João Carlos Haas Sobrinho: morte “causada pelo Estado brasileiro” durante a Ditadura

Sob o governo Bolsonaro, a Comissão ainda não forneceu detalhes acerca do processo envolvendo João. A família recebeu a certidão de óbito retificada, o que já é uma "conquista" nas palavras da irmã, mas o desfecho só virá com informações sobre os restos mortais

Sônia Haas mostra a certidão retificada em frente ao busto em homenagem ao irmão, João Carlos, em São Leopoldo — Foto: Thales Ferreira / Prefeitura de São Leopoldo

Jornal GGN – Quase 47 anos após o seu sumiço forçado, em setembro ou outubro de 1972, João Carlos Haas Sobrinho teve a certidão de óbito retificada. Agora consta que a morte foi “causada pelo Estado brasileiro” durante o regime militar.

Aos 31 anos, João era médico, filiado ao PCdoB e morava no Maranhão quando decidiu se mudar para a região da guerrilha do Araguaia, onde foi assassinato.

No novo documento, recebido no dia 22 de agosto pela irmã, Sônia Haas, está escrito que João “faleceu entre setembro e outubro de 1972, sendo a data mais provável o dia 30 de setembro de 1972, sendo Xambioá, Tocantins, no âmbito do evento reconhecido como Guerrilha do Araguaia, em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985.”

A data da entrega da certidão não poderia ser mais simbólica: poucos dias antes do 30 de agosto, Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados, instituído pela ONU em 2011.

Em outros países que atravessaram a Ditadura Militar, o 30 de agosto reúne milhares de pessoas em atos públicos pela memória dos desaparecidos políticos há muitos anos. Aqui no Brasil, um ato foi organizado em São Paulo pelo coletivo Vozes do Silêncio nest ano, com a participação da procuradora Eugênia Gonzaga, ex-presidente da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos. Ela foi destituída do cargo depois de cobrar explicações da Presidência sobre ataques de Jair Bolsonaro a vítimas da Ditadura.

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Sob o governo Bolsonaro, a Comissão ainda não forneceu detalhes acerca do processo envolvendo João, comentou o G1. A família recebeu a certidão de óbito retificada, o que já é uma “conquista” nas palavras da irmã, mas o desfecho só virá com informações sobre os restos mortais.

“Não é fechamento, porque precisamos localizar os restos mortais e termos respostas sobre o que aconteceu. Não há referência concreta sobre como e onde aconteceu esta morte. Isso nos falta. O que ocorreu com esses corpos? Ninguém nos responde”, afirmou.

João Carlos Haas Sobrinho nasceu em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em dia 24 de junho de 1941. Formou-se em medicina pela Universidade Federal do estado e foi presidente do centro acadêmico da faculdade. Três anos depois do golpe militar, mudou-se para o Nordeste, onde atendia a população pobre em um consultório.

Em meados de 1969, João foi para a região do rio Araguaia, no Tocantins, para auxiliar a guerrilha. “A hipótese mais forte, segundo a família, é que tenha sido morto em combate com militares em 30 de setembro de 1972. Porém, até este ano, esta suposição não havia sido confirmada, já que o corpo não foi encontrado”, contou o G1.

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2 comentários

  1. Lamentável a morte de todos que estavam em contenda. É um triste capítulo de nossa história. Como o mundo inteiro também possui capítulos muito triste em sua história. No Brasil vivemos os perigos da ideologia comunistas os quais ao tomar o poder na Rússia no século passado foram implacáveis com seus opositores, assim como na China continental. Assassinatos em massa. Ainda posso citar Cuba, Coreia do norte e mais recentemente aqui nosso vizinho, a Venezuela. Ditadura de esquerda, pronta pra executar seus opositores.
    Bom aqui no Brasil não seria diferente caso os comunistas tivessem sucesso. Não há a quem perdoar muito menos condenar que esteve presente. Cada um fez o que achava melhor. Portanto hoje, o estado brasileiro não é responsável por aqueles que sucumbiram nesta luta insana. Cada qual lutava pelo que achava melhor para si, e não por uma nação melhor. Temos muito que aprender ainda!!!

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    • Anésio, tua falta de conhecimento e experiência sobre estas violações de direitos humanos, tua falta total de humanidade com a memória e nome dos mortos, está completamente clara neste seu texto pedante e com um verniz de aparente racionalidade, o que só serve para implodir a democracia e justiça de transição por dentro, e deixar uma casca de aparente justiça. O que de fato a Lei de Anistia faz e permanece fazendo. Se tivesse a mínima noção de História, não passaria vergonha alheia, vergonha pública com este teu débil comentário, História se atenta aos fatos e jamais ao o que poderia ser “SE” tivesse acontecido tal coisa ou ainda outra coisa… É ridícula tua tentativa baixa de equiparar a total desproporção de um Estado de Exceção com toda uma engrenagem industrial de morte e grupos que se opuseram ao regime de tortura, perseguição e morte. O Estado contava com o próprio aparato estatal para destruir pessoas, corpos, corações e mentes, querer comparar com pessoas que se opuseram a esta ditadura É UMA IMENSA E BAITA COVARDIA, UMA TOTAL DESONESTIDADE INTELECTUAL. VOCÊ NÃO TEM LUGAR ALGUM PARA DIZER SE O BRASIL É RESPONSÁVEL OU NÃO PELOS SEUS CRIMES DE LESA HUMANIDADE. VOCÊ TEM MUITO, MAS MUITO O QUE APRENDER AINDA. DECIDA SE PERMANECE NA IGNORÂNCIA, QUE TAMBÉM É UMA PAIXÃO, E PORTANTO DIFÍCIL DE ABRIR MÃO, OU SE IRÁ ABRIR CORAÇÃO E MENTE PARA A REALIDADE DOS FATOS: A DITADURA É ASSASSINA E O ESTADO É RESPONSÁVEL PELAS MORTES E SUA INDÚSTRIA DE MORTE.

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