Se a noite não tem fundo O mar perde o valor Opaco é o fim do mundo Pra qualquer navegador Que perde o oriente E entra em espirais E topa pela frente Um contingente Que ele já deixou pra trás
Os soluços dobram tão iguais Seus rivais, seus irmãos Seu navio carregado de ideais Que foram escorrendo feito grãos As estrelas que não voltam nunca mais E um oceano pra lavar as mãos
Te perdoo Por fazeres mil perguntas Que em vidas que andam juntas Ninguém faz Te perdoo Por pedires perdão Por me amares demais
Te perdoo Te perdoo por ligares Pra todos os lugares De onde eu vim Te perdoo Por ergueres a mão Por bateres em mim
Te perdoo Quando anseio pelo instante de sair E rodar exuberante E me perder de ti Te perdoo Por quereres me ver Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdoo Por contares minhas horas Nas minhas demoras por aí Te perdoo Te perdoo porque choras Quando eu choro de rir Te perdoo Por te trair
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus
Vem, meu menino vadio Vem, sem mentir pra você Vem, mas vem sem fantasia Que da noite pro dia você não vai crescer
Vem, por favor não evites Meu amor, meus convites Minha dor, meus apelos Vou te envolver os cabelos Vem perder-te em meus braços Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco Vem que eu te quero tolo Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer Que o instante de te ver Custou tanto penar Não vou me arrepender Só vim te convencer Que eu vim pra não morrer De tanto te esperar
Eu quero te contar Das chuvas que apanhei Das noites que varei No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar As marcas que ganhei Nas lutas contra o rei Nas discussões com Deus
E agora que cheguei Eu quero a recompensa Eu quero a prenda imensa Dos carinhos teus…
De novo, sintonia. Temos nos acertado além das obviedades. Mas “Beatriz” é bem mais do que isso, pelo menos para mim. Sempre que você a trouxer, estará também me trazendo um mimo.
Que este Dia dos Pais transcorra suave e feliz junto aos teus.
“CONSERTANDO O MUNDO POR AÍ; FAZENDO CANTEIROS E RECICLANDO VIDAS”
“Nunca conheci ninguém tão carregado de amor por aquelas montanhas mineiras, por Tiradentes, personagem histórico, por Tiradentes cidade e por Barbacena.”
“Recordo-me de que, estudioso e sempre aprendiz das técnicas agrícolas (- aprendidas na famosíssima Escola Técnica Agrícola de Barbacena, nas décadas de vinte e trinta) saía pelas manhãs com martelo, prego, madeira, enxadinha e outros apetrechos para ‘consertar o mundo por aí’ e refazia canteirinhos pelas ruas da cidade, colocando suportes para erguer arbustos decaídos ou quase mortos e os regava também, pedindo água a comerciantes de ao redor.”
“Recordo-me do carinho com os netos todos, confeccionando carrinhos de carreteis e outras gracinhas de suas próprias habilidades que eram diferenciadas e muitíssimas. Brincava com eles e os fazia dormir em seu colo, quando difícil, entoando sua famosa cantilena. Nenhum resistia.”
“… ficar só ‘apreciando as crianças brincarem’ a demonstrarem o quão inteligentes eram, ‘puxou o avô, arrematava ele’.”
“Aquela vaidade por sua criticidade e transparência ácidas, aquela incontinência verbal e quase irrefutável de opiniões, aquela beligerância contra a rasteira que Collor dera em sua esperança, em sua crença em um país democrático e melhor desfaleciam agora e o deixavam daquele jeito assim de voz e letra trêmulas, caminhando para o fim, no dia dezessete de junho de noventa e três.”
“Se meu pai está onde está, sei que continua fazendo canteiros e reciclando as vidas.”
*
CRÉDITOS:
Retalhos do texto publicado, hoje, neste blog, pela crônista e poetisa mineira Odonir Oliveira.
Vc conseguiu matar um monte de coelhos (tadicos) c/uma cajadada só. Ouvi os autores cantando juntos e logo após o Milton. Então chegou um ventinho vindo lá das bandas de Barbacena e não é que era vc cantando. Inda agradou a nossa cumpanheira Anna tb. kkkkk
Essa música me enleva e eleva de tal maneira que chego a me imaginar no céu.
