Brasil Milênio: A batalha pela inovação, o caso Biomanguinhos

Luis Nassif entrevistou nesta terça-feira, 22, Mauricio Zuma, diretor do BioManguinhos, o complexo de produção de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

Reprodução/TV GGN

Jornal GGN – A inovação da ciência biotecnológica na indústria da Saúde foi abordada por Mauricio Zuma, diretor do BioManguinhos, o complexo de produção de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no episódio desta terça-feira, 22 de dezembro, na Série Brasil Milênio, exibida na TV GGN. A entrevista foi conduzida pelo jornalista Luis Nassif. 

Pioneiro na produção de vacinas, kits para diagnóstico e biofármacos, BioManquinhos está no centro do combate contra a pandemia da Covid-19, por meio da finalização do imunizante que pode amenizar os efeitos da crise sanitária. Em meados de outubro, a Fiocruz anunciou um acordo de encomenda tecnológica com a farmacêutica britânica AstraZeneca, para produção da vacina contra a doença desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford. 

De acordo com Zuma, um dos principais pontos para firmar o acordo foi a possibilidade de ganhos tecnológicos ao Brasil. “Esta é uma plataforma nova, muito interessante, que tem perspectivas tecnológicas muito boas. Além de permitir trazer de forma rápida uma vacina no combate à pandemia, teremos a possibilidade de dominar essa tecnologia e com perspectivas de desenvolver novos produtos”, disse. 

A partir disso, Zuma destacou a necessidade do domínio de uma nação sobre a biotecnologia, principalmente, em momentos de crise e para a economia, uma vez que os custos de patentes de medicamentos podem custar caro. “De uma maneira geral, as grandes empresas farmacêuticas investem em produtos que tem potencial de mercado e isso eleva o custo de importação dos produtos. Então, o fato de ter capacidade para desenvolver novas moléculas, novas vacinas, poder trabalhar e produzir, gera um custo menor”, pontuou. “As patentes são muito bem valorizadas e o custo de produção geralmente é quase nenhum, por isso é fundamental dominar e desenvolver essas capacitações no país”, disse.

Além disso, o especialista mostrou como a pandemia da Covid-19 escancarou a falência de laboratórios de produtos biológicos e seus efeitos sobre a América Latina. “Quem não estiver preparado ficará sempre pra depois. Se nós [brasileiros], com toda a capacitação que desenvolvemos ao longo de décadas, tivemos que correr atrás de tecnologias de fora, imagina os países que não tem isso”, disparou.

No entanto, é olhando para países subdesenvolvidos, que BioManquinhos pretende atuar. “Nós já exportamos vacinas para mais de 70 países necessitados, por meio de organismos internacionais”, disse. “Nosso objetivo é sempre apoiar os países emergentes, nós não entraremos em mercado privado, não é nossa ideia competir”, explicou.

Ainda, com a construção de um novo complexo, o diretor afirmou que pretende fortalecer a indústria da Saúde brasileira, que sofre com “um grande déficit econômico da balança comercial”. 

A importância da biodiversidade sobre a ameaça de novas epidemias

Ao ser questionado sobre biodiversidade, Zuma destacou como é importante o desenvolvimento sobre essa área, em meio a possibilidade de novas epidemias. A partir disso, a Fiocruz em parceria com Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) pretende fazer o mapeamento genético de, pelo menos, 200 vírus em circulação na Amazônia. 

“Uma hora ou outra, esses vírus podem gerar uma doença e precisamos estar preparados. Ter esse mapeamento genético é o primeiro passo para buscar um medicamento ou uma vacina”, explicou Zuma.

“É certo que nós teremos outras epidemias, alguns vírus devem permanecer, há muitos vírus que estão se manifestando levementes, mas podem se tornar epidemias em alguns países. Então, há necessidade de se conhecer melhor esses organismos,  para ter  uma pronta resposta à eles”, completou.

Assista o programa na íntegra:

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