4 de junho de 2026

Janio de Freitas: Melhor, mas pior

Da Folha

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Se, apesar da situação econômica melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de algo induzido
 
Janio de Freitas
 
Com intervalo de quatro dias, dois dos jornalistas que mais respeito pela integridade e aprecio pela qualidade, Vinicius Torres Freire e Ricardo Melo, levam-me a ser mais uma vez desagradável com o meu meio.
 
Na Folha de ontem, Ricardo Melo relembra a presença de “representantes do mercado'” no Conselho de Administração da Petrobras, quando comprada a refinaria de Pasadena, e pergunta: “Pois bem: onde foram parar nessa história toda Fábio Barbosa, Cláudio Haddad, Jorge Gerdau, expoentes do empresariado’ brasileiro que, com Dilma Rousseff e outros, aprovaram o negócio? Serão convocados a depor, ou deixa pra lá?”.
 
A pergunta não expõe apenas Aécio Neves, Eduardo Campos, Aloysio Nunes Ferreira e seus subsidiários, que se limitam a explorar, na “história toda” de Pasadena, o que lhes pode dar proveito eleitoral. Os empresários citados não serão “deixados pra lá”. Já foram deixados. Pela imprensa. Nas práticas simultâneas de repetir, dia a dia, no noticiário e em artigos, a aprovação do negócio pelo “conselho presidido por Dilma Rousseff” e jamais mencionar os outros conselheiros.

 
Se o negócio foi aprovado pelo conselho, nos termos e condições expostos aos conselheiros, é óbvio que não houve um votante só. Mas os outros não interessam. Nem é apenas por serem empresários que mais conselheiros também estão dispensados de menção na imprensa. É, só pode ser, porque a exclusividade adotada vem do mesmo objetivo de Aécio Neves, Eduardo Campos e outros. Se a imprensa o faz, ou não, para beneficiar esse ou aquele, pouco importa. Mais significativa é a predominância da prática política.
 
Também na Folha, dia 24 último, Vinicius Torres Freire observa: “O Datafolha registra um nível de insegurança econômica inédito desde os piores dias de FHC, embora a situação econômica e social seja muito melhor agora”.
 
Algo provoca tal contradição. Não pode ser a percepção espontânea e geral, porque a situação “muito melhor” não lhe daria espaço. O que poderia ser, senão os meios de comunicação desejosos de determinado efeito? Se, apesar da situação melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de sentimento induzido. Um contrabando ideológico.
 
Terminaram depressa as rememorações do golpe de 64. O corporativismo apagou a memória da função exercida pela imprensa no preparo do golpe e no apoio à apropriação do poder, de todos os poderes, pelos militares. Não há, nem de longe, semelhança entre aquela imprensa e a atual. Mas o seu estrato mais profundo, econômico, social e político, mudou menos do que a democracia pede. E conduz às recaídas cíclicas dos meios de comunicação em práticas próprias de partidos e movimentos políticos. Estamos entrando em mais uma dessas fases.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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19 Comentários
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  1. Marcuses

    29 de abril de 2014 11:37 am

    Jânio

    Os dias de Jânio na Folha estão contados…

  2. Lionel Rupaud

    29 de abril de 2014 11:51 am

    Janio de Freitas é muito corajoso mas

    quando ele escreve:

    “recaídas cíclicas dos meios de comunicação em práticas próprias de partidos e movimentos políticos. Estamos entrando em mais uma dessas fases.”

    Ele sabe muito bem que ele não está sendo honesto: a mídia brasileira entrou numa fase “golpista” já faz um par de anos. Mas o.k. já foi grande coisa publicar uma coluna destas num jornal que já mereceu nosso respeito e ter o Jânio na sua folha de salários, mas há um bom tempo virou uma versão tupiniquim dos piores dos tabloides britânicos.

    1. Álvaro Noites

      29 de abril de 2014 12:23 pm

      Creio que, quando ele quis
      Creio que, quando ele quis dizer fase ciclica de partidarismo, ele qiis ser elegante para não dizer “rasgar a fantasia”.