Junto à minha rua havia um bosque Que um muro alto proibia Lá todo balão caia, toda maçã nascia E o dono do bosque nem via Do lado de lá tanta aventura E eu a espreitar na noite escura A dedilhar essa modinha A felicidade morava tão vizinha Que, de tolo, até pensei que fosse minha Junto a mim morava a minha amada Com olhos claros como o dia Lá o meu olhar vivia De sonho e fantasia E a dona dos olhos nem via Do lado de lá tanta ventura E eu a esperar pela ternura Que a enganar nunca me vinha Eu andava pobre, tão pobre de carinho Que, de tolo, até pensei que fosses minha Toda a dor da vida me ensinou essa modinha
Essa é ótima tb, obrigada. Aliás quase tudo dele é ótimo.
Tb tenho um presente para vc, espero que nao conheça, pois senao nao será presente… Vc já postou mil sonetos de Camoes, nao tem problemas com a língua num estado mais antigo. Entao vamos recuar um pouco mais. É um poema que adoro, do Cancioneiro de Rezende, cuja língua está num estágio mais antigo do que a de Camoes, mas nao tanto como a poesia trovadoresca.
O próprio título já é um poema: Cantiga Partindo-se. O poeta joga com a ambiguidade do significado do verbo partir (sair de onde se estar, ir embora X despedaçar) e da funçao do se (indeterminador do sujeito ou reflexivo que sofre a açao verbal); mas na verdade nao há ambiguidade aí, e sim o que Freud chama de cumulaçao: os 2 sentidos estao simultaneamente presentes, pois se um cantador parte para longe de sua amada ele se parte…
Eis o poema (atualizei um pouco a ortografia, no que nao interfere com a pronúncia das palavras):
Cantiga Partindo-se
Senhora
Partem tam tristes meus olhos per vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns, por ninguém.
Tam tristes
Tam saudosos,
Tam doentes da partida,
Tam can sa dos,
Tam chorosos,
Da morte mais desejosos
CEM MIL VEZES que da vida.
Partem tam tristes os tristes
Tam fora de esperar bem
Que NUUUNCA tam tristes vistes
Outros NENHUNS
Por NINGUÉM.
(Negritos, maiúsculas e espaçamento extra por minha conta, claro)
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 11:06 pm
É mesmo lindo
Quando estudei gramática histórica, analisamos também os fenômenos desse poema. Creio que o lia como “Cantiga minha Partindo-se”
E fico sensibilizada por você trazer, por outro post, esse brinde.
Obrigada mesmo, viu.
Anarquista Lúcida
10 de agosto de 2015 12:23 am
Eu o conheci através da Antologia Nacional
de Fausto Barreto e Carlos de Laet. Recomendada pelo meu professor Grande Sedutor, rs. Um livro escolar daqueles de antigamente, sem uma ilustraçao que fosse, mas com um conteúdo maravilhoso. Lá o título era Cantiga Partindo-se, nao sei como é no próprio Cancioneiro de Rezende. E acho que nao deve haver o minha, pois mesmo na época seria um erro (o pronome teria que ser me, e nao se), e a Antologia era um livro conservador, rs.
Tem dias que a gente se sente Como quem partiu ou morreu A gente estancou de repente Ou foi o mundo então que cresceu A gente quer ter voz ativa No nosso destino mandar Mas eis que chega a roda-viva E carrega o destino pra lá Roda mundo, roda-gigante Rodamoinho, roda pião O tempo rodou num instante Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente Até não poder resistir Na volta do barco é que sente O quanto deixou de cumprir Faz tempo que a gente cultiva A mais linda roseira que há Mas eis que chega a roda-viva E carrega a roseira pra lá Roda mundo …
A roda da saia, a mulata Não quer mais rodar, não senhor Não posso fazer serenata A roda de samba acabou A gente toma a iniciativa Viola na rua, a cantar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a viola pra lá Roda mundo …
O samba, a viola, a roseira Um dia a fogueira queimou Foi tudo ilusão passageira Que a brisa primeira levou No peito a saudade cativa Faz força pro tempo parar Mas eis que chega a roda-viva E carrega a saudade pra lá Roda mundo …
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 5:12 pmQuão poético Chico pode ser ? Não sei mais
[video:https://www.youtube.com/watch?v=YAN33JPbGSM%5D
MEIA-NOITE
Se a noite não tem fundo
O mar perde o valor
Opaco é o fim do mundo
Pra qualquer navegador
Que perde o oriente
E entra em espirais
E topa pela frente
Um contingente
Que ele já deixou pra trás
Os soluços dobram tão iguais
Seus rivais, seus irmãos
Seu navio carregado de ideais
Que foram escorrendo feito grãos
As estrelas que não voltam nunca mais
E um oceano pra lavar as mãos
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 7:50 pmDoses de lirismo
[video:https://www.youtube.com/watch?v=mCRXqukn688%5D
FUTUROS AMANTES
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 9:40 pmMIL PERDÕES
[video:https://www.youtube.com/watch?v=TjTFU1jzuYw%5D
MIL PERDÕES
Te perdoo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdoo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdoo
Te perdoo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdoo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdoo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdoo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdoo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdoo
Te perdoo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdoo
Por te trair
AnnaDutra
8 de agosto de 2015 9:58 pmPerdão
O perdão é o perfume que a violeta …
Chico e a sabedoria da vida: perdão por amar demais, por fugir à mão erguida, por desatinar na rejeição… Perdão…
Só mesmo Chico para construir um apelo tão lindo Odonir!
