Governo volta discutir participação da Huawei no 5G, para conseguir insumos de vacina da China

Em entrevista a Luis Nassif, o jornalista Jamil Chade já havia havia adiantado o jogo de interesses entre os dois países

O líder chinês Xi Jinping e Jair Bolsonaro. | © Sputnik / Mikhail Klimentiev

Jornal GGN – O governo de Jair Bolsonaro (sem partido) deve diminuir as ofensivas contra a China e adotar um tom mais amigável em relação à participação da gigante Huawei no leilão do 5G. A intenção do Executivo brasileiro é agilizar a importação de insumos para produção de vacinas contra a Covid-19 vindos do país asiático, segundo a Folha de São Paulo. 

O jornalista e correspondente internacional, Jamil Chade, já havia adiantado nesta quarta-feira, 21, o jogo de interesses entre os dois países em entrevista ao jornalista Luis Nassif. Segundo ele, o fracasso do governo brasileiro sobre a agenda de negociações bilaterais pode ser uma ameaça à campanha de vacinação do país.

Os insumos para a produção das vacinas contra a Covid-19 no Brasil sairão da China, tanto para o Instituto Butantan, em parceria com chinesa Sinovac, quanto para Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em acordo com a Universidade de Oxford e o laboratório AstraZeneca.

Diante do fracasso da diplomacia de Bolsonaro, a entrega das matérias-primas estão atrasadas. Chade explicou que, em meio ao embate, “a China vai colocar isso [a negociação do 5G], não como uma condicionalidade [em troca da vacina], mas como uma expectativa de que o esse diálogo seja reaberto”. 

Apesar da China ser o maior parceiro comercial do Brasil, a gestão de Bolsonaro não hesita em atacar o país asiático desde o início da sua gestão, seguindo a linha o ex-presidente dos Estados Unidos (EUA), o republicano Donald Trump. 

A Huawei, líder global do 5G e que pode se tornar fornecedora de equipamentos para as futuras redes da tecnologia no Brasil, é um dos grandes alvos de Bolsonaro, apesar de já estar há mais de duas décadas no país e ter participação de 45% nas redes em uma das teles do 3G e 4G.

Com isso, empresas brasileiras defendem a participação da chinesa no certame previsto para ocorrer no fim de junho, uma vez que poderiam manter os equipamentos já instalados nas suas redes e não seriam obrigadas a adquirir aparelhos 5G mais caros e menos potentes. 

A multinacional, no entanto, é o alvo da disputa comercial entre EUA e China. No governo Trump, os americanos chegaram a ameaçar cortar relações comerciais com o Brasil, caso a chinesa pleiteasse o leilão do 5G. 

Mas, com a necessidade de frear a crise sanitária, o governo Bolsonaro deve voltar a estabelecer o diálogo com os chineses e, durante essa trégua, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deverá decidir as regras do leilão.

Visita de Fábio Faria aos fornecedores globais de equipamentos 5G

Segundo a reportagem, o ministro das Comunicações, Fábio Faria, fará uma visita a todos os fornecedores globais de equipamentos 5G. O ministro deverá passar pela Finlândia (sede da Nokia), Suécia (Ericsson), Coreia do Sul (Samsung) e China (Huawei e ZTE). 

Faria deverá conversar com todos os presidentes globais dessas empresas antes de decidir se haverá motivos para algum tipo de restrição à Huawei e se haverá condições de fornecimento de equipamentos pelos concorrentes caso a chinesa saia do jogo.

A equipe das Comunicações pretende se certificar de que não há riscos de segurança no aparato oferecido pela companhia chinesa. Até o momento, no entanto, não há qualquer evidência de que os equipamentos da Huawei firam as regras de segurança cibernética definidas pela legislação brasileira.

De acordo com interlocutores, Faria pretende resolver essa questão o mais rápido possível com uma solução técnica, mas a palavra final ficará a cargo de Bolsonaro.

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