Como Bolsonaro provocou demissão no Facebook

Ex-engenheiro de rede social pediu para sair devido a condescendência com supostas violações das regras cometidas pelo presidente brasileiro

Foto: Reprodução

Jornal GGN – Uma live realizada pelo presidente Jair Bolsonaro no Facebook gerou um debate intenso na cúpula da rede social, que culminou com o pedido de demissão de um engenheiro, que entendeu haver condescendência com o mandatário brasileiro diante de supostas violações das regras da plataforma.

Reportagem publicada no jornal O Globo cita texto publicado na revista New Yorker, revelando que a live polêmica foi aquela em que Bolsonaro disse que “cada vez mais, o índio é um ser humano igual a nós”.

As notícias sobre a declaração de Bolsonaro chocaram David Thiel, um especialista em cibersegurança baseado na sede do Facebook, que ficou ainda mais contrariado ao constatar que o Facebook não removeu o vídeo do ar, mesmo com a violação à regra que veda discursos que “desumanizem” ou classifiquem de sub-humano qualquer grupo ou etnia.

O engenheiro publicou seu questionamento na rede social interna do Facebook, e dois experts (um em Dublin e outro em Brasília) concluíram que a declaração de Bolsonaro não violava as regras, ao ponto de o especialista alocado em Brasília ter justificado que Bolsonaro é “politicamente incorreto” e falava em sentido figurado.

Thiel discordou da análise e suspeitou da objetividade do colega que, segundo a revista, “havia trabalhado para pelo menos um político pró-Bolsonaro”. Ao recorrer a instâncias superiores, os interlocutores se mostraram irredutíveis com os argumentos do engenheiro ao ponto de questionarem sua credibilidade. Revoltado com tal complacência, Thiel se demitiu dois meses após a live do presidente.

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