22 de junho de 2026

Campanha paga, guerra digital e pressão institucional: a engrenagem que tenta destruir o Banco Central no caso Master

Agências de marketing, pressão política e disputas no TCU se articulam numa ofensiva inédita para deslegitimar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro
Banco Central do Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Desde dezembro, campanha milionária tenta culpar o Banco Central pela liquidação do Banco Master.
Projeto DV contratou influenciadores para desacreditar o BC e questionar decisão técnica sobre o Master.
Ataques digitais envolveram 46 perfis, incluindo páginas de fofoca, com pressão sobre dirigentes do BC.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Uma engrenagem sofisticada, milionária e altamente coordenada opera desde dezembro para tentar reescrever a história da liquidação do Banco Master e, no caminho, destruir a credibilidade do Banco Central do Brasil.

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Influenciadores de direita, agências de marketing digital, perfis de fofoca, políticos e operadores jurídicos passaram a difundir, de forma sincronizada, uma narrativa que tenta transferir a responsabilidade da crise do Master para o BC, questionando a decisão técnica que levou à liquidação do banco e intimidando servidores e dirigentes da autoridade monetária.

O Jornal GGN já vinha mostrando, em reportagens anteriores, a escalada de ataques, a pressão política e os movimentos incomuns em torno do caso Master, inclusive no Tribunal de Contas da União (TCU) e no Supremo Tribunal Federal (STF).

Agora, a revelação de que influenciadores foram procurados para integrar uma campanha paga escancara o desenho completo da operação.

A engenharia da campanha

No centro da articulação está o chamado “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O projeto previa a contratação de influenciadores com grande alcance nas redes para disseminar conteúdos com três objetivos claros:

  1. Desacreditar o Banco Central
  2. Imputar ao BC a responsabilidade pela crise do Master
  3. Criar a impressão de que a liquidação teria sido precipitada, política ou injustificada

A estratégia incluía contratos de confidencialidade com multas de até R$ 800 mil, produção orientada de conteúdo, disparo coordenado de narrativas e uso de reportagens selecionadas para sustentar a ofensiva, em especial uma matéria do portal Metrópoles citando despacho do TCU.

A denúncia veio a público por meio de reportagens de O Globo, Folha de S. Paulo e outros veículos, com relatos dos influenciadores Rony Gabriel, vereador do PL em Erechim (RS), e Juliana Moreira Leite, que afirmaram ter recusado a proposta.

Ambos descreveram abordagens semelhantes: promessas de remuneração milionária, exigência de confidencialidade e instruções claras sobre o conteúdo a ser produzido.

Bombardeio digital em larga escala

Levantamentos da grande mídia identificaram ao menos 46 perfis engajados num bombardeio digital sistemático contra o Banco Central e seus principais quadros técnicos.

O ataque não se limita a especialistas ou comentaristas políticos: boa parte dos perfis recrutados pertence a páginas de fofoca, entretenimento e memes uma estratégia para pulverizar a mensagem e atingir públicos fora do debate econômico.

Entre os principais alvos estão:

  • Renato Gomes, ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro do BC
  • Gabriel Galípolo, presidente do BC
  • Aílton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização
  • Entidades como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban)

O caso atingiu níveis de intimidação raramente vistos: antes mesmo da rejeição da venda do Master ao BRB, outdoors com a imagem de Renato Gomes foram espalhados em Brasília como forma de pressão direta sobre o corpo técnico do BC.

Influência, agências e dinheiro

A ofensiva digital passa por empresas que administram e negociam grandes perfis nas redes sociais, estruturas capazes de vender campanhas massivas de opinião. Entre elas aparecem agências como Banca Digital, Grupo Farol e Deubuzz, além de páginas com milhões de seguidores, como Futrikei, Festadafirma e outras.

Alguns comunicadores replicaram, quase palavra por palavra, as mesmas narrativas:
“liquidação a jato”, “precipitação”, “interesses ocultos”, “perseguição ao crescimento do banco”, “pressa injustificada”.

O padrão das postagens revela sincronia, padronização de discurso e uso estratégico de gatilhos de engajamento: sinais clássicos de campanhas coordenadas.

O pano de fundo político e institucional

A guerra digital não ocorre no vácuo. Ela se desenvolve paralelamente a movimentos incomuns nas mais altas instâncias do Estado.

No TCU, por exemplo, o relator Jhonatan de Jesus passou a questionar documentos técnicos do BC, uma situação que especialistas classificam como inédita e politicamente explosiva: um órgão de controle tentando controlar o órgão regulador, cujas decisões são essencialmente técnicas.

No STF, o ministro Dias Toffoli decretou sigilo máximo sobre investigações envolvendo executivos do Master, o que deixa alguns alertas.

Quando o BC acerta, o ataque explode

Não há dúvida de que o Banco Central merece críticas severas, especialmente pela manutenção da Selic em patamar elevadíssimo. Mas, no caso do Banco Master, a atuação do BC foi técnica e respaldada por unanimidade do colegiado.

As cifras envolvidas, os personagens e a teia de interesses explicam a violência da reação: uma ofensiva que mistura dinheiro, influência, política, pressão institucional e manipulação digital para tentar reverter, pela força da narrativa, uma decisão que não conseguiram vencer no campo técnico.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

1 Comentário
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  1. Rui Ribeiro

    8 de janeiro de 2026 9:35 pm

    Apesar do BC não se compadecer da população brasileira, eu vou me compadecer dele. Mas queria saber se a Nasa restabeleceu o contato com sua nave que se aproximou demais do Forasteiro Velox

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