27 de setembro de 2026

Fachin assume casos e busca saída para racha no STF

Presidente da Corte retirou pedido contra Mendonça do inquérito das fake news e abriu procedimento próprio para analisar crise
Foto: Fellipe Sampaio/STF

Presidente do STF Edson Fachin assumiu controle de procedimentos na crise envolvendo ministros Moraes e Mendonça.
Fachin retirou pedido de investigação de Moraes contra Mendonça e requisitou esclarecimentos sobre caso Banco Master.
PGR tem cinco dias para se manifestar; Fachin afirma que medidas visam instrução, não abertura de investigação.

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu assumir o controle de procedimentos que estão no centro da crise que envolve os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

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Segundo informações do jornal O Globo, Fachin retirou do inquérito das fake news um pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça e determinou que outros envolvidos no caso Banco Master prestem esclarecimentos.

Na quinta-feira (3), Fachin já havia determinado que o relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes passasse a tramitar também em um procedimento sob sua relatoria. O documento havia sido produzido no contexto da investigação sobre o Banco Master, que tem Mendonça como relator.

No dia seguinte, Fachin retirou do inquérito das fake news o pedido feito por Moraes para investigar supostas irregularidades na atuação de Mendonça nas apurações envolvendo o Master e fraudes em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso em cinco dias úteis. Depois disso, Mendonça terá o mesmo prazo para apresentar seus esclarecimentos.

Segundo Fachin, as providências não representam, neste momento, a abertura de uma investigação. O objetivo seria exclusivamente instruir o procedimento, sem antecipar uma decisão sobre a admissibilidade, a regularidade das apurações ou o mérito das acusações.

A movimentação ocorre depois de Moraes encaminhar a Fachin relatórios de inteligência da PF que apontariam supostas irregularidades na atuação de Mendonça, entre elas direcionamento de investigações por interesses políticos e interferência em delações premiadas.

Moraes havia solicitado à PF documentos que mencionassem integrantes do STF diante de “diversas informações sobre condutas de autoridades tendentes a afastar a independência” dos magistrados. O despacho não detalhou quais seriam essas informações. O material foi entregue em cópia física ao Supremo.

O relatório veio a público depois que Mendonça retirou o sigilo de documentos relacionados às mensagens de Vorcaro e Moraes, aumentando a tensão entre os ministros.

Segundo interlocutores da PF ouvidos pelo jornal, documentos de inteligência desse tipo são produzidos rotineiramente pela corporação e não dependeriam necessariamente de uma ordem judicial. A divulgação, entretanto, teria provocado desconforto entre integrantes da instituição por expor dinâmicas internas e informações relacionadas a uma operação ainda em análise.

Diante do agravamento do conflito, Fachin afirmou na sexta-feira que a resposta do Supremo será “firme e rigorosa”, mas sem precipitação. “As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito”, declarou o presidente do STF em evento no Palácio do Planalto.

Redação

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2 Comentários
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  1. GalileoGalilei

    5 de setembro de 2026 2:03 pm

    O golpismo não terminou. Ele continua sob diversas roupagens. Os golpistas não descansarão enquanto não consumarem o golpe. O terrivelmente evangélico, André Mendonça, foi Ministro da Justiça do governo Bolsonaro logo após este se queixar de que não estava conseguindo interferir na Polícia Federal. E ele ainda acha que pode continuar interferindo na PF. O terrivelmente evangélico é tão golpista quanto aqueles que foram julgados, condenados e presos. Deveria ter tido a mesma sorte. Alexandre de Moraes pode ter feito, e parece que fez, muita lambança com Daniel Vorcaro. Que se investigue. Mas seguindo todos os processos legais sem atalhos. Principalmente com o apelo às massas às vésperas das eleições. No STF, parece que Xandão não foi o único. André Mendonça antecipou estas eleições em um mês. Se este vencer sua criada queda de braço com Alexandre de Moraes, o próximo presidente será Flávio Bolsonaro que indicará 5 novos ministros para o STF. Terão um total de 7 em 11. André Mendonça sabe disso e está trabalhando para o assalto final ao STF. Desnecessários serão o soldado, o cabo, muito menos o jipe. Que se investiguem os dois: André Mendonça e Alexandre de Moraes. E outros no STF, sem esquecer Nunes Marques. Mas sem atropelos. Principalmente às vésperas das eleições que é tudo que os golpistas desejam e que é derrubar o tabuleiro de xadrez com todas as peças para recomeçar o jogo, sabe-se lá como.

    1. GalileoGalilei

      5 de setembro de 2026 5:47 pm

      Disse acima que, se Mendonça vencer a queda de braço com Moraes e , em consequência, Flávio Bolsonaro se tornar Presidente, 7 dos Ministros seriam terrivelmente evangélicos. Mas a julgar pela intenção de obter ampla maioria no Senado para promover a cassação de Ministros, alardeada pelo próprio candidato, o objetivo poderá ser a totalidade da Corte; basta cassar os quatro restantes: Dias Toffoli, Edson Fachin, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Com a fúria com que se apresentam, se também obtiverem essa maioria, tratorarão tudo o que se opuser às suas vontades. O exemplo de Trump nos EUA está aí para nos alertar sobre o método destrutivo e sobre a ambição autoritária dessa turma que emergiu dos subterrâneos desde 2016. E, se depender do chefão nos EUA, não faltarão pequenos empurrões para ajudar seus lambe-botas aqui.

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