Freud, Jung e o Analista de Bagé em São Paulo

Uma das coisas mais interessantes sobre os paulistas é a sua natureza conflituosa e contraditória. Abaixo alguns exemplos científicos, históricos e contemporâneos da curiosa vida dos mesmos:

 

Os paulistas comemoram a derrota de 1932 como se fosse uma vitória.

Getúlio Vargas poderia ter devastado São Paulo e escolheu ser generoso com os derrotados. Mesmo assim não há uma só viela na capital paulista com o nome dele.

Túmulo do samba, a capital paulista tem um carnaval vibrante.

Os paulistas se preocupam com o efeito estufa, defendem a redução do consumo de combustíveis fósseis, reclamam do aumento no preço da gasolina e odeiam as ciclovias que poderiam usar para economizar algum dinheiro limpando a atmosfera da cidade.

Geraldo Alckmin foi reeleito para deixar seus eleitores sem água e eles colocam a culpa da tragédia hídrica decorrente do desgoverno local no governo federal.

FHC se diz paulista e mora em Paris. José Serra se diz paulista e é suspeito de movimentar contas milionárias no exterior. Maluf é paulista e não sai da cidade que roubou porque tem medo de ser preso nos EUA e na Europa.

Um paulista típico apóia todas as guerras norte-americanas, lamenta os atentados praticados pelos terroristas criados pelos EUA e apóia o terrorismo da PM na periferia paulista.

São Paulo tem áreas “nobres” como se os títulos geonobiliárquicos combinassem com o republicanismo constitucional.

As famílias paulistas quatrocentonas celebram sua imensa antiguidade, apesar dos Tupis terem ocupado o planalto paulista há aproximadamente 2 mil anos e os seres humanos sejam todos descendentes do homo sapiens sapiens que palmilhavam a terra a 200 mil anos.

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Paulista ama norte-americanos até conhecer pessoalmente os EUA, detesta cariocas e adora passar o verão em Copacabana, odeia nordestinos e conhece melhor Canoa Quebrada do que as praias de Santos.

Os paulistas que são leitores do “São Paulo Shimbun”, publicado em japonês, gostam mais de feijoada do que de sushi.

Na cidade da garoa é praticamente impossível encontrar um restaurante japonês em que o cozinheiro seja descendente de japoneses ou uma cantina italiana em que o pizzanholo seja descendente de italianos. A maioria das padarias continua sendo de portugueses, muito embora eles todos tenham nascido no Brasil ou chegado pequeninos em São Paulo há mais de 50 anos.

Os paulistas detestam o cheiro do Tietê, exceto quando moram num bairro “nobre” que fica ao lado do rio.

Quando chove, São Paulo sempre reencontra seu passado povoado por várzeas. Curiosamente, os paulistas vivem reclamando dos prefeitos que não conseguem desalagar áreas alagadiças desde que os Tupis ocuparam o planalto paulista 2 mil anos antes dos colonos portugueses.

Há séculos a Ladeira Porto Geral não leva nenhum paulista ao porto fluvial do Tamanduateí, rio que ganhou seu nome por causa de ser freqüentado por animais que atualmente só podem ser vistos na TV e no Zoológico.

Nas margens do Rio Pinheiros não existem pinhos, pinhais ou pinhões. Nem peões navegam pelo rio.

As mulheres paulistas bebem demais, se drogam demais e fazem sexo de menos, exceto quando deixam São Paulo para pular uma cerca no litoral.

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Os paulistas machões detestam a passeata gay. Mas no dia que resolverem fazer uma passeata do orgulho macho em São Paulo é bem provável que vários gays travestidos de homens compareçam.

Quer ver um paulista no final de semana? Vá ao shopping. Quer brigar com um paulista? Chame-o de baiano. Quer conquistar uma matrona paulista? Estacione um carro importado na frente da casa dela. Quer deixar um paulista orgulhoso? Compare São Paulo à Suíça. Quer deixar um paulista profundamente ofendido? Compare a seca “made in PSDB” com a que seca que existe há séculos no nordeste ou chame os Bandeirantes de jagunços analfabetos que só falavam a língua geral.

Os paulistas se comportam como se seu Estado fosse o mais importante da Federação. Entretanto, São Paulo foi uma capitania hereditária deficitária que permaneceu séculos despovoada invejando a riqueza produzida pelo “ciclo da cana-de-açúcar” no nordeste e pelo “ciclo do ouro” em Minas Gerais. O “ciclo do café” começou no Rio de Janeiro e finalmente enriqueceu São Paulo. Alguns séculos depois os paulistas destruíram a pujança econômica do seu estado se atolando no neoliberalismo tucano.

Os descendentes dos camponeses italianos pobres que chegaram a São Paulo no fim do século XIX evoluíram. Agora eles também acreditam que tem sangue azul. O cotidiano paulista é incapaz de enobrecer quem quer que seja, mas pode muito bem empobrecer culturalmente os filhos daqueles que adotaram o túmulo da democracia.

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Os paulistas dizem que o Brasil é uma ditadura petista como se o resultado das urnas não tivesse valor, como se os votos dos “outros” brasileiros tivessem menos valor do que os votos dos paulistas. Não somos racistas, porém, dizem os paulistas.

O México sofre porque está longe de Deus e próximo dos EUA. Os paulistas transformaram seu Estado numa divindade supostamente mais poderosa que o Brasil e sofrem porque ela não consegue trocar de lugar com o México.

 

Sou paulista filho de paulistas e neto de paulistas, mas não posso deixar de reconhecer a verdade: São Paulo é um estado profundamente doente. Os paulistas agem como se fossem doentes mentais. Do jeito que as coisas estão, Freud, Jung e o Analista de Bagé juntos não conseguiriam entender e resolver os problemas emocionais, culturais e eleitorais dos paulistas.  

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