19 comentários

  1. Nem rendição, nem prostração: o trunfo da coerência

    Carta Maior

    13/09/2015 00:00

    Nem rendição, nem prostração: o trunfo da coerência

     

    A votação dos trabalhistas ingleses mostra que o caminho não é o da rendição, nem prostração, mas da coerência entre desenvolvimento e democracia social.

     

    por: Saul Leblon

     
     

          

    Um paradoxo muitas vezes esconde a luz esclarecedora que a linearidade das aparências sonega. 
     
    Quatro meses após a derrota para o conservador David Cameron, nas eleições gerais de maio, na Inglaterra, o alquebrado partido trabalhista britânico deu uma guinada à esquerda no último sábado.
     
    Em vez de consagrar a esperada rendição ao centro – ao neoliberalismo de Tony Blair— para disputar a hegemonia política com os herdeiros de Thatcher, os trabalhistas colocaram na sua direção um símbolo da socialdemocracia europeia que se perdeu num tempo de adesão aos ditames dos mercados.
     
    Jeremy Corbyn , vitorioso  na convenção do último sábado, com 60% dos votos, condensa em suas convicções de homem de esquerda aquilo que um documentário recente do cineasta Ken Loach batizou de ‘O espírito de 45’ 
     
    Do que se trata? 
     
    Trata-se de um capítulo ideologicamente remoto da história em que uma Europa destruída pela guerra encontraria na convergência entre o Plano Marshall, o temor burguês ante a expansão comunista, e o florescimento da social democracia, um blend propício à construção de uma democracia que adicionasse à igualdade política o direito social à igualdade de acesso a bens, serviços e oportunidades da civilização.
     
    Ancorado em um Estado indutor de políticas e investimentos, floresceria um poder baseado em sindicatos fortes e governos comprometidos em garantir o pleno emprego, serviços públicos de qualidade, ademais de moradia e segurança alimentar.
     
    Como é que um representante dessa agenda dada como morta ressurge em pleno século XXI e arrebata o trabalhismo domesticado por quatro décadas  de genuflexão ao mercado?
     
    E, pior, comete essa heresia após uma derrotada reiterativa do candidato de centro esquerda de seu partido, o bem intencionado Edmund Miliband , para o engomadinho Cameron?
     
    Mas, sobretudo, em que medida a luz  escondida nesse paradoxo pode iluminar a hora sombria da política brasileira?
     
    Qual?
     
    Esta em que o golpismo se dá a prerrogativa de impor ao governo Dilma a disjuntiva imperial estampada pela Folha em seu editorial de primeira pág, na edição deste domingo: ‘arrocho sem precedente ou renúncia’.
     
    Mais, talvez, do que poderíamos supor ao primeiro olhar.
     
    Em primeiro lugar, a vitória conservadora em maio desmente a ilusão –muito comum no ciclo de governos do PT–  de que as condições econômicas objetivas falam por si, gerando luz suficiente ao esclarecimento político da sociedade.
     
    A economia da Inglaterra cresceu 2,8% no ano passado –é verdade. Foi a taxa mais vistosa do G7.
     
    O desemprego diminuiu para 5,8%.
     
    Os números do PIB e do mercado de trabalho ajudam a entender, em parte, que os eleitores tenham decido dobrar a aposta inercial no camafeu do conservadorismo.
     
    Mas havia também fortes razões em sentido contrário para afrontá-la.
     
    Por que não prevaleceram?
     
    Os institutos de pesquisa, todos eles, trabalhavam com o cenário de uma disputa renhida, a mais apertada desde a Segunda Guerra. 
     
    Havia razões objetivas para isso.
     
    A prioridade do primeiro mandato de Cameron foi –adivinhe– a redução do déficit público.
     
    Mesmo assim, o Estado inglês fechou as contas de 2014 com um rombo equivalente a 5,4% do PIB. 
     
    E Cameron fez campanha pela reeleição prometendo mais arrocho.
     
    Por isso, naturalmente, não se entenda a taxação dos mais ricos.
     
    Um dos setores mais retalhados no cepo conservador no seu primeiro mandato foi a derradeira joia do orgulho socialdemocrata inglês: o sistema público de saúde, uma espécie de SUS desenvolvido, comido pelas berbas, como diria Brizola, por sucessivos mandatos da linhagem inaugurada por Thatcher, em 1979.
     
    Cameron deu a sua cota ao canibalismo regressivo.
     
    O premiê ‘enxugou’ a rede de postos de atendimento, terceirizou serviços, rebaixou o padrão de qualidade e comprimiu salários do corpo profissional.
     
    Como foi possível reverter o que era uma invejável conquista da civilização e, ainda assim, ganhar as eleições?
     
    É aqui que o paradoxo, acentuado agora pela vitória esmagadora da esquerda na convenção trabalhista, encerra questões cujo interesse extrapola as fronteiras inglesas.
     
    E talvez ajude a esclarecer certas urgências e equívocos em outras latitudes mais ensolaradas do Atlântico.
     
    Desde 1979, com a ascensão da dama de ferro, a hegemonia conservadora – persistente, mesmo em intervalos de poder trabalhista — vem escavando o sistema de proteção regulatória dos que vivem do próprio trabalho no capitalismo que mais ensinou a Marx sobre a ação predadora intrínseca ao sistema.
     
    Ticados pelos sucessivos filhotes de Thatcher – inclua-se nessa prole Tony Blair, batizado pela dama de ferro como a sua ‘principal obra’ — a classe operária e os sindicatos ingleses foram progressivamente  perdendo força, desde a derrota emblemática dos mineiros na greve de 1984.
     
    Foi ali que Thatcher, com inestimável ajuda da rendição trabalhista, fincou a estaca neoliberal no coração do ideário socialdemocrata  – feito que só Pinochet conseguira lograr  antes,na América Latina, mas às custas de um banho de sangue.
     
    Na Inglaterra, a mecânica encontrou seu ponto de equilíbrio na intersecção entre duas curvas em cruz.
     
    De um lado, a espiral ascendente das reformas.
     
    Novas legislações aprovadas a partir da derrota dos mineiros em 1984 enfraqueceram o poder de negociação dos sindicatos. 
     
    O emprego foi banido para a zona da precariedade, a corrosão salarial prosperou ao lado de ampla desregulação do comercio e da finança, que fez da City londrina o ponto de esplendor da grande lambança da globalização financeira.
     
    A espiral descendente da qualidade de vida ganharia um empurrão pró-cíclico com a rendição ideológica do trabalhismo inglês aos ditames dos mercados autorreguláveis. 
     
    Precariedade trabalhista, desmonte industrial e fastígio rentista.
     
    A eutanásia funcionaria como um solvente na capacidade de organização e resistência da sociedade e dos sindicatos às ‘reformas’.
     
    O saldo da rapina é significativo.
     
    Quase 2,5 milhões de crianças vivem atualmente na antessala da pobreza absoluta nessa que é a terceira maior economia europeia. 
     
    São os herdeiros mais vulneráveis de lares que subsistem com uma renda 60% inferior à média inglesa.
     
    Na Albion sombria, floresceu um pujante sistema  bancário paralelo à City.
     
    O dos bancos de alimentos, que acodem um número crescente de famílias.
     
    O maior deles, o Trussell Trust , segundo informou em maio o El País, distribuiu 1,1 milhão cestas de alimentos em 12 meses até então.
     
    Um volume 27 vezes maior do que há cinco anos. 
     
    ‘A esses números seria necessário somar os de outras centenas de bancos de alimentos independentes que operam em todo o país’, adverte o jornal.
     
    A insegurança alimentar assumiu contornos de um verdadeiro problema de saúde pública na Inglaterra de Cameron. 
     
    Quem diz isso são médicos e assistentes sociais do serviço público, encarregados de cadastrar o acesso às doações de alimentos.
     
    Sem uma alternativa política clara, capaz de oferecer à sociedade uma mensagem crível de opção à viagem regressiva ao capitalismo desregulado, deu-se o que se viu em maio, com a vitória surpreendente de Cameron.
     
    Na superfície, o feito legitimava o upgrade pretendido no processo de curetagem econômica e ideológica do ‘espírito de 45’, para enterrá-lo de vez na vida e no imaginário britânico.
     
    A democracia social  implantada no pós-guerra não só na Inglaterra, mas em boa parte da Europa, impunha um contraponto efetivo à extração da mais valia capitalista.
     
    Instituiu uma espécie de segundo salário cativo das famílias trabalhadoras. 
     
    Escola boa, transporte barato e eficiente, alugueis baixos com moradias sociais, saúde pública de reconhecida qualidade formaram no pós-guerra o colchão de sobrevivência diga, capaz de fortalecer o poder de barganha dos sindicatos e servir como válvula de negociação do desenvolvimento industrial.
     
    O ganho de produtividade subtraído aos salários no chão da fábrica era compensado por avanços na rede de proteção social, financiada com receita de um sistema tributário mais justo e progressivo.
     
    A rigidez desse amortecedor foi um dos alvos da guerra neoliberal contra o ‘custo Inglaterra’, implementada pelos blindados de Thatcher.
     
    Ao engrenagem submeteu e desossou a socialdemocracia inglesa, incluindo-a na faxina imposta à rede de proteção da sociedade.
     
