É preciso acabar com a ‘Belíndia’ que persiste no Brasil

UM PAÍS BRUTAL E HISTORICAMENTE DIVIDIDO – Ao contrário do que os conservadores propagam, foram eles que legaram às atuais gerações um país cindido e injusto. As políticas empreendidas nos últimos tempos buscam dar coesão social ao país, não dividi-lo.

A famosa expressão ‘Belíndia’ foi criada nos anos 70 para se referir ao Brasil.

O termo expressava um país cindido e dividido, não ao meio, mas sim entre 25 e 75 por cento da população. Os 25 por cento viviam (e vivem) com um padrão de vida similar ao da Bélgica enquanto os outros 75 por cento viviam com um padrão parecido com o da Índia.

A grande chaga que sempre dividiu a sociedade brasileira é a brutal concentração de renda. Quem não lembra que há bem pouco tempo nós éramos conhecidos e reconhecidos pelo mundo inteiro como o país mais desigual do globo terrestre?

Chega a ser engraçado (para não dizer outra coisa) ver os mais bem aquinhoados cidadãos brasileiros enlouquecerem de raiva contra as políticas públicas empreendidas pelo PT nos últimos 12 anos. São os mesmos que vão para a Europa e se encantam com o padrão de vida de noruegueses, dinamarqueses ou alemães. São os mesmos que dia sim e outro também tecem loas ao padrão de vida do Japão ou do Canadá, etc.

Ora, o padrão de vida que eles tanto elogiam só existe porque nestes países não há uma brutal concentração de renda como há por aqui. Só existe porque não há um incomensurável fosso de desigualdade social nestes países, como há por aqui.

Que tal se adotássemos no Brasil a tabela do Imposto de Renda que existe na França, a lei de comunicações que existe no Reino Unido, o imposto sobre herança que existe nos EUA ou o modelo de tributação da Alemanha?

No Brasil a elite econômica é perversa porque cínica até o último fio de cabelo. Viajam pelo mundo inteiro, tiram fotos e selfies nos países ricos e postam mensagens com elogios ao desenvolvimento maravilhoso de países europeus…

Até aí tudo bem. Fica mal quando eles voltam para o Brasil e perdem totalmente a compostura!

Elogiam a Dinamarca, onde a desigualdade social é mínima, e aqui em Pindorama defendem a monstruosa e histórica desigualdade social que nos marca desde o tempo das caravelas de Cabral.

Elogiam o Canadá mas não querem que aqui se faça uma reforma tributária que incida mais sobre o patrimônio do que sobre a renda, como é naquele e noutros tantos países mais desenvolvidos. E assim segue o baile.

Tivéssemos no Brasil uma elite pensante menos estúpida (e aqui me refiro a elite pensante de direita) e veríamos a defesa veemente da construção de um mercado interno de massas, a defesa da diminuição das desigualdades sociais e da desconcentração de renda.

Todos os países que se desenvolveram diminuíram as desigualdades sociais. Nenhum país pode ser desenvolvido se mantiver ao longo do tempo a sua sociedade fechada numa casta do tipo ‘Belíndia’.

É incompreensível para quem estuda economia e história essa oposição amalucada que existe no Brasil, que se levanta contra a valorização do salário mínimo, contra o pleno emprego, contra a diminuição das desigualdades sociais, contra a desconcentração de renda, etc.

Fato é que sim, o Brasil nos últimos anos vem transformando aeroportos em rodoviárias, no linguajar chulo dos conservadores. E isso é ótimo pois demonstra que milhões de brasileiros melhoraram de vida e hoje podem ter acesso a bens de consumo e a transportes que antes eram exclusividade dos ‘belgas’ verde-amarelos.

O Brasil só se desenvolverá plenamente enquanto nação se mantiver as políticas de distribuição de renda. É imperioso que se diminua cada vez mais a distância entre ricos e pobres.

Se um dia chegarmos perto da equidade que existe, por exemplo, na Escandinávia em matéria de igualdade social, aí poderemos comemorar o salto civilizacional na ‘Ilha de Vera Cruz’.

Difícil será vencer a resistência dos representantes da Casa Grande de Pindorama. A gritaria que se vê ultimamente contra as políticas sociais nada mais é que o berro dos desmamados, daqueles que sempre construíram um país para atender apenas as necessidades exclusivistas deles próprios.

Eles imaginam um mundo onde eles, os VIPs ‘belgas’ bem nascidos e com pomposos sobrenomes, devem ter acesso a toda a sorte de comodidades enquanto os ‘criados’ devem, no máximo, ter acesso ao pão nosso de cada dia.

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