Ex-Quinteto em Branco e Preto, Yvison Pessoa lança CD e lidera ONG

Ex-Quinteto, Yvison Pessoa lança CD e lidera organização não-governamental em São Mateus

por Augusto Diniz

Depois do fim do celebrado grupo de samba Quinteto em Branco e Preto, que marcou do renascimento do gênero em São Paulo, cada um tomou seu rumo. O percussionista Yvison Pessoa foi ousado e se manteve próximo às raízes: lançou um CD autoral no final do ano passado, o primeiro solo de um membro da banda que se desfez em 2014 (o segundo é dos irmãos Magnu e Maurílio, previsto para este mês), e passou a coordenador uma organização não-governamental, o Instituto Cultural de Tradição e Memória do Samba de São Mateus.

O disco, intitulado “Trajetória”, abre com um poema autobiográfico. O CD possui produção musical bem acabada. O grupo de acompanhamento é formado por um time criado nas mesmas bandas de Yvison, o “Casca”, como é chamado por amigos, e dá sintonia à proposta do autor de exaltar suas origens.

A primeira música é a faixa-título “Trajetória” (Yvison Pessoa), que prossegue com a história do artista antes apresentada em poema. Na música, o sambista agradece, sem citá-los, os ex-companheiros do Quinteto e cantores que teve a oportunidade de acompanhar. Aliás, nos 17 anos de existência, o Quinteto foi banda aqui e no exterior de vários artistas de ponta da música brasileira, além de ter lançado quatro CDs. Por certo, isso deu bagagem para o músico se sair bem neste seu projeto. 

A segunda faixa “Pra não deixar morrer” dá entrada às composições de Yvison com mais dois parceiros constantes no disco: Milbé e Gerson da Banda. Melodia e letra se encaixam com naturalidade e é candidata a regravações por outros intérpretes. Ouça a música aqui

Depois vem “Folha de laranjeira” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda) e “Quebrada é quebrada” (Yvison Pessoa), este última uma exaltação a São Mateus e adjacências, na Zona Leste da capital paulista.

Em “Empáfia” (Rogerinho Ângelo, Gerson da Banda, Yvison Pessoa), o autor do CD divide a música com Lecy Brandão. Trata-se de um samba de protesto, voltando a ter evidência em meio à turbulência vivida pelo País nos últimos tempos.

Em seguida, na linha do partido alto, “Coração partido” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda), “Bom fiel” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda) e “Maria cintura” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda).

O samba afro “Matamba” (Yvison Pessoa, Luande) é cantado junto com a ótima Graça Braga. “Verdade escondida” (Yvison Pessoa, Gerson da Banda), um samba-choro, e “Trauma” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda) mostram um sambista diversificado.

Em “Lua do sambista” (Yvison Pessoa, Gerson da Banda) Yvison tem o acompanhamento nobre da Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. Trata-se de um samba de quadra. Na sequência vem “No mar” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda), um ijexá. “A noite fica mais feliz” (Xuxo, Jorge Sargento, Walmir Tibiriça) é outro belo samba de quadra.

O disco encerra com “Refrões” (Milbé, Yvison Pessoa, Gerson da Banda), uma sequência de sambas de roda.

Yvison se tornou um ativista cultural. No Instituto que coordena oferece atividades que dialogam com o samba, como capoeira e manifestações de grupos afros. Também acontecem rodas de samba no local. Acompanhe a programação aqui

O músico também teve voz importante na criação do projeto Berço do Samba de São Mateus, dentre outras iniciativas. Nei Lopes faz elogiosa saudação a Yvison na apresentação do CD. Não é pouco. O cantor, compositor e estudioso da cultura africana é hoje a maior referência viva da história do samba no País.

O site de Yvison Pessoa pode ser acessado aqui

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