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1 comentário

  1. Remédio para desânimo
    O texto abaixo do livro de Guy Debord em que cita Tulcídedes me parece um retrato dos dias que correm no Brasil de hoje, embora tenha ocorrido há exatamente 2.450 anos atrás, 431 ano A.C.
    A leitura possível é que apesar da truculência dos governantes não devemos nos desanimar. Resitir e lutar é sempre possível e preciso.
    A propósito a atualidade referida por Debord é de 1967, quando escreveu seu livro.
    A sociedade do espetáculo.
    Comentários sobre a sociedade do espetáculo
    Guy Debord
    Editora Contraponto
    Aforismo XXVII
    Pag. 224
    A respeito das operações de uma conspiração oligárquica de outro tipo, Tulcídides, no livro VIII, capítulo 66, de A Guerra de Peloponeso, afirma algo que tem pontos em comuns com a situação que vivemos.

    “Ademais, os que aí tomavam a palavra estavam envolvidos no complô, e os discursos que proferiam haviam sido previamente submetidos à apreciação dos amigos. Nenhuma oposição se manifestava entre os outros cidadãos, assustados com o número de conjurados. Assim mesmo, se alguém tentasse contradizê-los, logo era encontrado um meio fácil de fazê-lo morrer. Os assassinos não eram procurados e nenhum processo ameaçavam s suspeitos. O povo não reagia, e as pessoas estavam tão apavoradas que já se davam por felizes por escapar à violência, mesmo guardando silencio. Avaliando o número de conjurados muito maior do que de farto era, tinham uma senssação de impotência. A cidade era muito grande, e eles não se conheciam direito para chegar a descobrir qual era a verdade. Nessas condições, por mais indignados que estivessem, ninguém ousava confiar suas críticas a outrem. Portanto, era preciso desistir de mover uma ação contra os culpados, por que para tal seria necessário dirigir-se a um desconhecido, ou a um conhecido no qual não se tinha confiança. No partido democrático, todas as relações pessoais estavam marcadas pela desconfiança e cabia sempre duvidar se aquele com quem se estava lidando teria conivência com os conjurados. Entre estes havia de fato homens que nunca se podia imaginar serem aliados da oligarquia.”

    Se a história sair de seu eclipse, o que depende de fatores ainda em luta e, por isso, de desfecho imprevisível, estes comentários podem ajudar um dia a escrever a história do espetáculo – sem dúvida, o maior acontecimento produzido neste século, e também o que menos se tentou explicar. Em outras circunstancias, creio que eu poderia me dar por satisfeito com meu primeiro livro sobre o assunto, deixando a outros o cuidado de prosseguir a observação. Mas no memento em que estamos, achei que mais ninguém iria fazer isso.

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