    Em toda a UE, apenas os dilacerados mercados de trabalho de Portugal e Grécia pagam atualmente salários médios mais baixos que aqueles recebidos pelos trabalhadores do Reino Unido.
     
    São inglesas, também, as experiências mais radicais de desregulação do mercado de trabalho em curso na UE.
     
    A mão de obra ‘just in time’, como já observou Carta Maior neste espaço, é uma dessas modalidades de flexibilidade acalentadas aqui pelos coveiros de bico longo da CLT.
     
    A nova tecnologia trabalhista inglesa reduz o empregado a um insumo igual a qualquer matéria-prima. 
     
    Só é requisitado do depósito quando a demanda assim o exige; receberá apenas e somente o equivalente ao tempo usado pela engrenagem produtiva.
     
    Há 700 mil ‘insumos humanos’ desse tipo no capitalismo britânico.
     
    Essa é a modalidade de ‘emprego’ que mais cresce na terra dos vitoriosos conservadores.
     
    O pulo do gato é que isso  guarda estreita funcionalidade com o fastígio da riqueza desregulada na outra ponta do sistema.
     
    Mais que nunca, a Inglaterra singulariza-se como um império financeiro no qual, como disse a revista Vanity Fair há alguns anos, o sol nunca se põe.
     
    Em qualquer momento do dia ele brilhará em um dos muitos paraísos fiscais do planeta, interligados à City londrina 
     
    Não por acaso, o maior escândalo bancário do século XXI , a manipulação da taxa Libor, descoberta em 2012,  floresceu nesse vertedouro por onde transitam os fluxos do dinheiro frio mundial. 
     
    A indiferenciação sebosa entre isso e aquilo, na qual se transformou a alternância  política entre conservadores e trabalhistas  nesse capitalismo desregulado, afastou a juventude dos partidos e das eleições facilitando o que parecia ser uma hegemonia  incontrastável do mainstream neoliberal.
     
    Começa a se desfazer, assim, o paradoxo que só aparentemente opõe a vitória de Cameron, em maio, à esmagadora consagração do seu oposto, Jeremy Corbyn, na convenção do último sábado.
     
    A verdade pouco destacada  é que  Cameron revalidou seu mandato  com apenas 37% dos votos em um escrutínio que teve 40% de abstenção.
     
    Sim, 40%. Na média.
     
    A  taxa  chegou a até 60% entre a juventude, sobretudo em  regiões pobres de Manchester, por exemplo.
     
    Pois foi exatamente essa juventude ‘apática’, ‘apolítica’ , ‘desligada dos partidos’, ‘indiferente aos velhos paradigmas de direita e esquerda’, como diz a sociologia conveniente de Marina Silva, FHC  e assemelhados,  que se atirou de corpo e alma na campanha de Jeremy Corbyn e lhe deu o comando do trabalhismo britânico no último sábado.
     
    Foi essa a gênese do terremoto que vai sacudir o sonambulismo da esquerda europeia a partir de agora.
     
    Diante de uma referência crível, personificada na coerência e na dignidade de um velho quadro de esquerda,  a prostração arregaçou a manga e tomou de assalto o partido trabalhista,  que quase dobrou de tamanho nos últimos três meses.
     
    De 105 mil novos inscritos nesse período, 88.499 votaram em Corbyn.
     
    Do paradoxo surge a luz.
     
    Réplicas de Cameron e de sua agenda continuarão a vencer urbi et orbi sempre que agremiações de trabalhadores se distinguirem disso apenas pelo celofane, mas exalando o mesmo recheio rançoso.
     
    Sim, Corbyn terá sérias dificuldades pela frente; 2015 não é 1945; em vez do Plano Marshall a Europa hoje vive sob o tacão de Merkel e da troika ortodoxa. Os capitais desregulados fazem gato e sapato de governos e sistemas econômicos.
     
    Sim. Mas 2015 tampouco é 1979. 
     
    O fastígio neoliberal jogou o mundo na maior crise capitalista desde 1929. 
     
    E está longe de ser superada, como mostra a recidiva agora impulsionada pelas dificuldades nas economias em desenvolvimento e na China.
     
    Todo o planeta sofre a saturação social da mais lenta, errática e incerta recuperação de todas as crises vividas pelo capitalismo do século XX até agora.
     
    Quem ainda acha que o fenômeno Jeremy Corbyn não diz nada  de novo e pretende insistir no celofane da indiferenciação  pode ser surpreendido.
     
    A demanda por recheios distintos vai acabar produzindo a sua oferta: nem rendição, nem prostração, mas coerência entre desenvolvimento e democracia social.

    http://cartamaior.com.br/?/Editorial/Nem-rendicao-nem-prostracao-o-trunfo-da-coerencia/34472

     

  2. Delegado da PF fez manipulação grotesca para incriminar Lula

    Carta Maior

    13/09/2015

     

    Delegado da Polícia Federal fez manipulação grotesca para incriminar Lula

     

    A instrumentalização de investigações policiais para fins partidários ou privados é incompatível com a democracia.

     

    Jeferson Miola

     

    O delegado da Polícia Federal Josélio Azevedo de Souza fez uma manipulação grotesca no despacho entregue ao STF com o objetivo principal de incriminar o ex-presidente Lula e livrar a barra do PSDB.
     
    O documento de 218 páginas não é uma peça técnica de investigação criminal, mas um libelo recheado com apreciações e ilações políticas. É um texto que dispensa a oposição golpista e o chefe da conspiração, FHC, de fazer o serviço sujo.
     
    O despacho foi protocolado no STF às 13:34 horas de 10/09, mas não surpreende se tiver sido entregue antecipadamente na redação da revista Época, do grupo Globo, porque antes do próprio Lula saber da armação, a “denúncia” já bombava no noticiário online.
     
    A manifestação do delegado Josélio integra o volume XII do Inquérito nº 3989, instaurado no STF para investigar políticos implicados na Operação Lava Jato que gozam de foro privilegiado. O volume XII vai da página 2442 à 2660 do Inquérito, cujo arquivo podendo ser acessado aqui; nele faltam as folhas 2466, 2467 e 2468 – pode ser um detalhe irrelevante, mas em se tratando da PF, toda cautela é recomendável.
     
    Adiante são reproduzidos alguns trechos, conservando os destaques e grafias do calhamaço original:
     
    – em depoimento, Pedro Henry Neto, do PP, afirmou “QUE jamais tratou da nomeação de PAULO ROBERTO COSTA com o então Presidente LULA; QUE, igualmente, não tem conhecimento se PEDRO CORRÊA e JOSÉ JANENE trataram deste assunto com o Ex-Presidente; …” [pág. 2446 do Inquérito];
     
    – depoimento de Paulo Roberto Costa: “QUE, indagado sobre os motivos que lhe levam a crer que a Presidência da República tinha conhecimento sobre os comissionamentos proporcionados a partir da Diretoria de Abastecimento da PETROBRÁS, afirma que decorre ‘do tempo em que PAULO ROBERTO COSTA ficou na Diretoria de Abastecimento, e do conhecimento de vários integrantes do partido, tanto do PP, quanto do PT e do PMDB sobre o assunto’; QUE apesar disso o declarante afirma não dispor de nenhum elemento concreto que permita confirmar tal suposição” [pág 2650].
     
    Apesar disso, o delegado da PF, numa lógica capciosa, conclui: “Vê-se, portanto, que os colaboradores PAULO ROBERTO COSTA e ALBERTO YOUSSEF presumem que o ex-Presidente da República tivesse conhecimento do esquema de corrupção descortinado na PETROBRÁS em razão das características e da dimensão do mesmo. Os colaboradores, porém, não dispõem de elementos concretos que impliquem a participação direta do então presidente LULA nos fatos” [na mesma página 2650].
     
    Em depoimento, Paulo Roberto Costa afirmou “QUE, com relação ao mesmo [Deputado Eduardo da Fonte, do PP], sabe ainda que este participou, juntamente com SERGIO GUERRA, das reuniões para pôr fim à CPI da PETROBRÁS, e que resultaram no pagamento de Dez milhões de reais pagos pela Construtora QUEIROZ GALVÃO, na pessoa de IDELFONSO COLARES, conforme já explicitado em Termo de Colaboração próprio” [pág 2594].
     
    O delegado Josélio, entretanto, livra o PSDB, apesar da implicação direta do ex-presidente do partido: “Segundo se depreende dos fatos que ensejaram sua instauração, houve a construção de um esquema de distribuição de recursos ilícitos a agentes políticos de pelo menos três partidos políticos, PP, PMDB e PT, ..” [pág 2537].
     
    Na página 2654, outra conclusão tendenciosa do delegado tucano: “Ainda segundo PEDRO BARUSCO (fls. 156), o esquema foi institucionalizado no ano de 2003, ou seja, trata-se de um esquema que perdurou por quase 10 anos”. É bem conhecido o depoimento deste funcionário corrupto neste mesmo inquérito, revelando que o sistema de corrupção na PETROBRÁS – que está sendo decididamente investigado no governo do PT –, nasceu lá em 1997, na gestão do FHC.
     
    A Polícia Federal, a pretexto duma duvidosa “autonomia funcional”, foi aparelhada por setores da corporação que atuam como um Estado dentro do Estado: com regras, procedimentos, princípios e critérios próprios – acima das Leis e da Constituição.
     
    Os precedentes são complicados. Recentemente, o Diretor-Geral da PF, delegado Leandro Daiello concedeu uma entrevista – não desautorizada pelo Ministro da Justiça – na qual se apresentava como um quinto poder da República, ao lado do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e da mídia.
     
    A manipulação da PF no Inquérito da Lava Jato não representa apenas um ataque à figura e à honra do ex-presidente Lula, porque é também uma violência à democracia e à estabilidade política e institucional.
     
    O silêncio oficial ante um ato de tamanha gravidade enfraquece a democracia e o ideal da sujeição das polícias à ordem democrática. A instrumentalização de investigações policiais para fins partidários ou privados é incompatível com a democracia.

    Créditos da foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

    http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FDelegado-da-Policia-Federal-fez-manipulacao-grotesca-para-incriminar-Lula%2F4%2F34474

     

    • Deveria ser afastado de suas

      Deveria ser afastado de suas funções com abertura de inquérito administrativo e posterior demissão a bem do serviço público.

  3. Juiz Sérgio Moro está com processo contra senador tucano há mais

    Carta Campinas

     

    Publicado: seg, set 14th, 2015  Manchete / Política | By Carta Campinas  

    Juiz Sérgio Moro está com processo contra senador tucano há mais de 2 anos

     

     

     

    O processo, gerado a partir do inquérito que investiga o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) por desvios de recursos e lavagem de dinheiro na campanha eleitoral de 2006 e compra de votos, está parado há mais de dois anos nas mãos do juiz Sérgio Moro, o mesmo responsável pela Operação Lava Jato.

    O caso do senador tucano ficou conhecido como “Escândalo do Dinheiro Voador” ou Caso Concord e ganhou repercussão após uma operação de fiscais da Justiça Eleitoral da Paraíba e da Polícia Federal terem provocado uma chuva de dinheiro em João Pessoa.

    A denuncia da lentidão no processo foi feita presidente do PT da Paraíba, Charliton Machado, que protocolou nesta terça-feira (14) um pedido formal a Procuradoria Geral da República pedindo celeridade do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise do processo.

    Apesar de o processo estar nas mãos do juiz federal do Paraná, Sérgio Moro, Machado disse que tomou essa iniciativa para evitar que o inquérito contra o senador paraibano caia no esquecimento, assim como ocorreu com o caso do ‘Mensalão Mineiro’, esquema de lavagem de dinheiro, que ocorreu na campanha para a reeleição de Eduardo Azeredo (PSDB) ao governo de Minas Gerais, em 1998.

    O empresário Olavo Lira, conhecido como Olavinho, para não ser pego em flagrante pelos agentes federais, teria jogado R$ 400 mil do alto do edifício Concord, na capital paraibana. Foi encontrada, também, uma caixa contendo várias contas de água e energia elétrica quitadas, títulos eleitorais, camisetas amarelas, além de vários maços de cédulas de R$ 50,00, totalizando R$ 304 mil.

    No fim de 2012, a ministra Rosa Weber decretou a quebra do sigilo bancário do senador Cássio Cunha Lima e do empresário Olavinho. Segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras do MPF, eles teriam realizado várias movimentações financeiras tidas como atípicas naquele ano. (Carta Campinas com informações de divulgação)

    http://cartacampinas.com.br/2015/09/juiz-sergio-moro-esta-com-processo-contra-senador-tucano-ha-mais-de-2-anos/

     

  4. O problema do Brasil não é a despesa, é a receita. E o poder

    Do Tijolaço

    O problema do Brasil não é a despesa, é a receita. E o poder

     

    O economista André Perfeito, da Gradual Investimentos, é dos poucos que usa os números da economia como elemento de raciocínio com mais peso que a simples repetição do mantra “corta-corta” do neoliberalismo.

    É elaborado por ele e publicado em seu facebook o gráfico aí de cima, com a sua avaliação do que ele mostra: ” Vemos na ponta que o que caiu foi a receita, não foi a despesa que subiu. Em tempo: a despesa não cresceu segundo sua tendência. Isto sugere que o ajuste vai ser no fim do dia no aumento de impostos.”

    O trabalho de Perfeito tem várias constatações que “batem de frente” com o “diagnóstico” supérfluo que fazem de nossa economia e, sobretudo, de nossas contas públicas.

    Não houve “explosão” de despesas públicas, ao contrário. Nem por “excesso” de programas sociais, nem por “gigantismo” de programas de investimento público.

    O insuspeito economista Mansueto de Almeida – integrante da equipe de Aécio Neves na campanha eleitoral do ano passado (sim, a campanha eleitoral foi no ano passado, nem parece, não é?) – apresenta, em seu blog, um resumo bem esclarecedor sobre como se distribuem as despesas de custeio da União, excluídas as transferências constitucionais obrigatórias, com dados acumulados de janeiro a maio deste ano: dos R$ 312 bilhões gastos, “R$ 268,66 bilhões (88,88%) são despesas de cinco funções sociais: assistência social (LOAS, Bolsa Família e Serviço Social de Proteção Básica);  Previdência (pública e INSS); Saúde,  Trabalho (seguro desemprego e abono salarial); e  Educação”. Somando-se subsídios à atividade econômica, desoneração das folhas de pagamento (redução de impostos, portanto) e pagamento de sentenças judiciais, chega-se a 94,3%  dos gastos.

    É claro que em todos estes setores se pode fazer economia, racionalizações e mesmo cortes.

    Mas o gráfico elaborado por André Perfeito mostra que isso, embora deva ser feito, é gota d´água.

    Pior: além de um certo ponto, é veneno, porque faz cair a atividade econômica e, com ela, a receita de impostos.

    E, da capo, a mesma trágica sinfonia.

    É por isso que ceder além de um certo ponto nas exigências – que são políticas, não econômicas – de cortes pesados nas despesas públicas  não é uma concessão, é um suicídio.

    Conviver com deficit, ao contrário do que se apregoa, não é mortal e é assim que o mundo está vivendo, com muito maior expressão do que o 0,5% do PIB que está sendo apresentado aqui como a “morte do Brasil”.

    Hoje, ainda, o site de dados econômicos The International Spectator publica no twitter os dados do deficit ou superávit de países selecionados. Você confere ao lado a turma “gente boa” que tem deficits muito maiores.

    Pode-se procurar em toda a imprensa mundial e não se encontrará – senão em relação à Grécia, antes do acordo com a UE e o FMI – nenhuma gritaria exigindo zero déficit ou o “queremos superavit” que campeia aqui.

    Pela simples razão do que o que se busca aqui não é a recuperação da economia, mas recuperar o poder.

    Sem voto, claro.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=29586

     

  5. E aí, Dr. Moro, como é que fica essa esculhambação?

    Youssef financiou Álvaro Dias. Vem ao caso, Dr Moro?

      publicado 14/09/2015 no Conversa Afiada Youssef rouba, delata ao Moro, rouba, delata ao Moro, rouba, delata ao Moro …

    Do Nassif, através do Viomundo:

     

    Em depoimento à CPI da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef confirma que financiou a campanha do tucano Álvaro Dias
     

    do GGN, sugestão de FrancoAtirador

    Em depoimento concedido à CPI da Petrobras, na Câmara dos Deputados, dia 25 de agosto, o doleiro Alberto Youssef confirmou que fez e financiou a campanha do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), sendo parte do dinheiro desviado da prefeitura de Maringá (PR).

    Ao ser perguntado pelo relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-Rio), se teria alugado um jato utilizado tanto pelo doleiro como por políticos de Maringá, Yossef respondeu que na época fez a campanha do parlamentar com o auxílio do avião. “Parte dessas horas voadas foram pagas pelo [Luiz Antônio] Paolicchi, que foi secretário da Fazenda da prefeitura de Maringá”, confirmou.

    Veja a seguir o trecho da entrevista:   [video:https://vimeo.com/139071343 align:left]           

     

  6.  
    http://www.redebrasilatual.

     

    http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2015/09/ato-unificado-da-cut-na-paulista-representa-1-8-milhao-de-trabalhadores-9567.html/
     

    Ato unificado da CUT na Paulista representa 1,8 milhão de trabalhadores

    São Paulo – Será realizado amanhã (15), às 10h na avenida Paulista, em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o primeiro ato unificado da campanha salarial 2015, organizado pela CUT.

    A manifestação vai reunir metalúrgicos, bancários, químicos e comerciários, entre outras categorias, representando cerca de 1,8 milhão de trabalhadores. O ato tem como tema a defesa da democracia, do emprego e do salário.

    Hoje, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, reafirmou a posição da central em defender a manutenção do mandato da presidenta Dilma diante da ameaça do Congresso de aprovar o processo de impeachment.

    Segundo Freitas, um rompimento criaria espaço para que as forças conservadores atacassem com muito mais força os direitos trabalhistas, as políticas públicas de distribuição de renda criadas ao longo dos últimos 12 anos, o emprego e a renda.

    “A tentativa de golpe contra a presidenta da República não é motivada pelo combate à corrupção ou outras razões. Os setores que não respeitam o resultado das urnas querem na verdade aprofundar um clima que facilite a retirada de direitos, o achatamento dos salários, criação da idade mínima para aposentadoria, terceirização sem limites, enfim, basta observar as propostas que estão sendo defendidas no Congresso e por setores da mídia”, disse Vagner.

    “Ou você acredita que quem quer entrar no lugar da presidenta vai continuar se preocupando em manter programas sociais importantes criados pelo governo Lula e Dilma”, questiona o presidente da CUT.

    Além do ato em São Paulo, os dirigentes da CUT estão programando manifestações das categorias com data-base no segundo semestre em outras cidades do Brasil. Os trabalhadores querem deixar claro que não vão pagar a conta da crise econômica; e não vão permitir ataques aos direitos dos trabalhadores, como a terceirização em todas as atividades das empresas, como prevê o projeto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está tramitando no Senado.

    Durante o ato de amanhã, os dirigentes da CUT-SP, eleitos no mês passado para o mandato 2015-2019, vão tomar posse em plena Avenida Paulista. Segundo o presidente eleito, Douglas Izzo, a posse na rua é simbólica porque mostra à população que a CUT é das ruas, sempre esteve e sempre continuará nas ruas.

    Também participarão do ato outras categorias que, apesar da data-base ser no primeiro semestre, ainda não concluíram as negociações com os patrões, como é o caso do setor público. Na capital paulista, os servidores municipais e de autarquias ainda lutam pelo atendimento da pauta de reivindicações de 2014.

    Cada categoria tem sua própria pauta de reivindicação. O que as unifica é a defesa da democracia e a busca por saídas econômicas que não prejudiquem ainda mais os trabalhadores e que revertam as perspectivas de fechamento de vagas de trabalho.

     

     Um dos principais objetivos da Campanha Salarial Unificada é fortalecer a defesa dos empregos. E, portanto, defender a Petrobras, que vem sofrendo seguidos ataques dos setores conservadores. A rede de fornecedores do setor petroleiro é formada por cerca de 70 mil empresas, que têm sido prejudicadas pelo modo como as investigações da Operação Lava Jato vem sendo conduzidas e o resultado são centenas de trabalhadores desempregados. Até agora mais de 40 mil trabalhadores já foram demitidos, entre eles, 11,5 mil só das obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

     

    A CUT defende uma investigação profunda, transparente e democrática, sem prejuízo ao processo de desenvolvimento econômico e social iniciado em 2003 pelos governos do PT, longe dos holofotes da mídia que transforma tudo em espetáculo, desde que as suspeitas atinjam os ‘inimigos’ de sempre: o PT e os movimentos social e sindical.

    Máquinas e eletrônicos oferece 7%

    Em rodada de negociação da campanha salarial, realizada hoje na sede da Abimaq, a bancada patronal do Grupo 2 (máquinas e eletrônicos) ofereceu reajuste salarial de 7% para a FEM-CUT-SP. A data-base do ramo metalúrgico cutista é 1º de setembro e dos 200 mil trabalhadores em campanha na base da FEM no estado de São Paulo, cerca de 41% trabalham nas empresas do G2.

    Para o presidente da FEM-CUT-SP, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, a proposta está bem longe do que espera a categoria metalúrgica. “Não contempla nem o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do período da nossa data-base, que fechou em 9,88%. Nossa reivindicação é a reposição integral do INPC e mais aumento real, que negociaremos”, frisou.

    Luizão reforça que a FEM seguirá a estratégia de anos anteriores, sem criar nenhum número de fantasia, e lutará por um reajuste que não só recomponha os salários, mas que traga aumento real, valorizando desta forma o poder de compra dos trabalhadores.

     

     

  7. Dilma não ouviu nem avisou Lula, Temer, Renan, Cunha…

    Dilma não ouviu nem avisou Lula, Temer, Renan, Cunha…

    Presidente opta por agir de forma isolada a fim de evitar vazamentos

    KENNEDY ALENCAR 
    BRASÍLIA

     

    A presidente Dilma Rousseff decidiu não avisar o ex-presidente Lula das novas medidas econômicas nem se reunir previamente com os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, para ouvir eventuais sugestões e amarrar apoio político.

    Com medo de vazamentos, Dilma optou por divulgar as propostas de cortes de despesas e de elevação de tributos de um modo diferente do combinado em reunião na semana passada com o vice-presidente da República, Michel Temer. O roteiro acertado seria anunciar antes os cortes para, num segundo momento, buscar aumento de receita por meio de elevação de tributos.

    A ideia seria costurar acordo político antes de fazer um movimento tão audacioso, pois há resistências na base de apoio do governo no Congresso a aumentar a carga tributária. Mas Dilma optou, mais uma vez, por agir sem consulta prévia a políticos, empresários e sindicalistas.

    A forma como o governo divulgou o pacote econômico de hoje está sendo vista pelo PT e pelos aliados como mais um complicador para aprová-lo no Congresso e nas negociações com outros setores da sociedade, como o funcionalismo e o empresariado.

    No PT, há queixas de que lideranças dos movimentos sociais não foram chamadas para dar sugestões sobre propostas que afetam sindicalistas que lidam com o funcionalismo e os aposentados.

    Dilma fechou os detalhes finais das medidas apenas com os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Nelson Barbosa (Planejamento) e Joaquim Levy (Fazenda). Politicamente, a forma como a presidente agiu pode afetar seriamente a chance de sucesso do pacote de corte de gastos e de aumento de impostos.

    São propostas duras e necessárias para fortalecer a política fiscal, mas elas precisam sair do papel. Se depender da articulação política feita por Dilma, será difícil isso acontecer.

  8. No mundo de hoje não basta

    No mundo de hoje não basta combinar com a assessoria, com os bancos, e com o espólio o Roberto Marinho para sair bem na foto. Começou a reação ao pacote absurdo, e apenas o vídeo abaixo tem algo como 1.000 vizualizações voluntárias por hora, de gente focada em um objetivo. Mais do que a audiência da maioria das redes de TV. Fora a briga comprada à toa, por falta de compromisso e palavra com os servidores já empossados, que vêm tomando balão desde tempos imemoriais.

    [video:https://youtu.be/_zV_u2ItBYo%5D

     

    —————

     

    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/09/1681731-presidente-e-avisada-de-que-servidores-federais-preparam-greve-contra-ajuste.shtml

     

  9. E como ficam os professores nesta situação?

    Será que os professores terão a ousadia de repreender alunos deste calibre? E está evidente que não é um caso isolado.

     

    Estudante é morto por colega em sala de aula em Ceilândia (DF)

    Jéssica Nascimento
    Colaboração para o UOL, em Brasília

    Um estudante de 17 anos morreu na sala de aula de uma escola pública de Ceilândia (DF) na noite desta segunda-feira (14), após ter sido esfaqueado por um colega de 16. Os dois teriam brigado devido a uma brincadeira com bolinhas de papel no Centro de Ensino Médio 02.

    De acordo com a capitã oficial do Batalhão de Policiamento Escolar da PM, Cristiane Caldeira, o estudante que matou o colega havia recebido ameaças da vítima. “Após uma discussão devido à brincadeira com bolinha de papel, o acusado foi até o banheiro. A vítima foi atrás e continuou ameaçando-o e fazendo picuinhas”.

    Com isso, o adolescente tirou um canivete do bolso e atingiu o pescoço da vítima. Mesmo ferido, o jovem conseguiu voltar para a sala de aula, mas chegando lá foi golpeado mais duas vezes. O Serviço Móvel de Atendimento de Urgência (Samu) chegou a ser chamado, mas o estudante não resistiu aos ferimentos e morreu dentro da escola. O acusado foi encaminhado para o DCA (Delegacia da Criança e do Adolescente).

  10. Que família! O pai lascou o Dirceu, a filha quer ferrar o Lula

     

    Coerência é isso aí.

     

    Filha de Jefferson quer “Lula nunca mais” na Constituição

     

    Notícia do jornal O Dia:

     

    Filha do delator do mensalão, o ex-apenado Roberto Jefferson — que manda no PTB, agora na oposição — a deputada federal Cristiane Brasil acaba de protocolar a PEC 125, que pode ser o fim da carreira de Luiz Inácio Lula da Silva, se aprovada. O texto proíbe a ‘reeleição por períodos descontinuados para cargos do Executivo’, desde prefeitos até presidente da República. A proposta tem a simpatia de todos os partidos da oposição. Presidente da Câmara, Eduardo Cunha diz não saber de nada.

     

    Realmente, Lula é capaz de despertar nessa gente os instintos mais primitivos.

     

     

    • Tal pai tal filha…

      Conhecido no bairro em que morou antes de entrar na política, como advogado de porta de Xadrez e também chamado pelos que o conheciam,  de salafrário, boas coisas não deve ter passado à filha. Filha essa, que para se elger enganou os velhinhos do Rio. E com a conivência do prefeito. 

    • Difícil passar

      Mailson,

      digo a vc o mesmo que disse lá no Viomundo. Os políticos que assinaram tal proposta atiraram no que viram mas vão acertar no que não viram.

      Deputado do PT mineiro que assina a proposta mira em Aécio mas acerta no Lula.

      Tucanos que miram no Lula acertam Aécio , Serra e Alkmin.

      Como o PSDB tem mais dificuladades em renovar seus quadros e os caciques não largam o osso se apoiarem tal proposta estarão dando um tiro no pé.

      Miram no que vêem e acertam o que não vêem: O próprio rabo.

  11. A história da bicicleta em São Paulo

    No blog São Paulo Antiga

    As bicicletas ultimamente estão no centro das atenções aqui na cidade de São Paulo. Ciclovias, ciclofaixas e eventos relacionados a ela estão trazendo a tona o debate em torno da mobilidade urbana e criando discussões acaloradas tanto a favor como contra este tipo de transporte.

    Recorte de revista de 1896 (clique para ampliar)

    A questão é que muitos alegam que a cidade não foi feita para as bicicletas ou que bicicleta não é transporte público e deve ser utilizada apenas para o lazer. Para mostrar no contexto histórico que esta é uma cidade que sempre esteve aberta as bicicletas, fomos pesquisar em reportagens do século 19 e início do século 20 para, quem sabe, desmistificar esta longa discussão.

    QUEM VEIO PRIMEIRO ? O OVO OU A GALINHA ?

    A eterna discussão sobre se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro também pode se aplicar a carros e bicicletas. Mas neste caso teremos um empate, ao menos técnico. É que tanto um como o outro chegaram a São Paulo na mesma época, na última década do século 19.

    Anúncio de bicicletas à venda em jornal de 1898

    Enquanto os veículos desembarcaram pela primeira vez no Porto de Santos em 1893, trazendo um Peugeot Type 3 para a família de Santos Dumont, há relatos de que as bicicletas chegaram na capital paulista no ano seguinte, em 1894.

    Enquanto o automóvel custava uma fortuna e era algo impossível de ser comprado pela grande maioria da população, as bicicletas eram bem mais acessíveis e muito mais fáceis de usar.

    Isso fez com que logo a bicicleta se popularizasse por aqui, tal qual acontecia na Europa e Estados Unidos. A figura da aristocrática e benfeitora paulistana Veridiana da Silva Prado foi fundamental para esta popularização. Fora em suas terras, na Consolação, que foi criado o Velódromo Paulistano. O local é onde hoje encontra-se a Praça Roosevelt.

    O velódromo da Consolação em fotografia de 1915

    O local fora construído não apenas para a prática do velocípede (como costumavam dizer a época), mas também para outras modalidades esportivas como corridas, atletismo e até futebol. Porém era o ciclismo que atraia inicialmente grandes multidões em seus torneios e competições. O recorte abaixo, de 17 de setembro de 1895, faz menção a um desses eventos.

    A popularização das bicicletas em São Paulo não só agradou a boa parte da população, especialmente os de baixa renda que não podiam ter um automóvel, como movimentou e aqueceu o mercado, com várias lojas colocando-as à venda e o surgimento de ao menos uma publicação dedicada.

    “A Bicycleta” semanário editado na capital paulista a partir de 1896

    Possivelmente a primeira revista brasileira dedicada exclusivamente para bicicletas e adeptos do ciclismo, a revista “Bicycleta” era uma semanário que surgiu em 1896. São raros os exemplares sobreviventes e devido a isso não se sabe quantas edições foram produzidas ao todo, sendo que ao menos 16 são conhecidas.

    Inspirada na publicação francesa “Bicyclette”, a edição da revista ficava a cargo de Otto Huffenbächer, natural de campinas e que além de empresário (tinha uma tipografia), era exímio ciclista.

    Huffenbächer é talvez o maior exemplo do esquecimento que o Brasil tem de seus personagens. A ele podemos atribuir não somente o pioneirismo na edição de revistas deste segmento, como também o fato de ser o primeiro grande atleta paulista – e talvez nacional –  dedicado ao ciclismo. Não há sequer uma rua ou praça que faz uma lembrança a ele.

    Uma vez popularizada em São Paulo, a bicicleta foi incorporada ao cenário cotidiano de São Paulo, e era encontrada por todos os cantos da cidade, por pessoas de todas as faixas de renda e etárias, e era desde aquele momento uma alternativa de transporte, sendo mais ágil até que os lendários bondes movidos a tração animal da Viação Paulista.

    Apesar desta popularidade não havia por aqui naquele momento fábricas de bicicletas. Todas elas eram importadas de países como Inglaterra, França e Estados Unidos, com mostram os anúncios a seguir.

    Como qualquer tipo de transporte, a bicicleta também teve seus acidentes. Nas primeiras décadas do século 20, não eram raros os casos de atropelamento de ciclistas por parte de bondes e automóveis, similares aos que vemos hoje com ônibus e carros modernos.

    A imperícia no pedal também causava acidentes, muitas vezes graves, aos ciclistas:

    Nota de jornal em 1930

    E por outro lado, bicicletas também causavam acidentes a pedestres. A nota abaixo, de 1910, mostra um caso muito similar a um ocorrido em agosto de 2015, mostrando que este tipo de ocorrência não surgiu nos tempos atuais.

    Atropelaram a Dona Santa… (1910)

    É por isso, que desde ao menos 1904 as bicicletas passaram a ter uma chapa de identificação tal qual a de veículos, como pode ser observado no recorte de jornal acima. Isso trazia muita facilidade na punição no caso de acidentes e na prevenção de furtos.

    As placas permaneceram como praxe em São Paulo até, pelo menos, o final da década de 50. Depois, foram deixadas de lado pelo poder público, que com isso encerrou a fiscalização deste meio de transporte.

    AS BICICLETAS NA IMPRENSA:

    Como toda novidade que surge, a bicicleta era também tomada por certo ceticismo por parte da imprensa. Em 1904 a bicicleta era retratada em artigo do Correio Paulistano como um modismo passageiro. E era comparado com outro esporte que segundo o mesmo artigo também era outra febre temporária: o futebol.

    Por outro lado, os mesmos jornais que tratavam as bicicletas como algo que “logo será esquecido”, davam dicas de como o ciclistas deveriam fazer uso de suas bicicletas. Os recortes abaixo, ambos de 1898, mostram resumidamente o porque de pedalar e quais recomendações os ciclistas devem seguir.

    O QUE O PASSADO TEM A NOS ENSINAR:

    A história existe para ser conhecida por todos. Se ela está para nós para que não venhamos a repetir os erros do passado, também é adequada para aplicarmos no presente os acertos de outrora.

    É um retrocesso imenso quando a discussão de bicicletas ocupando suas faixas são vistas como inimigas da mobilidade. Parece que estamos em 2015 mais atrasados do que aqueles que em pleno século 19 partilhavam as vias públicas com todos os modais. E naquela época ainda existiam cavalos e burros fazendo transportes pelas ruas da cidade.

    Bicicleta à venda pelo equivalente hoje a R$1000,00

    O passado também mostra que precisamos, tal qual naquela época, de mais espaços para as bicicletas, juntamente com automóveis e coletivos, transportando junto a todos os paulistanos. Cada um com o meio que melhor lhe convém.

    E por fim a história dá uma solução a um problema atual: ciclistas que não respeitam pedestres e que eventualmente causam acidentes no trânsito, podem ser fiscalizados e punidos se houver uma licença, tal qual as placas antigas.

    Parece que realmente a solução do presente está no passado.

    EXTRAS:

    1 – Como complemento a matéria, abaixo um anúncio de 1898 do Velódromo Paulista, mostrando todas as atividades que costumeiramente eram realizadas no local. Havia venda, aulas de bicicleta (para quem adquirisse uma ali), além de competições e também consertos e reparos:

    2 – Para quem nunca viu ou ouviu falar, esta é uma antiga placa de identificação de bicicleta, usada em São Paulo:

    E você, anda de bicicleta em São Paulo ? Deixe suas impressões e comentários.

    http://www.saopauloantiga.com.br/a-bicicleta-em-sao-paulo/

  12. “Corrupção não escandaliza em tempos de vacas gordas”: o economi

    “Corrupção não escandaliza em tempos de vacas gordas”: o economista Gilson Schwartz no DCM

    Postado em 15 set 2015por : 

      

     

    Levy

      

     

     

    O professor e pesquisador Gilson Schwartz tem uma extensa formação que inclui duas graduações na USP, em economia e ciências sociais, além de mestrado e doutorado pela Unicamp e pós-doutorado na Universidade de São Paulo. É também blogueiro no site da revista Exame.

    Schwartz atuou como jornalista, foi economista-chefe do BankBoston sob a gestão Henrique Meirelles, antes de virar consultor do BID. Ajudou a criar, dentro do Instituto de Estudos Avançados da USP, o projeto de pesquisa Cidade do Conhecimento em 1999 e trouxe a iniciativa Games For Change de Nova York para São Paulo em 2011. É um dos poucos economistas a abordar a importância dos jogos eletrônicos em suas pesquisas.

    O DCM entrevistou Gilson Schwartz para entender suas críticas ao ajuste promovido pelo ministro Joaquim Levy, além dos problemas ideológicos de economistas que insistem no desmonte do estado durante as crises econômicas.

    Em um texto recente, você diz que é um erro atrelar o ajuste fiscal às chamadas pedaladas do governo Dilma. Como deveriam ser feitas as reformas em nossa economia, na sua opinião? 

    Há um debate sobre o modelo econômico brasileiro, sobre a chamada “nova matriz macroeconômica” que seria a “herança maldita” de Guido Mantega. Isso envolve a tropicalização do estado do bem-estar social e ainda sobre as opções geopolíticas que passam pela economia política do petróleo, da água e da biomassa. São debates abertos e opções políticas mal cicatrizadas que explicam o tiroteio no escuro de propostas de “ajuste fiscal”.

    Nós já temos até PhDs em Brasil que pontificam em universidades estrangeiras discutindo detalhes dos benefícios previdenciários brasileiros. Dá a impressão de que eles cobiçam ocupar a cadeira do Joaquim Levy. Eu ouso destoar desse coro dos descontentes pois, em minha visão, nosso principal problema  é a “falsificação” do sistema de preços desde 2012, ancorando a inflação em remendos típicos de ciclos políticos e agravando o desequilíbrio essencial no sistema de preços relativos, a taxa de câmbio.

    Esse fator ameaça a estabilização de preços como meta estrutural de longo prazo. Como fazer uma maxidesvalorização cambial, desengessar os preços relativos domésticos e ainda fazer a lição de casa realinhando incentivos e subsídios? Ninguém é insano a ponto de negar que parte do desequilíbrio de preços relativos, que inclui o diferencial entre taxas de juros de bancos públicos e as taxas de mercado, tem origem fiscal. Mas daí a transformar a correção de preços e reinserção da economia brasileira no comércio internacional em crise estrutural do Estado vai uma longa distância, teórica, prática e ideológica.

    Sobre a qualidade da nossas instituições de gestão das finanças públicas, e mesmo vigilância da corrupção, as evidências que citei em meu post no blog da Exame são de um trabalho científico com método econométrico que avalia o sistema brasileiro. Esse levantamento compara com a suposta eficácia maior do controle da coisa pública pelo Estado de exceção que foi ditadura militar brasileira. A democracia saiu ganhando dentro dessa pesquisa acadêmica.

    Você qualifica os cortes nos gastos públicos como uma “ideologia de grupos com grande poder” que influenciam inclusive a mídia. Existe uma camada social de rentistas?

    Num momento de recessão e alta dos juros, o rentista preocupa-se obviamente com a origem da receita que fará o serviço da dívida pública, ou seja, a fonte de sua renda. É o superávit nas contas públicas. Esse é o conflito distributivo central, mas não é o único. A gritaria é geral e multifacetada. Para eles, extrair renda do governo parece uma solução equânime, distribuída por meio de fórmulas matemáticas e atuariais capazes de prever com exatidão a solvência e a sobrevivência de cada um.

    Não sou contra o corte de gastos ou o aumento da eficiência da máquina pública. Como sempre, o momento de crise acentua o conflito distributivo. Quando alerto para o canto de sereia da narrativa conservadora que manda fazer “sacrifícios” e “apertar o cinto”, não é por querer prolongar a farra do consumo com crédito a perder de vista sem garantias, não é uma ojeriza a poupar para o futuro ou pagar a conta dos excessos recentes.

    O forte do rentista e dos economistas que repetem os mantras do ajuste fiscal estrutural, muitos a serviço do rentismo especulativo, é o plano de curto prazo, é a hidráulica keynesiana, um pensamento de funilaria econômica. Do meu ponto de vista, a questão do crescimento é equacionada com a correção no sistema de preços relativos e o próximo ponto de equilíbrio acontecerá num nível mais elevado de crescimento econômico, produtividade e transparência fiscal e financeira.

    É uma visão pragmática e liberal. O grito desesperado por uma reforma do estado e reversão do incipiente governo de bem-estar social tropicalizado no Brasil é reacionário e pouco afeito à ordem democrática. Isso já é visível entre os economistas. Os mais sérios já percebem os efeitos positivos da megamáxi cambial e lembram da incrível plasticidade e velocidade de recuperação da economia brasileira. Ou seja, olham preços relativos e alocação dos fatores de produção, não apenas planilhas financeiras ditadas pelo rating das agências de risco financeiro.

    Você separa a corrupção que está sendo apurada na operação Lava Jato da crise econômica. Por quê?

    O debate é expressão do conflito distributivo, uma questão estrutural e que diz respeito à definição no longo prazo do tipo de sociedade que desejamos do ponto de vista de inclusão social, urbanidade, competitividade, inovação, direitos humanos, entre outros valores. É uma discussão legítima e deve ser feita sempre abertamente. Não considero o pensamento conservador viciado ou medíocre, ele apenas tem lado e frequentemente é tão anticientífico quanto a vulgata marxista.

    Outra coisa é a corrupção, seus efeitos econômicos e políticos. Se ainda estivéssemos no auge das commodities e com grau de investimento e o Petrolão viesse à tona, quero crer que estaríamos todos igualmente escandalizados e envergonhados. O esgotamento de um ciclo de consumo com âncora cambial e crédito farto nada tem a ver com maior ou menor corrupção. Resta saber se a corrupção escandaliza tanto nos tempos de vacas gordas, mas essa é uma questão moral e não econômica.

    Gilson Schwartz

     

    Em sua opinião, em que medida a corrupção agrava a situação e a saúde da economia brasileira?

    É difícil de quantificar. Até na Petrobras houve meses de controvérsia para estimar o impacto e até agora nem todo mundo ficou convencido. Há ações na Justiça americana e isso apenas envolvendo uma única empresa. Seja qual for o nosso “quantum” de corrupção, pela dimensão dos processos envolvidos, pelo tamanho do país, uma taxa de câmbio artificialmente valorizada queima centenas de vezes mais dinheiro, empregos e renda que a corrupção mais deslavada.

    O mesmo vale para uma taxa de juros em estado permanente de “overshooting”. Agora câmbio ou juros errados num país com muita corrupção em postos estratégicos do Estado é o pior cenário possível.

    Como você avalia o primeiro mandato Dilma? Foi a primeira gestão de Dilma responsável por esta crise econômica ou ela vem de trás, nas duas gestões de Lula?

    Há três processos com temporalidades distintas que se sobrepõem na conjuntura atual. O ciclo mais curto é de natureza estritamente política, tem a ver com a inércia que o instituto da reeleição injeta na economia. O ciclo político é a expressão natural da atração fatal entre governante candidato e extensão populista de políticas de inclusão. Quando funciona, é sabido que o “day after” é geralmente de “overshooting” do freio de arrumação.

    Nem Dilma, nem Lula inventaram o ciclo político e é razoável acreditar que é um processo inevitável sobretudo nas democracias. Outro processo, mais complexo, é o esgotamento do ciclo de crescimento mundial após a crise de 2008, que só agora está de fato batendo nos BRICs, sobretudo China e todo o modelo de divisão internacional do trabalho dos últimos 50 anos. Todos os “milagres” parecem agora menos dignos de fé. Esse é um ajuste mundial que já pode ser caracterizado como uma década perdida, em escala internacional.

    Entre o ciclo político de curto prazo e o ciclo mais longo das transformações mundiais, vejo a Era Lula como um início de novo modelo de desenvolvimento e organização do Estado cujo sucesso depende ainda de reformas. O sistema está estressado e não está esgotado. Deu pane, mas não pânico.

    Você diz que quem opõe recessão econômica a ajuste fiscal ou é ignorante ou tem má-fé. Basta então um ajuste de preços? A crise é menos complicada do que aparece?

    Acho a crise bem menos complicada do que parece, ao menos do ponto de vista econômico. O ajuste de preços inclui perdas salariais e é bom explicitar isso. Mas o Brasil competitivo, com a casa arrumada nos gastos contidos e receitas organizadas, não está condenado à recessão e ao desmonte irrefletido do estado.

    Você acredita que a academia – e a USP, por exemplo – pensa de uma maneira diferente do mercado financeiro e dos economistas que são consultados pela imprensa? Por quê?

    A academia tem mais diversidade e tempo de pensamento e produção. Cuidado, não estou a falar de “qualidade de pensamento”. Eu mesmo já fui economista-chefe num banco e sei que muitas das nossas melhores inteligências trabalham em instituições financeiras. O tempo do mercado, no entanto, é o curtíssimo prazo. A referência comportamental dele é o instinto de manada e o interesse em jogo é patrimonial e creditício. Nada de intrinsecamente abominável, mas condiciona, limita e inibe outros vieses. Ainda que obviamente atenda a interesses de clientes, milhões de clientes mundo afora.

    Acadêmicos pensam com menos estresse, tem tempo e interesse por processos de longo prazo, os chamados “datasets” mais complexos. No máximo, eles arriscam a recusa de um “paper” e não a evasão em massa de clientes em pânico porque o governo pode dar um calote a qualquer momento.

    Voltando para a situação econômica, como você avalia a tendência do governo em taxar serviços como Netflix e Whatsapp? E a proibição do Uber em São Paulo?

    É querer tratar a febre controlando o termômetro. Há uma nova lógica na emergência de serviços digitais que o modelo tributário criado ao longo da civilização analógica é incapaz de captar. Sim, esses são exemplos de que o Brasil precisa de sérios ajustes no sistema tributário e no modelo de Estado para fazer o “catch-up” com a economia da informação e a sociedade do conhecimento. Parecem casos localizados, insignificantes, e de fato ainda são, mas já revelam uma tendência que obriga a repensar nossa cunha fiscal.

    Acompanhei o lançamento de um celular chamado Quantum Go, feito com a Positivo. O aparelho está sendo produzido com custos reduzidos e vendas na internet. O empresariado brasileiro deve pensar em modelos de negócio que abusem da tecnologia para redução de custos?

    Tecnologia reduz custos, aumenta a produtividade e mais tecnologia certamente tornará o Brasil mais competitivo. Mas também nesse caso a incidência de impostos está sob pressão. Acaba de ser assinado um importante pacto fiscal global pela tecnologia de informação e comunicação e o Brasil ficou de fora. Essa é a questão a meu ver central. Não adianta estimular uma nova matriz macroeconômica se não houver também sincronia e consistência com uma matriz sócio-tecnológica. Se o consumo cresce mais rápido que a nossa oferta de tecnologia, a pressão fiscal e cambial é incompatível com um equilíbrio macroeconômico de longo prazo.

    Por fim, o senhor acredita que a presidente cairá com a atual crise política? Se cair, será por culpa da conjuntura econômica ou por falhar em sua articulação no governo?

    Acredito que o sistema político sai renovado e o mandato presidencial será honrado sim. Não sou filiado e nunca fui a qualquer partido político.

     

  13. Lava Jato: grampo no fumódromo da PF do Paraná era ilegal, apont

    Lava Jato: grampo no fumódromo da PF do Paraná era ilegal, aponta despacho

    Por Marcel Frota – iG Brasília | 

     

    15/09/2015 09:00

     

    Em resposta a requerimento da CPI da Petrobras, Ministério da Justiça confirma em documento à Corregedoria da PF que escuta na superintendência do Paraná não tinha autorizaçãoFernando Frazão/Agência BrasilVersões sobre grampo na delegacia da Polícia Federal não coincidem

    Assinado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o aviso 1281/2015, é uma resposta a um requerimento de autoria do deputado Aluisio Mendes (PSDC-MA) que questiona as providências tomadas a respeito de supostos grampos ilegais na Superintendência da Polícia Federal do Paraná – onde se concentram as investigações sobre a Operação Lava Jato. Nele, Cardozo encaminha o despacho 5607/2015, com pedido de informações sobre investigações que apuram a denúncia de localização de escuta no fumódromo da Superintendência, apesar do questionamento de Mendes ter sido feito a respeito da escuta encontrada na cela do doleiro Alberto Yossef. O despacho informa que o “o equipamento não foi instalado com autorização judicial”.

    O despacho encaminhado pelo próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é assinado pelo delegado de Polícia Federal Alfredo José de Souza Junqueira. Foi uma resposta ao requerimento parlamentar de informação de Rubens Bueno (PPS-PR). Acabou sendo usado também pelo ministro para responder a Mendes, que perguntara a respeito do grampo encontrado dentro da cela de Youssef, preso desde o dia 17 de março de 2014 na Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Ou seja, Mendes pergunta uma coisa e recebe como resposta outra.

    Apesar de frustrante para o parlamentar, o documento encaminhado é uma manifestação oficial a respeito de um dos grampos encontrados na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná. Em março de 2014, Youssef mostrou a seu advogado um dispositivo de captação ambiente encontrado sobre o teto de sua cela. Uma sindicância foi instalada para apurar a presença do grampo.

    Presidida pelo delegado Maurício Moscardi Grillo, chefe do Grupo de Investigações Sensíveis (GISE), a sindicância concluiu que “o aparelho de interceptação ambiental encontrado no forro da cela 5 da custódia da Polícia Federal no Estado do Paraná estava inoperante e teria sido colocado naquele local em outro momento investigativo e com autorização judicial”. Ainda, que “Youssef e sua defesa difundiram o fato de maneira irresponsável na convicção de tumultuar e ocasionar alguma espécie de nulidade formal para a operação Lava Jato”.

    Essa sindicância foi questionada e classificada como fraudulenta por alguns ou “criminosa” nas palavras de Mendes. Uma investigação foi conduzida pelo Delegado de Polícia Federal Mario Fanton e diante de diversas lacunas encontradas nessa primeira sindicância, uma segunda foi instalada, ainda sem ter concluído seus trabalhos. É justamente o delegado Alfredo José de Souza Junqueira quem está responsável por essa segunda sindicância, o mesmo que assina o despacho dando informação de que o grampo encontrado no fumódromo é ilegal.

    Disputa interna na PF
    A CPI da Petrobras ouviu o agente supostamente responsável pela instalação do grampo. Dalmey Fernando Werlang, agente da PF, em oitiva fechada na CPI da Petrobras realizada em 2 de julho disse aos deputados que foi o responsável pela instalação do grampo na cela de Youssef em março de 2014. Um ano depois, na quinta-feira anterior à Semana Santa deste ano, teria instalado o grampo no fumódromo. Segundo relato feito aos deputados, Werlang afirma que colocou a escuta no fumódromo a pedido de Daniele Gossenheimer Rodrigues, delegada-chefe do Núcleo de Inteligência.

    Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência BrasilYoussef, com o microfone, mostrou o grampo na cela da PF para seu advogado

    “Uma semana antes [da Semana Santa], a delegada Daniele veio com essa demanda, algo que teria sido tratado com ela e com o Igor [Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado, que é também marido de Daniele]”, contou Werlang aos deputados. Segundo disse aos parlamentares, a suposta demanda da delegada teria por traz uma disputa política entre os policiais federais acerca de métodos empregados na Operação Lava Jato, em especial a utilização de um grampo na cela em que Youssef dividiu com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, nos primeiros dias da operação, em março de 2014.

    “Percebi que a intenção era justamente, vamos dizer assim, de uma forma mais popular, bisbilhotar o que estava sendo tratado nos bastidores por pessoas que estavam descontentes com a forma de conduzir. Pessoas descontentes inclusive com a questão da sindicância da escuta, que foi forjada. Então eles queriam detalhes do que estava se comentando lá [pelos policiais]”, declarou Werlang aos parlamentares da CPI da Petrobras.

    “Havia uma preocupação da administração de que essas pessoas, que questionavam isso [a primeira sindicância e o suposto grampo ilegal na cela de Youssef] estivessem comentando e pudessem vir a prejudicar a própria administração da Superintendência no Paraná”, afirmou Werlang na CPI. “Então a preocupação deles era que essas pessoas pudessem de alguma maneira estar preparando algum dossiê para minar as autoridades que estavam à frente da Operação Lava Jato”, acrescentou o agente em sua oitiva aos parlamentares.

    ALAN SAMPAIO/iG BRASILIACardozo, da Justiças, pede punição aos envolvidos no caso do grampo na PF

    O iG entrou em contato com o Ministério da Justiça para obter mais detalhes sobre o despacho encaminhado pelo ministro Cardozo à CPI. O ministério não quis se pronunciar sobre o tema. A reportagem também procurou a Divisão de Comunicação Social do Departamento de Polícia Federal para falar sobre o despacho do delegado Alfredo José de Souza Junqueira. A Polícia Federal informou que “os fatos objeto de sua demanda estão sob investigação. Assim que concluída, será feita a devida divulgação”.

    Grampo na cela de Youssef
    Em sua fala na CPI da Petrobras, Werlang também falou sobre o grampo encontrado dentro da cela de Youssef. Ele comentou sob a óptica da primeira sindicância realizada para apurar a existências das escutas e a conclusão de que o aparelho fora colocado ali para monitorar Beira-Mar. Werlang diz ter sido o responsável pela instalação da escuta de Beira-Mar em 2008 e também na cela usada por Youssef. Ele alega não ter sido ouvido na primeira sindicância, tendo sido responsável somente por uma análise genérica sobre o equipamento encontrado por Youssef.

    O agente garantiu que os dois aparelhos são diferentes. O primeiro, diz Werlang, foi montado por ele especialmente para a ocasião e o segundo teria sido adquirido pela Diretoria de Inteligência Policial e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal no Paraná “meses depois” de Beira-Mar ter deixado a carceragem. Ele chegou a dizer que era “impossível” tratar-se do mesmo aparelho como sugere a primeira sindicância.

    “Eu me lembro que eles foram e se fecharam na sala comigo e demandaram isso”, disse o agente na CPI. “Eles apareceram na verdade subitamente. Nem agendaram, ‘olha estamos indo aí’. Não. Eles simplesmente apareceram lá. Fui pego meio de surpresa. Então eles chegaram a minha sala com aquela demanda, que eles necessitavam instalar com urgência numa das celas da nossa carceragem um equipamento porque um preso, depois ficou claro que se tratava do Youssef, estava chegando no final da tarde”, declarou Werlang na CPI.Werlang disse aos deputados da CPI da Petrobras que teria feito a instalação do grampo na cela de Youssef no dia 17 de março de 2014 supostamente fruto de um pedido direto de Rosalvo Franco, superintendente da Polícia Federal no Paraná, Igor Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado, e Marcio Adriano Anselmo, delegado da Polícia Federal que preside o Inquérito Policial referente a Operação Lava Jato. Todos negam a versão dada por Werlang na primeira sindicância realizada.

     

    Além de instalar o grampo, Werlang disse aos deputados que era também o responsável por repassar aos delegados um pendrive com os arquivos frutos das captações e que o fazia com periodicidade de 48h no máximo. Há o argumento de que se o grampo estivesse ativo não poderia ter ficado dez dias inoperante sem que os policiais pudessem perceber. Isso foi usado como argumento para reforçar a tese de que o grampo era o mesmo de Beira-Mar e estava inativo. Dez dias foi o período entre o dia em que Youssef descobriu o grampo e o dia em que o aparelho foi encontrado durante uma revista na carceragem.

    Acontece que nesse período, Werlang, o responsável por abastecer os delegados com o material captado pela escuta, estava em missão em Minas Gerais e não entregou os arquivos durante esse espaço de tempo. Ele estava no estado quando recebeu uma mensagem urgente vinda do Paraná. Era uma mensagem de texto que continha a imagem de Youssef com a escuta na mão em foto batida pelo advogado dele.

    “No dia em que cheguei, que retornei da viagem e cheguei ao NIP [Núcleo de Inteligência Policial], o delegado Igor [Romário de Paula] foi até minha sala e numa conversa meio que pessoal mesmo, dentro da sala, ele falou: ‘Olha, mandei o pessoal apagar todo o material dos computadores’”, relatou aos deputados da CPI. Werlang disse ainda a CPI que quando questionou Igor Romário de Paula sobre a pressa em apagar tudo teria recebido a informação de que o grampo não tinha respaldo em autorização judicial. “Ele me falou, naquele momento, que ele não tinha o alvará”. Depois de todo esse episódio, Werlang foi afastado do Núcleo de Inteligência Policial.

    A segunda sindicância que apura falhas na primeira ainda não foi concluída. Espera-se que essa segunda investigação possa esclarecer a legalidade do grampo encontrado dentro da cela de Youssef. Em fala na CPI da Petrobras, o ministro José Eduardo Cardozo prometeu punição caso fique comprovada a existência e ilegalidade da escuta ambiental. “Haverá punições àqueles que praticaram. Mas é necessário que se apure. Caso sejam confirmadas, medidas de âmbito criminal serão tomadas”, disse o ministro aos deputados.

     

  14. *

    Todas as sondagens da Grécia a uma semana das eleições

    infoGrecia

    http://www.infogrecia.net/2015/09/todas-as-sondagens-da-grecia-a-uma-semana-das-eleicoes/

    O empate técnico entre Syriza e Nova Democracia é a nota dominante nas dez sondagens publicadas durante o fim de semana. Dos 24 partidos concorrentes, 9 podem entrar no parlamento. Tsipras e Meimarakis preparam frente a frente televisivo.

    A única sondagem a destoar da previsão de empate técnico é a publicada pelo Jornal dos Editores, que dá ao Syriza 5 pontos de vantagem. As restantes põem o Syriza à frente, mas com menos de 1 ponto de vantagem e a do Avgi e Pontiki dão empate absoluto.

    Para além do partido vencedor das eleições, outra das incógnitas até à contagem final dos votos é saber quantos partidos estarão representados no parlamento grego a partir de 20 de setembro. Há sondagens que dão 9 partidos acima da barreira necessária dos 3%, embora 7 coloquem os Gregos Independentes aquém da fasquia e apenas uma (a que dá vitória folgada ao Syriza) não preveja a entrada da Unidade Popular. Quanto ao terceiro lugar, apenas uma das sondagens diz que não irá para os neonazis da Aurora Dourada, substituídos pelo PASOK.

    Com este cenário que não prevê a formação de maiorias absolutas para nenhum dos grandes partidos, Meimarakis e Tsipras serão questionados no frente-a-frente televisivo desta segunda-feira sobre a sua política de alianças pós-eleitoral. Enquanto a Nova Democracia diz não excluir a participação do Syriza num governo em caso de vitória, Alexis Tsipras voltou a deixar claro numa entrevista publicada este domingo, que os programas são incompatíveis e que “a Nova Democracia representa a Europa do sr. Schäuble”.

    Veja aqui os resultados das 10 sondagens publicadas no fim de semana

     

     

  15. Com Justiça eficiente, ‘teremos Lava Jato em todo o país’, diz D

    Com Justiça eficiente, ‘teremos Lava Jato em todo o país’, diz Deltan

    Dallagnol lançou em São Paulo o pacote de medidas que visa, segundo ele, melhorar a eficiência da Justiça e combater a impunidade nos crimes de colarinho branco

    iG Minas Gerais | Folhapress | 

    15/09/2015 15:05:02

     

    Foto: Vladimir Platonow/ Agência BrasilDallagnol lançou em São Paulo o pacote de medidas que visa, segundo ele, melhorar a eficiência da Justiça e combater a impunidade nos crimes de colarinho branco

     

    O procurador da República Deltan Dallagnol, que coordena a força-tarefa da Operação Lava Jato, disse nesta terça-feira (15) em São Paulo que a melhora no funcionamento da Justiça no Brasil faria com que as investigações sobre corrupção se disseminassem sobre o país.

    “Se a gente tiver um sistema de Justiça eficiente, os acordos de colaboração ocorrerão em todo o país. Teremos Lava Jato em todo o país”, disse.

    Dallagnol lançou em São Paulo o pacote de medidas que visa, segundo ele, melhorar a eficiência da Justiça e combater a impunidade nos crimes de colarinho branco. Chamadas de “10 Medidas de Combate à Corrupção”, o projeto de lei prevê a criminalização do enriquecimento ilícito de funcionários públicos, o aumento de penas para corrupção e a punição a partidos que aceitem recursos ilícitos.

    O evento ocorreu no Ministério Público Federal e contou com a adesão de mais de uma dezena de entidades, entre as quais OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e Fiesp (Federação da Indústria do Estado de São Paulo).

    Dados da ONU (Organizações das Nações Unidas) citados pelo procurador apontam que a corrupção desvia R$ 200 bilhões de recursos públicos por ano. Com esse montante desviado, daria para triplicar os investimentos em saúde ou educação, de acordo com Dallagnol.

    “Temos um crime extremamente grave, que rouba a escola e a comida do brasileiro, mas que não é punido. Impunidade e corrupção andam de mãos dadas”, afirmou.

    SUBORNO

    Segundo o procurador, a proposta de combate à corrupção não parte de uma “postura moralista”. O objetivo, segundo ele, é criar uma política pública contra o suborno.

    Dallagnol avalia que as descobertas da Operação Lava Jato mostraram que a política de suborno é “endêmica” no país e, por conta do porte das propinas, de R$ 6,2 bilhões no caso da Petrobras, criaram “uma janela única de oportunidades” únicas para mudar esse tipo de prática.

    O procurador diz que o país devia seguir o exemplo de Hong Kong, que vivia uma situação de corrupção similar à do Brasil e hoje aparece em 17º lugar no ranking da Transparência Internacional, enquanto o Brasil ocupa o 69º posto.

    Segundo ele, Hong Kong mudou o quadro de suborno com três tipos de políticas: prevenção, punição e recuperação de valores e fim da impunidade.

    Ele defende que o Brasil faça o mesmo e crie campanhas de marketing contra a corrupção “para gerar uma reação visceral, emocional” contra esse tipo de prática.

    Dallagnol citou como exemplo de impunidade o caso que ficou conhecido com “propinoduto”, envolvendo fiscais do Rio. A apuração começou em 1999, com a suspeita de que fiscais do Rio enviaram US$ 33,4 milhões de recursos de suborno para a Suíça. O caso demorou tanto para o Brasil julgá-lo que em 2013 a Suíça ameaçou devolver o dinheiro para os suspeitos de desvios.

    A previsão para que o caso seja concluído na Justiça brasileira, segundo o procurador, é em 2021, quando os crimes já estariam prescritos.

    “A Justiça criminal contra os réus de colarinho branco é teatro”, comparou.

    LENIÊNCIA

    O procurador criticou a participação de órgãos do governo na unificação dos acordos de leniência, um tipo de instrumento em que as empresas confessam crimes, devolvem recursos desviados e entregam provas para continuarem atuando em obras públicas.

    Segundo ele, seria um equívoco deixar que o Executivo coordene esse trabalho de unificação dos vários acordos de leniência porque “eles podem estar envolvidos em atos de corrupção”. “Toda a sociedade vai ficar com um pé atrás do que foi feito”, declarou.

    Dallagnol disse não ter uma proposta para esse impasse, mas recomenda que alguém isento” poderia coordenar os acordos.

    O Ministério Público Federal em São Paulo já está coletando assinaturas em apoio ao projeto que nasceu entre os procuradores da Lava Jato e, posteriormente, ganhou o apoio de toda a instituição. Já foram colhidas cerca de 200 mil assinaturas.

    O plano é atingir 1,5 milhão para apresentar as propostas das “10 Medidas…” como um projeto de lei apoiado na iniciativa da população.

    Dallagnol diz que pode ocorrer algo similar ao projeto chamado Ficha Limpa, que no início sofreu resistência dos congressistas, mas foi depois aprovado por pressão popular.

     

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