    2. Lucinei

      29 de abril de 2014 4:47 pm

      Eu noto essa partidarização

      Eu noto essa partidarização da imprensa desde os anos 80 aqui no Rio com o massacre aos governos de Leonel Brizola feito pela rede globo. É diferente de apoiar ou criticar um governo ou regime. É o fascismo à la Carl Schmitt. Ou seja, perseguir inimigos e proteger amigos.

  3. Assis Ribeiro

    29 de abril de 2014 11:52 am

    Na veia.
    Jânio desmascara a

    Na veia.

    Jânio desmascara a guerra que está sendo travada.

    A mídia contra o governo.

    Por isso é preciso que as páginas alternativas se posicionem de forma clara como fez Jânio de Freitas, não permitindo que o muro dê margens para interpretações segundo a onda.

    O pessimismo com a economia quando o País foi o terceiro que mais cresceu no ano passado, com a inflação quando mantemos índices dentro da meta, com a falta de infraestrutura quando os canteiros de obras se espalham pelo país.

    Não vamos entrar na pilha ou fazer coro com o que demonstrei no post:

    Retrospectiva 2013 do terrorismo midiático

     

  4. Álvaro Noites

    29 de abril de 2014 11:56 am

    Janio e Simão: os heróis da
    Janio e Simão: os heróis da resistência na Folha.

    A nossa mídia já “venezuelou” de vez. Quanto a indução citada pelo Jânio, basta notarmos o JN de ontem, que fez jus ao apelido “editoria o Brasil eh uma m…”: comparação entre SP e NY, e quando se falou em transporte publico, o incauto pensou que em SP nem existe metrô ainda.

  5. IV AVATAR

    29 de abril de 2014 12:09 pm

    A “sensação térmica” da inflação

    Inflação térmica Sensação térmica inflacional!

     

  6. joaquimm

    29 de abril de 2014 12:36 pm

    Agência privada de hegemonia. pior e melhor.

    Parabéns a Folha de São Paulo por permitir a presença e a redação laboriosa de des-velar, tornar inteligível a realidade, des-cobrir as artimanhas da agência privada de hegemonia.

    No campo da ideologia a agência deve parecer que é neutra, permite a presença de outras opiniões, mas a sua totalidade, 99% representa e reproduz o pensamento dos rentistas e do capital financeiro e agronegócio (Itaú, Bradesco, Monsanto, etc).

  7. Miguel A. E. Corgosinho

    29 de abril de 2014 12:56 pm

    “Se, apesar da situação

    “Se, apesar da situação melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de sentimento induzido. Um contrabando ideológico.”

    Isso é a subversão ideológica pelo próprio movimento egoísta da base exterior.

    Esses interesses privados (tipo facismo) devem reconhecer o Estado moderno no seio onde deve ser gerado e a sua base: a sociedade civil através dos direitos do homem e a necessidade natural da neutralidade da fonte. 

     

  8. lfmrodrigues

    29 de abril de 2014 12:57 pm

    “contraponto”

    CARA… Que violência!! Não fosse o Jânio o simbolo (único) do contraponto da folha, e eu acho que ele dançaria como a Maria Rita Kehl dançou no estadão. O último parágrafo é magistral… nem de longe… mas a essência não mudou. Do cara…!

  9. Silvio Torres

    29 de abril de 2014 1:13 pm

    O que o dirá o ombudsman

    O que o dirá o ombudsman dessa coluna, que expõe as vísceras ideológicas do seu jornal? Nada? Nem prá dizer que o Jânio é um embusteiro? Ou não têm coragem nem moral prá discordar, ou pior, concordar com ele?

  10. Juliano Santos

    29 de abril de 2014 2:22 pm

    A imprensa brasileira é um

    A imprensa brasileira é um entulho autoritário

    1. Luis Fraga

      29 de abril de 2014 3:29 pm

      Perfeito, Juliano…

      Ou como diria – parafraseando – Brizola:

      A imprensa brasileira é mãe e filha da ditadura.

  11. Marconi Barreto

    29 de abril de 2014 2:38 pm

    feudo da informação

    A mídia brasileira é o reduto dos ditadores da informação e tentam converter os pergaminhos da história, uma audácia jamais vista em lugar algum. Essa parceria com o jogo político e com as elites do poder está devastando e subvertendo o conhecimento para as novas gerações.  

