Comunidade indígena em Paraty enfrenta ameaças de moradores e descaso de autoridades

A vice-cacique Neusa Kunhã, da Aldeia de Tekoha Dje'y, relata ao GGN o drama vivido pela comunidade indígena, mesmo com o direito à terra reconhecido pela Funai. Assista

Jornal GGN – A aldeia de Tekoha Dje’y, que fica em Paraty, no Rio de Janeiro, tem enfrentado ameaçadas de moradores locais e o descaso das autoridades.

Ao menos desde 2017, quando a demarcação da terra foi reconhecida pela Funai e publicada pelo Diário Oficial da União, o povo originário tem sofrido com fake news e discurso de ódio visando sua retirada do local. A vice-cacique da comunidade, Neusa Kunhã, teve o irmão assassinado em janeiro de 2018, um crime até hoje não investigado. Ela falou ao GGN na noite de segunda (25).

“Somos vítimas de fake news criadas pelos próprios moradores locais, que dizem que não somos indígenas nem povos originários, que não podemos demarcar essa terra. Inclusive até o próprio prefeito de Paraty se pronunciou nas redes sociais contra a demarcação e pediu que a Funai reveja o estudo antropólogo de 2010, que diz que aqui era terra indígena”, comenta.

Neusa lembrou que a luta do povo indígena pelas terras em Paraty é de longa data. Já nos anos 1950, uma comunidade foi expulsa  da região e uma das mulheres chegou a ser queimada vida. Outro crime que marcou a aldeia e segue sem reparação.

A especulação imobiliário em sido o principal motivo de ataques à aldeia. “São pessoas de classe média e alta, inclusive que têm pousadas, chácaras aqui na nossa terra indígena. A maioria dos moradores nem são brasileiros, são italianos, franceses, alemães. Pessoas famosas que compram terrenos e constroem suas mansões dentro da terra indígena. Funcionários da prefeitura que vivem aqui e ameaçam nossa comunidade constantemente”, reportou.

Somente no mês passado, Neusa sofreu quatro ataques. “A aldeia foi invadida por pistoleiros. As autoridades vivem em descaso total com a comunidade.”

Assista à entrevista com Luis Nassif:

 

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