Carlos Lessa, a morte de um grande brasileiro

Sempre foi uma mente inquieta e aberta a novas ideias e novas experiências. Quando presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) tentou escapar da sina dos campeões nacionais.

Conheci Carlos Lessa em meu início de carreira jornalística. Ainda nos anos 70, encantei-me com as história de Rômulo de Almeida, o grande baiano, da assessoria econômica de Getúlio Vargas e autor da primeira proposta de criação da Petrobras. Rômulo montou uma consultoria no nordeste e trouxe Carlos Lessa como sócio.

Nos anos 80, quando teve início o questionamento da ditadura, a linha de frente dos economistas foi assumida pelo Instituto de Economia da Unicamp, com Luiz Gonzaga Beluzzo e João Manuel Cardoso de Mello. Mas Carlos Lessa era o furacão verborrágico, dominando como pouco as palavras e os conceitos de desenvolvimento.

Assessorou Ulisses Guimarães, passou pelo MDB progressista, apoiou Garotinho, quando ainda era um seguidor de Brizolla.

Sempre foi uma mente inquieta e aberta a novas ideias e novas experiências. Quando presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) tentou escapar da sina dos campeões nacionais.

Na ocasião, escrevi uma série na Folha sobre o novo projeto de país. Juntei um conjunto de experimentos em andamento, isolados, como as políticas de inovação, de apoio a pequenas e micro empresas, programas sociais, experiências de integração de cadeias produtivas, o universo das startups que nascia, o SUS e as compras públicas. Tinha-se tudo ali para um projeto de país. Na série dizia que o país iria se lançar quando aparecesse um presidente que conseguisse juntar todas as peças e mostrar o todo. Lessa me procurou e publicou a série no site do BNDES.

Embora fundamentalmente intelectual – e, como tal, pouco afeito às questões práticas – teve um trabalho fundamental de corrigir os estragos da crise de energia de Fernando Henrique Cardoso. A principal vulnerabilidade foi ter permitido a privatização de grandes distribuidoras para empresas americanas com capital em paraísos fiscais que tomaram financiamento do BNDES dando as ações como garantia. Quando veio a crise, as distribuidoras quebraram e elas simplesmente iriam devolver as concessionárias  ao banco, que morreria com o mico.

Coube a Lessa o desafio de revender as distribuidoras em um modelo que impediu o banco de assumir os prejuízos.

Além das políticas desenvolvimentistas, sua grande paixão era a arte e a cultura carioca. E o imenso orgulho de ter um filho, Rodrigo Lessa, bandolinista e cultivador do choro.

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