  12. Lucinei

    29 de abril de 2014 4:16 pm

    “Se, apesar da situação

    “Se, apesar da situação econômica melhor, o sentimento é pior, claro que se trata de algo induzido”

    Calma! As desigualdades e injustiças ainda estão aí!

    Que a oposição e a imprensa querem tumultuar pra ver se conseguem alguma vantagem eleitoral é certo. Mas as pessoas têm do que reclamar, sim. A vida, apesar de ter melhorado um pouco (depois de ter piorado muito), ainda tem muito que melhorar. Emprego, hoje tem. Mas o salários ainda são muito baixos ainda que os patrões achem altos. Os serviços têm que melhhorara muito ainda. Essa é a principal demanda. Não é necessário fazer grandes incursões hermenêuticas e analíticas. A dilma e o lula acertaram mais uma vez (pra tristeza de alguns): as pessoas querem mais; não querem voltar ao passado.

  13. Mauricio Salles

    29 de abril de 2014 4:44 pm

    Abre o olho, Jânio!

    “Estamos entrando” num fase dessas?! Por onde tem andado nosso maior colunista político? Jânio, meu filho, Isso está acontecendo, no mínimo, desde 2006. Isto é, há simplesmente 8 anos! A coisa está é avolumando tanto que agora não dá pra não deixar de ver. 

  14. crisbr

    29 de abril de 2014 8:39 pm

    O discurso da imprensa deu

    O discurso da imprensa deu resultado ué! voces vão ver em janeiro de 2015 se o resultado das eleições lhes forem do agrado. O viés nos jornais será outro vão dizer que a situação economica não estava tão ruim quanto pregavam vão dizer que a Olimpiada será um bem para o Brasil( eles que fizeram campanha contra a copa  a apartir de 2012 mas em 2007 não estavam lá) vão dizer que o clima no Brasil mudou ( afinal segundo eles tudo é culpa do governo federal),. A mídia foi a principal responsável por Junho de 2013 a esquerda foi minoria.    A imprensa tradicional pauta a internet ( é uma ilusão achar que a internet não repercute tudo que sai em folha estadão e afins)  a midia conseguiu colocar a classe média do seu lado pois a revolta de JUNHO foi uma revolta de classe média  foi mais uma “revolução”conservadora das muitas que o Brasil já teve eu sempre soube nunca fui entusiasta de JuNho de 2013 porque nõ era uma oposição de esquerda  nas ruas era a classe média conservadora inclusive muitos jovens portanto  eles venceram e o sinal esta fechado.

  15. Murilo Luiz Milek

    29 de abril de 2014 9:15 pm

    Discordo em partes…

    A situação economica esta melhor, mas o sentimento é de que o modelo implementado pelo PT de inclusão social e crescimento econômico esta chegando ao seu fim. Não existe programa político e economico que funcione para sempre, e este esta se esgotando; é por isso que o “sentimento é pior.” Aquela família pobre que subiu na vida durante o governo do PT esta se encontrando com seu limite; mesmo tendo melhorado muito de vida, não consegue acesso a serviços sociais melhores. Uma família que ganha R$ 3.500,00 por mês, hoje, não consegue manter os dois filhos em escola particular, ter um plano de saúde e morar numa região mais segura. O “sentimento pior” surge no momento em que as pessoas vão percebendo que, mesmo numa melhor situação financeira, ainda são obrigados a usar escola pública, saúde pública e depender da segurança pública, serviços muito aquém do conceito “bom”; a situação financeira é boa, a social ainda não.
    Portanto, ou o PT muda seu modelo de governo, dando mais atenção à esses serviços, ou a coisa tende a piorar.
    Por fim, concordo que a grande impresa é porca e induz uma situação muito pior do que a realidade, e sim, ela o faz por motivos políticos; mas essa não é a única fonte de pessimismo, nem a mais importante. 

    1. IV AVATAR

      30 de abril de 2014 12:32 am

      Bom mesmo é voltar à Era FHC com salário mínimo de 80 dólares

      Bom mesmo é voltar à Era FHC com salário mínimo de 80 dólares, com crianças mendigando nas estradas e fora da escola, bom mesmo é o pais ser governado por uma corja que só pensa neles, o estado mínimo para o povão e máximo para o barão, é cada uma, essa tropa paga de Silvio Berlusconi não liga mesmo o desconfiômetro

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