MINAS: DE COSTAS PRA O COSTA

Patrus pode abandonar campanha Insatisfeito com Hélio Costa por defender dirigentes demitidos dos Correios que tentaram chantagear o governo, Patrus afasta-se da campanha

 

Após ter sido demitido pelo ministro das Comunicações, o ex-presidente dos Correios Custódio disse que a decisão não partiu do ministério e, “ao que tudo indica”, foi uma orientação da Casa Civil e do presidente da República.

Desde junho deste ano quando começou a circular notícias de que o Palácio do Planalto estaria insatisfeito com o comportamento do diretor da autarquia, Pedro Magalhães, irmão do deputado federal por Minas Gerais, João Magalhães, (um dos principais coordenadores da campanha do candidato do PMDB ao governo de Minas de Hélio Costa), que Custódio vinha segundo fontes do Palácio do Planalto. Comportando como um “menino de recado”, informando que Pedro Magalhães teria um “Dossiê” que seria entregue à oposição caso fosse demitido.

Evidente que o comportamento do ex-presidente da autarquia contava com “vista grossa”, do ministro das Comunicações, José Artur Filardi, que só não foi para a rua na mesma canetada que demitiu o presidente dos Correios, Carlos Custódio, porque Lula avaliou que a decisão poderia contaminar a eleição em Minas Gerais — Filardi, ex-chefe de gabinete de Hélio Costa, é ligadíssimo ao ex-ministro. Mas internamente Lula já disse que, abertas as urnas, Filardi irá para a rua.

Pedro Magalhães, além do apoio de seu irmão, conta com apoio do PMDB mineiro, mais especificamente do próprio candidato do partido ao governo, Hélio Costa. Magalhães e Costa são unha e carne. E, pelo visto, o “Dossiê” prometido deve ser realmente explosivo, pois sua demissão embora anunciada pela Casa Civil da Presidência da Republica não se confirmou.

Após demitir Carlos Henrique Custódio, ligado ao ex-ministro das Comunicações e candidato ao governo de Minas Hélio Costa, Lula indicou para o cargo de presidente da estatal David José de Matos, que integrou o primeiro escalão dos governos de Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, que deixou o cargo acusado de capitanear o mensalão do DEM no Distrito Federal. “Havia uma necessidade de dar uma oxigenação nos Correios”, disse o ministro das Comunicações, José Artur Filardi, ao justificar a troca de comando.

No xadrez das relações entre PT e PMDB, a nomeação de David de Matos fortalece a aliança em Brasília, já que os peemedebistas formam chapa com o candidato petista ao governo do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Ex-secretário geral da Novacap, estatal do DF responsável pela execução de obras de urbanização, o novo presidente dos Correios é ligado ao PMDB de Brasília.

O processo de “fritura” da cúpula dos Correios vinha se intensificando nos últimos meses. No início de junho, o “Estado” noticiou que o presidente Lula havia, então, adiado a decisão de demitir a diretoria da empresa para não prejudicar a aliança eleitoral do PT com o PMDB em Minas. O PMDB, partido de Hélio Costa, havia indicado boa parte da diretoria da empresa.

No mês passado mesmo, porém, as demissões foram iniciadas, com a saída do diretor de Operações, Marco Antonio Oliveira. Na quarta-feira (28), o governo anunciou que, em seu lugar, será nomeado Eduardo Artur Rodrigues Silva, ex-presidente da VarigLog.

Custódio recebeu a notícia de que deixaria a presidência dos Correios pouco depois de participar de evento com o presidente Lula na terça (27), para o lançamento do selo comemorativo aos 150 Anos do ministério da Agricultura. A cerimônia foi realizada no Clube do Exército, em Brasília, mas, segundo Custódio, durante o evento Lula não deu a ele qualquer sinalização sobre a demissão.

O ministro das Comunicações negou que a decisão tenha sido política. “O motivo é que estava sendo estudada pelo governo a necessidade de dar uma oxigenação nos Correios”. Segundo Filardi, a decisão é “administrativa”.

Embora as decisões tenham fortalecido o PMDB de Brasília, espatifou o relacionamento entre Hélio Costa e Patrus, pois o “Dossiê” prometido por Pedro Magalhães atingiria a candidata à Presidência pelo PT, Dilma, a quem é atribuído o convencimento de Patrus em aceitar o cargo de vice-governador na chapa de Hélio Costa.

Se Patrus não gostou, imagine Pimentel, que além de amigo é um dos principais coordenadores da campanha de Dilma.
 

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