Que menestrel maravilhoso!
lenita
8 de agosto de 2015 6:21 pmOdonir
Posso pedir uma ? Por favor !
Beatriz com o Milton Nascimento.
E ofereço a vc.
Abração
AnnaDutra
8 de agosto de 2015 7:49 pmSintonia
Lenita!
Chico e Poesia – tema em que Odonir sempre arrasa – pede “Beatriz”! Sempre. Com Chico, com Milton, não importa. Beatriz é tudo que repousa em sonhos…
Que bom que você pediu. Não consigo postar e quando Chico aparece eu fico doida para ouvir umas coisinhas.
Graças a você, eis aí a Beatriz.
Desta vez foi você quem me acertou !!!!
Abraço da Anna…
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 8:31 pmPara Anna
[video:https://www.youtube.com/watch?v=1Hj2jDfJ-9k%5D
Eu Te Amo
Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir
Se ao te conhecer, dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir
Se nós, nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir
Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu
Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu
Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios inda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair
Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir
AnnaDutra
8 de agosto de 2015 8:50 pmSem Fantasia
Sem Fantasia
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus
[video:https://youtu.be/MRyOeRCkZYc%5D
Anna Dutra
9 de agosto de 2015 12:36 amSem Fantasia
[video:https://www.youtube.com/watch?v=MRyOeRCkZYc%5D
Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia você não vai crescer
Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver os cabelos
Vem perder-te em meus braços
Pelo amor de Deus
Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu
Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer
De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus…
lenita
8 de agosto de 2015 9:41 pmAnninha
Fico feliz em ter acertado vc uma vez. Tb com uma música destas fica fácil, né?
Abração.
Anna Dutra
9 de agosto de 2015 4:01 amAmiga Lenita!
De novo, sintonia. Temos nos acertado além das obviedades. Mas “Beatriz” é bem mais do que isso, pelo menos para mim. Sempre que você a trouxer, estará também me trazendo um mimo.
Que este Dia dos Pais transcorra suave e feliz junto aos teus.
Abraço da Anna.
jns
8 de agosto de 2015 6:29 pmPAI , ESPELHO , IDENTIDADE
“CONSERTANDO O MUNDO POR AÍ; FAZENDO CANTEIROS E RECICLANDO VIDAS”
“Nunca conheci ninguém tão carregado de amor por aquelas montanhas mineiras, por Tiradentes, personagem histórico, por Tiradentes cidade e por Barbacena.”
“Recordo-me de que, estudioso e sempre aprendiz das técnicas agrícolas (- aprendidas na famosíssima Escola Técnica Agrícola de Barbacena, nas décadas de vinte e trinta) saía pelas manhãs com martelo, prego, madeira, enxadinha e outros apetrechos para ‘consertar o mundo por aí’ e refazia canteirinhos pelas ruas da cidade, colocando suportes para erguer arbustos decaídos ou quase mortos e os regava também, pedindo água a comerciantes de ao redor.”
“Recordo-me do carinho com os netos todos, confeccionando carrinhos de carreteis e outras gracinhas de suas próprias habilidades que eram diferenciadas e muitíssimas. Brincava com eles e os fazia dormir em seu colo, quando difícil, entoando sua famosa cantilena. Nenhum resistia.”
“… ficar só ‘apreciando as crianças brincarem’ a demonstrarem o quão inteligentes eram, ‘puxou o avô, arrematava ele’.”
