CCR paga mesada de R$ 78 mil por 5 anos a quem fizer delação

No total, a CCR decidiu desembolsar R$ 71 milhões para financiar acordos de delação premiada e evitar sanções decorrentes da Lava Jato, como multas equivalentes a 80% de seu patrimônio

Jornal GGN – A repórter Consuelo Dieguez informa na última edição da Revista Piauí que a CCR – empresa de capital aberto de concessão de rodovias, aeroportos e barcos – decidiu desembolsar R$ 71 milhões em mesadas para ex-funcionários que aceitem colocar a “cabeça a prêmio”, delatando esquemas de corrupção revelados pela Lava Jato. A ideia é ajudar a força-tarefa a chegar nos agentes públicos que recebiam propina.

A CCR é investigada em São Paulo e no Paraná por pagamento de propina em troca de contratos e aditivos de grandes obras. Na versão paulista, as transferências, segundo os investigadores, tinham as digitais de Paulo Vieira Souza, mais conhecido como Paulo Preto, operador do PSDB e ex-diretor da Dersa.

Para fechar acordo de leniência e evitar pagar multas que representam até 80% do patrimônio da empresa – o que a levaria à falência – a CCR reuniu o Conselho Administrativo, contratou um parecer jurídico e decidiu premiar os delatores como forma de incentivá-lo a colaborar com as investigações. Os acionistas minoritários já questionam a decisão judicialmente.

O acordo prevê o desembolso mensal de R$ 78 mil, por até 5 anos, a quem fizer a delação.

A reportagem mostra a preocupação de setores do Ministério Público que acham o instrumento complexo e duvidoso. Em parte, porque passa a impressão de que a empresa quer ter o controle sobre o que será delatado. E, de outro lado, também gratifica executivos que tiveram participação em ilícitos. Além disso, não há previsão legal.

Chama atenção a declaração do advogado da CCR, Celso Vilardi, que ficou “espantado” ao saber que há procuradores criticando a empresa.

Vilardi frisou que sem o acordo de leniência, a CCR quebra. Para evitar isso, é preciso colaborar com as autoridades. E a delação financiada foi o meio encontrado, e não que seja novidade: pelo menos outros três acordos de leniência em Curitiba – um deles homologado por Sergio Moro – tiveram pagamento de delatores por trás.

Leia também:  MP dividido por diálogos de Deltan e Moro, diz jornal

A OAS está entre as empresas que lançaram mão do expediente.

Leia mais: Como a OAS pagou pela delação de seus executivos

A reportagem da Piauí:

Delação financiada

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

8 comentários

  1. Sou ingenuo. Por favor me explique como explica a uma criança: Este verdadeiro mensalão não é uma maneira de corromper? Esta operação está sendo usada para institucionalizar a corrupção e a hipocrisia.
    Mãos limpas e consciência suja.

    • Nenhuma empresa na história contratou com o poder público sem a cobrança de propina pelos agentes públicos ou/e sem a oferta de propina pelas empresas e prestadores de serviço.
      Pela aí afora, dão-se o simpático nome de lobby ou grupos de influência a essa prática. Por aqui reina a hipocrisia e a oportunidade de quebrar concorrentes ou consolidar amizadinhas influentes.

  2. É pouco provável que isso funcione do modo como a CCR pretende.
    Aos acionistas minoritários seria importante que se esclarecesse que essa medida, em tese, poderia poupar a empresa evitando a sua extinção, seria uma espécie de um “vão-se os anéis e fiquem os dedos”, PORÉM, não se pode perder de vista o ataque sistemático que as grandes construtoras nacionais vêm sofrendo pela lava-jato.
    Assim como o Lula e a Petrobrás, as nossas grandes empreiteiras figuram como alvos pré-constituidos.

  3. A CCR em SP e PR levou tudo. Levou a liberdade dos Brasileiros. Na cidade de São Paulo, durante um tempo, chegou a CONTROLAR até o ar. Ficou escrachado o tamanho do roubo sobre bolsos e direito de ir e vir das pessoas. STF disse amém. Nem os milhões, absolutamente comprovados para Tucanos de SP e PR, levaram até agora Aécio, Richa, Picolé, FHC, Aloísio, Serra para a cadeia. E tudo continua da mesma forma em Pedágios Extorsivos. É Inacreditável !!! 40 anos de Redemocracia prometidos em Palanques de Diretas Já, por Socialistas AntiCapitalistas. A Rodovia Raposo Tavares SP 270 foi sitiada por pedágios extorsivos da CCR/VIAOESTE a cada 30 Kms, com a promessa do medíocre Mario Covas, de uma ‘nova rodovia’ em 4 anos. Está há 20 anos, esperando por duplicação entre São Paulo e Sorocaba. Sem acostamentos, sem sinalização, cheia de lombadas, com acidentes e mortes, todos os dias. A ESTRADA DA MORTE. Respeito aos Contratos? Somos Surreais. País de muito fácil explicação.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome