Com Lula solto, Lava Jato em Curitiba deflagra operação contra Lulinha

Equipe de Deltan Dallagnol investiga repasses supostamente suspeitos da Oi/Telemar para o grupo Gamecorp, que pertence a Lulinha, Fernando e Kalil Bittar, e Jonas Suassuna

Jornal GGN – Com o ex-presidente Lula em liberdade há pouco mais de um mês, a Lava Jato em Curitiba decidiu desengavetar informações contra o filho mais velho do petista e deflagrar, nesta terça (10), uma operação batizada de “Mapa da Mina”.

O nome foi dado em alusão a supostos indícios de irregularidades em contratos feitos pela empresa de telecomunicações Oi/Telemar com outras companhias. Mas a equipe de Deltan Dallagnol no Ministério Público Federal centralizou as atenções da mídia no grupo Gamecorp, que pertence a Lulinha e aos empresários Fernando e Kalil Bittar, e Jonas Suassuna.

A narrativa criada em torno do filho de Lula e sócios já é conhecida na Lava Jato: a Oi/Telemar supostamente foi beneficiada por ações do governo federal e, em paralelo, fez pagamentos de R$ 130 milhões, entre 2004 e 2016, às empresas do grupo Gamecorp.

Os repasses são colocados sob suspeição pelos procuradores, que afirmam que uma parte foi utilizada para a compra do sítio de Atibaia.

Para justificar o vínculo com o governo Lula, a Lava Jato afirma que a Oi/Telemar foi beneficiada pelo decreto 6.654 – que permitiu a operação de aquisição da Brasil Telecom pelo grupo Oi/Telemar – além de uma nomeação na Anatel (o nome do conselheiro não foi divulgado).

A nota do Ministério Público Federal não explica como o montante total de R$ 132 milhões, pago ao longo de 12 anos, está diretamente relacionado a um decreto de 2008. Para justificar as suspeitas, os procuradores afirmam, sem detalhes, que as empresas do grupo Gamecorp não aparentam ter estrutura compatível com serviços tão bem remunerados.

O grupo Gamecorp/Gol é formado pelas empresas G4 Entretenimento e Tecnologia Digital, Gamecorp, Editora Gol, Gol Mídia, Gol Mobile, Goal Discos, Coskin, PJA Empreendimentos e PDI.

Para a Lava Jato, é estranho que a Oi/Telemar tenha “investido” no Gamecorp “sem a cotação de preços com outros fornecedores, fizeram pagamentos acima dos valores contratados e praticados no mercado, assim como realizaram pagamentos por serviços não executados.”

“Por fim, também são cumpridos mandados de busca e apreensão com a finalidade de apurar indícios de irregularidades no relacionamento entre o grupo Gamecorp/Gol com a Vivo/Telefônica, especificamente no que diz respeito ao projeto que foi denominado como ‘Nuvem de Livros’. Foi apurada movimentação na ordem de R$ 40 milhões entre a Movile Internet Móvel, empresa do grupo Telefonica/Vivo, e a Editora Gol no período de 15/01/2014 a 18/01/2016”, diz nota do MPF.

Posicionamento da Movile

O GGN recebeu o seguinte posicionamento do Grupo Movile:
O Grupo Movile preza pela transparência em sua atuação e está cooperando com as investigações do Ministério Público Federal do Paraná, fornecendo todas as informações solicitadas. A empresa não é o alvo principal da investigação e trabalha em total colaboração com as autoridades. 
A Movile esclarece ainda que, diferentemente do citado no primeiro comunicado oficial emitido pelo MPF-PR, não pertence ao grupo Telefônica/Vivo. Somos um ecossistema brasileiro de empresas de tecnologia, com atuação global. 

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