“Aquela vaidade por sua criticidade e transparência ácidas, aquela incontinência verbal e quase irrefutável de opiniões, aquela beligerância contra a rasteira que Collor dera em sua esperança, em sua crença em um país democrático e melhor desfaleciam agora e o deixavam daquele jeito assim de voz e letra trêmulas, caminhando para o fim, no dia dezessete de junho de noventa e três.”
“Se meu pai está onde está, sei que continua fazendo canteiros e reciclando as vidas.”
*
CRÉDITOS:
Retalhos do texto publicado, hoje, neste blog, pela crônista e poetisa mineira Odonir Oliveira.
https://jornalggn.com.br/comment/711352#comment-711352
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 7:14 pmLenita, vou cantar pra você de Barbacena, espero que ouça daí
Obrigada.
Chico e Edu vão querer suplantar a minha voz, mas eu acho que eles merecem !
[video:https://www.youtube.com/watch?v=qaEzcERT8l8%5D
lenita
8 de agosto de 2015 9:37 pmOdonir
Vc conseguiu matar um monte de coelhos (tadicos) c/uma cajadada só. Ouvi os autores cantando juntos e logo após o Milton. Então chegou um ventinho vindo lá das bandas de Barbacena e não é que era vc cantando. Inda agradou a nossa cumpanheira Anna tb. kkkkk
Essa música me enleva e eleva de tal maneira que chego a me imaginar no céu.
Muito obrigada, querida Odonir.
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 10:05 pmAqui …o Milton só chegou agora, Lenita, ó só.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Xtdm2kMV-a0%5D
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 7:19 pmGritando pelas montanhas
[video:https://www.youtube.com/watch?v=OkOHH8e2Cag%5D
A MAIS BONITA
Chico Buarque
Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar
Finjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
Bonita
Pra que os olhos do meu bem
Não olhem mais ninguém
Quando eu me revelar
Da forma mais bonita
Pra saber como levar todos
Os desejos que ele tem
Ao me ver passar
Bonita
Hoje eu arrasei
Na casa de espelhos
Espalho os meus rostos
E finjo que finjo que finjo
Que não sei
Odonir Oliveira
8 de agosto de 2015 11:26 pm“Que recolhe todo sentimento. E bota no corpo uma outra vez”
[video:https://www.youtube.com/watch?v=WyZuJ337Y3w%5D
Todo o Sentimento
Chico Buarque
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro, com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu
jns
9 de agosto de 2015 1:08 am1 beijo
nas nádegas da poetisa grega
lucianohortencio
9 de agosto de 2015 1:00 amBloco do Eu Sozinho!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=W1fkyzbjoDQ%5D
Abração, amiga Odonir!
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 1:13 amOlha só, não conhecia essa música, Luciano. Que linda !
Hoje o lirismo tomou conta do blog, do jeitinho que eu gosto.
Parece um sarau lítero-musical, onde as palavras escorrem pelas lindas e as notas musicais pelas pautas.
Pra você, uma Morena dos olhos d’água dessas lindas, ” iracêmicas” que há pelas ruas de Fortaleza.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=0FnfIIXfQcM%5D
Anna Dutra
9 de agosto de 2015 1:36 amE o dia amanheceu …
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6Xov1hYYs3E%5D
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Fw47Sbo18wc%5D
Anarquista Lúcida
9 de agosto de 2015 3:14 amAnna, pensei q era uma cançao q adoro do Chico e nao sei o nome
Vc sabe qual é, uma que diz que a felicidade morava tao vizinha que eu até pensei que fosse minha? Amo essa música, mas nao sei o nome.
Anna Dutra
9 de agosto de 2015 3:50 amAté Pensei ?
Acho que é essa. Linda!
Abraço da Anna!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=W8WuzRSAfEE%5D
Junto à minha rua havia um bosque
Que um muro alto proibia
Lá todo balão caia, toda maçã nascia
E o dono do bosque nem via
Do lado de lá tanta aventura
E eu a espreitar na noite escura
A dedilhar essa modinha
A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Junto a mim morava a minha amada
Com olhos claros como o dia
Lá o meu olhar vivia
De sonho e fantasia
E a dona dos olhos nem via
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha
Eu andava pobre, tão pobre de carinho
Que, de tolo, até pensei que fosses minha
Toda a dor da vida me ensinou essa modinha
Anarquista Lúcida
9 de agosto de 2015 3:57 amEssa mesma, obrigadíssima
É linda mesma, né? Adoro. Eu pensava que o título era Valsinha, mas nao é. Muito obrigada.
