Trabalho a 48 mãos, por Aquiles Rique Reis

O músico, compositor e arranjador carioca Sidney Mattos lançou Amigos, seu sexto disco instrumental. Gregário, desde sempre ele se deu a juntar pessoas em torno de um ideal, seja ele político ou musical: lá está o Sidney criando pontes para alcançar objetivos.

Para tocar e gravar os doze temas compostos por Mattos (dez inéditos e duas regravações), foram convidados 23 instrumentistas, todos da mais alta qualidade. Como resistir a um chamamento dele?

Num mercado refratário à música brasileira de qualidade, principalmente à música instrumental, dá gosto ver que a solidariedade ainda está forte e presente entre os músicos. Compositor de qualidade, multi-instrumentista correto, harmonizador de recursos, produtor atento, Sidney além de tudo conhece o jeito de tornar públicas as suas qualidades.

Os que tiverem a oportunidade de ouvir este bom disco instrumental conferirão com quantas notas se faz a luta de um músico para deixar de ser membro dessa enorme legião de grandes instrumentistas e compositores eternamente-quase-anônimos, que não podem deixar e nem deixam a peteca cair.

Uma bela capa, com ilustração do artista plástico Mello Menezes, embrulha para presente o repertório de saborosa música instrumental.

Para registrar esse novo CD, cem por cento independente (ele se valeu de seu estúdio caseiro para gravar), Sidney convidou uma turma de feras: André Dantas, Carlito Gepe, Chiquinho Brazão, Elly Werneck, Fernando Trocado, Flávio Pereira, Guilherme Brício, João Carlos Coutinho, João Cortes, Jota P, Luiz Guimarães, Luiz Fernando Zamith, Ozias Gonçalves, Pascoal Meirelles, Paulo Sérgio Santos, Pedro Barros, Ricardo Pontes, Roberto Stephenson, Sérgio Castanheira, Sérgio Jaburu, Sidney Barreto, Thiago Guzzo e Vander Nascimento. Juntos com Sidney e seu teclado, eles trataram de dar forma definitiva aos temas.

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O resultado é muito bom. A versatilidade de conceitos musicais se multiplica. Assim, samba, marcha, choro, temas compostos em épocas distintas e com influências múltiplas, permitem ao ouvinte uma análise profunda da obra de Sidney Mattos.

Destaques para o trompete com surdina em “Hemisfério Criativo”, para o clarinete e o sete cordas em “Chorando Pro Hermeto”, os improvisos de guitarra e gaita em “Be Funk”, o vocalise em duas vozes em “Tablas Theme”, os improvisos de teclado e baixo em “Brazão” e o trombone em “Conclin”. Só coisa fina.

Músico que rema contra a maré, Sidney segue na contramão; busca o céu da criação enquanto trisca as entranhas do purgatório. Agarra-se com unhas e dentes ao talento que só ele e os que lhe são próximos sabem que tem. Resta ampliar esse espectro, incluindo nele um grande número de pessoas que, se tiverem a chance de ouvir discos como este, passarão a admirar artistas até então desconhecidos do grande público.

Não falta música boa, não! Falta, isso sim, que ela chegue aos ouvidos musicais dos brasileiros que têm bom gosto. Eles saberão apreciá-la e propagá-la.

Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4

 

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