um. Arte que equivale ao somatório de seus dons. Maravilha!

Pois bem, esses quatro músicos somaram suas capacidades e multiplicaram suas forças. Dai nasceu Duo + Dois (selo Sesc), disco que transcende qualquer gênero no qual se queira enquadrá-lo. Onze faixas de música instrumental brasileira. Admiráveis!

Luiz toca violão de seis cordas. Fernandinho, violão de doze. Sua pegada, assim como a de Luiz, é irresistível. A potência que os dois despejam em seus instrumentos é fruto de um trabalho diuturno e artesanal. Extraordinário!

Carlos Malta é o bambambã dos sopros. Suas dinâmicas são de arrepiar. Os improvisos vêm da alma que “sopra” a música com respiração perfeita. Aprimorado!

Robertinho é o deus negro do ritmo. Do cajón vêm os graves, dos caxixis, os agudos, de um grande e solitário prato de bateria, os sons que variam de acordo com a baqueta que o músico estiver usando. Talento puro!

Aliás, o que são os arranjos?! Surpreendentes: os timbres são ajuntados de forma magistral; uníssonos, recursos usados com extrema sabedoria. Os solos podem ser longos ou curtos, assim como curtos ou longos são os improvisos que vêm com fartura.

Ouvir a soma do virtuosismo do Duo + Dois tira o espectador de sua zona de conforto. Deixa-o preso à profusão de surpresas criadas por violões, sopros e percussões.

O violão de doze se reveza com o violão de seis tanto nos solos e improvisos como nas harmonias. Malta improvisa em muitos compassos ou em apenas um… Pura magia. Mesmo não tendo um número muito grande de “coisas” a bater, a percussão é uma usina de sonoridades.

E o repertório? Ora, o repertório; ele parece feito por encomenda para os caras. São sucessos de Edu Lobo, passando por standards de Baden e Vinícius, Tom Jobim, Milton Nascimento, Dorival Caymmi e João Donato, interpretados para chacoalhar e trazer à tona a memória afetiva que dorme na cuca dos ouvintes.

Criar “bem-feitorias” e tocá-las em composições alheias – é assim que vibra um álbum que, somando quatro forças individuais, multiplica-as. Meu Deus…

*Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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