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 11:17 amPara Analu, o lirismo de um cotidiano enviesado
[video:https://www.youtube.com/watch?v=2gHjoExiJDE%5D
ELA É DANÇARINA
O nosso amor é tão bom
O horário é que nunca combina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando pego o ponto
Ela termina
Ou: quando abro o guichê
É quando ela abaixa a cortina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Abro o meu armário
Salta serpentina
Nas questões de casal
Não se fala mal da rotina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando caio morto
Ela empina
Ou quando eu tchum no colchão
É quando ela tchan no cenário
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
O seu planetário
Minha lamparina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
Quando eu não salário
Ela, sim, propina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço a Deus do céu uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Quando esquento a sopa
Ela cantina
Ou quando eu Lexotan
É quando ela Reativina
Eu sou funcionário
Ela é dançarina
Viro o calendário
Voa purpurina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Ela é dançarina
Eu sou funcionário
Quando eu não salário
Ela, sim, propina
No ano dois mil e um
Se juntar algum
Eu peço uma licença
E a dançarina, enfim
Já me jurou
Que faz o show
Pra mim
Anarquista Lúcida
9 de agosto de 2015 6:09 pmEssa é ótima tb, obrigada. Aliás quase tudo dele é ótimo.
Tb tenho um presente para vc, espero que nao conheça, pois senao nao será presente… Vc já postou mil sonetos de Camoes, nao tem problemas com a língua num estado mais antigo. Entao vamos recuar um pouco mais. É um poema que adoro, do Cancioneiro de Rezende, cuja língua está num estágio mais antigo do que a de Camoes, mas nao tanto como a poesia trovadoresca.
O próprio título já é um poema: Cantiga Partindo-se. O poeta joga com a ambiguidade do significado do verbo partir (sair de onde se estar, ir embora X despedaçar) e da funçao do se (indeterminador do sujeito ou reflexivo que sofre a açao verbal); mas na verdade nao há ambiguidade aí, e sim o que Freud chama de cumulaçao: os 2 sentidos estao simultaneamente presentes, pois se um cantador parte para longe de sua amada ele se parte…
Eis o poema (atualizei um pouco a ortografia, no que nao interfere com a pronúncia das palavras):
Cantiga Partindo-se
Senhora
Partem tam tristes meus olhos per vós, meu bem,
Que nunca tam tristes vistes
Outros nenhuns, por ninguém.
Tam tristes
Tam saudosos,
Tam doentes da partida,
Tam can sa dos,
Tam chorosos,
Da morte mais desejosos
CEM MIL VEZES que da vida.
Partem tam tristes os tristes
Tam fora de esperar bem
Que NUUUNCA tam tristes vistes
Outros NENHUNS
Por NINGUÉM.
(Negritos, maiúsculas e espaçamento extra por minha conta, claro)
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 11:06 pmÉ mesmo lindo
Quando estudei gramática histórica, analisamos também os fenômenos desse poema. Creio que o lia como “Cantiga minha Partindo-se”
E fico sensibilizada por você trazer, por outro post, esse brinde.
Obrigada mesmo, viu.
Anarquista Lúcida
10 de agosto de 2015 12:23 amEu o conheci através da Antologia Nacional
de Fausto Barreto e Carlos de Laet. Recomendada pelo meu professor Grande Sedutor, rs. Um livro escolar daqueles de antigamente, sem uma ilustraçao que fosse, mas com um conteúdo maravilhoso. Lá o título era Cantiga Partindo-se, nao sei como é no próprio Cancioneiro de Rezende. E acho que nao deve haver o minha, pois mesmo na época seria um erro (o pronome teria que ser me, e nao se), e a Antologia era um livro conservador, rs.
Vânia
9 de agosto de 2015 1:49 amminha contribuição ao tópico
coisa linda!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=rUGVu1QElbc%5D
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 10:14 amVânia, trazendo essa do seu blog
[video:https://www.youtube.com/watch?v=VTvRcb8zYRc%5D
Odonir Oliveira
9 de agosto de 2015 10:04 amNessa “Roda Viva” diária, que bom é ainda podermos nos alimentar
do lirismo das metáforas, metonímias, antíteses, eufemismos … de manhã à noite.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=6rzPsbFOgys%5D
RODA – VIVA
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Rodamoinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo …
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo …
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo …