Brasil e Reino Unido falam sobre clima

Os Estados Unidos não figuram mais como o grande problema na negociação das questões climáticas, os principais desafios são as metas – para obter um acordo factível de controle da temperatura, mitigação e adaptação ambiental – e descobrir arranjos financeiros para ajudar os países em desenvolvimento. Essas considerações foram feitas por Ed Miliband, Ministro de Energia e Mudanças Climáticas do Reino Unido, no debate sobre mudanças climáticas promovido pela Folha de São Paulo na última terça-feira. O evento também contou com a presença de Suzana Kahn, secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, e Marcelo Furtado, diretor-executivo do Greenpeace Brasil.

Para o ministro britânico, o novo governo americano – presidente Barack Obama – e o interesse da China em aderir ao tema, tornam o momento propício para negociar com sucesso um acordo global de mudanças climáticas. Ele ainda acredita que o Brasil tem papel de liderança nessa discussão. “Se “Se o Brasil mostrar liderança, poderemos obter o acordo em Conpenhague”.

Energia Verde

Para iniciar a discussão sobre a importância do acordo que será negociado em Copenhague, em dezembro deste ano, os convidados fizeram considerações sobre a energia verde. Foram unânimes em afirmar que ela não é um modismo, mas sim uma tendência e parte indissociável do desenvolvimento econômico e social de um país.

Suzana Kahn explica que a permanência de ações “verdes” – busca por energia renovável, desmatamento e redução de emissões de gases de efeito estufa – trazem muitos benefícios associados e de longo prazo. Entretanto, ela pondera, propõem uma nova forma de fazer negócio. “Nessa nova fase é preciso mudar a forma de ganhar dinheiro”.

Miliband, também vê nas ações ambientais possibilidades, tanto para os governos como para a iniciativa privada, e aposta em muitas oportunidade para o Brasil e Reino Unido no mercado de carbono. O ministro, também cita os empregos verdes como tendência e destaca as vantagens brasileiras nas questões de segurança energética e biocombustíveis.

Para Marcelo Furtado os empregos verdes serão a única opção do futuro. Não haverá outra saída e somente as empresas que atuarem no mercado de carbono terão oportunidades profissionais a oferecer. As questões são de economia e desenvolvimento, além de ambiental, reforça Furtado.

Crise


Para os debatedores, a crise econômica trouxe alguns benefícios e subsídios para sustentar as negociações do acordo global. Miliband explica que a partir dela paramos para pensar na economia do futuro de maneira mais abrangente, já considerando as questões ambientais.

Kahn alega que a principal contribuição da crise foi mostrar que há recursos financeiros que podem ser canalizados para as ações climáticas. Para exemplificar, citou um valor aproximado de US$ 17 trilhões gastos com a crise e considerou a quantia de US$ 250 milhões como necessária para atuar, fortemente, na mitigação e adaptação em favor do clima.

Desafios para Copenhague


Como ponto crucial nas propostas para Copenhague está a negociação sobre os recursos financeiros para sustentar o acordo. “É preciso tratar da arquitetura financeira e definir como vamos pagar essa conta e qual o percentual de cada um”, argumenta Kahn.

Furtado também reforça a importância de definir quem pagará a conta e como será dividida. Entretanto, de acordo com suas avaliações, o Brasil tem um bom discurso ambientalista, mas na hora de dispor de valores se defende sob a alegação de ser um país em desenvolvimento. Ele concorda que caberá aos paises desenvolvidos maior participação, porém afirma ser inaceitável que os países em desenvolvimento não colaborem com parte dessa conta. “As palavras tem que ter ação política para surtirem resultado”, complementa Furtado.

Em defesa dos países em desenvolvimento, Kahn acrescenta a importância de definir quanto ao espaço de carbono que será usado pelos países desenvolvidos, pois eles já preencheram largamente com suas emissões e agora isso precisa ser discutido. Ela comenta que os países desenvolvidos não têm como parar de emitir totalmente seus gases, mas espera um acordo que beneficie os paises em desenvolvimento com maior possibilidade de utilização do espaço que resta. “Eles precisam entrar numa economia de baixo carbono seguindo patamares mais baixos, buscando desviar a curva atual de emissões”, conclui.

Há 124 dias da reunião global em Copenhague, o encontro é visto como meio para definir os caminhos para um mundo com baixo teor de carbono e justiça ambiental. As propostas e as definições do acordo devem avaliar um contexto muito mais amplo e de longo prazo, pois, de acordo com Miliband, “não podemos lidar com as mudanças climáticas aleatoriamente, não só em Copenhague, mas sempre”.

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