Na era Bolsonaro, pecuária avança em áreas de preservação ambiental

Desmatamento em reserva extrativista aumenta mais de 200% - e o presidente já sinalizou que não haverá mais incentivos ao extrativismo

Apenas no primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Resex cresceu 203% em relação a 2018. Foto: Reprodução

Jornal GGN – O extrativismo está dando lugar à exploração da pecuária em áreas de preservação ambiental no Norte do Brasil, e a tendência sob o governo Jair Bolsonaro é que o desmatamento avance ainda mais.

Um exemplo disso pode ser visto no Acre, dentro da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes – criada em 1990 justamente contra essa atividade. A reserva foi criada pouco mais de um ano após o assassinato do líder extrativista, encomendado por um pecuarista.

Segundo o jornal Folha de São Paulo, muitas famílias alocadas na reserva acabaram vendo na pecuária uma atividade econômica mais viável, mesmo que de forma ilegal – pelas regras, uma colocação (área destinada por família) só pode desmatar até 30 hectares, e apenas metade pode ser usada para a pecuária. Além disso, o desmatamento precisa de autorização prévia do ICMBio, responsável pela gestão da Resex.

O gado é visto pelos seringueiros como um produto de grande liquidez, e a troca da floresta pelo capim se acelerou no rastro da eleição de Jair Bolsonaro, que prometeu em campanha reduzir a proteção ambiental em favor da agropecuária. Por conta desse discurso, o Acre deu a Bolsonaro sua maior votação proporcional no segundo turno da eleição em 2018, com 77% dos votos válidos.

Apenas no primeiro ano do governo Bolsonaro, o desmatamento na Resex cresceu 203% em relação a 2018. A área de floresta perdida, 74,5 quilômetros quadrados, é a maior da série histórica do sistema de monitoramento Prodes (Inpe), iniciado em 2008, e equivale a quase dois Parques Nacionais da Tijuca (RJ). Ao todo, a unidade já perdeu 7,5% da sua cobertura florestal.

Além disso, o governo Bolsonaro sinalizou que não haverá mais incentivos ao extrativismo. Em artigo publicado em novembro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, comparou os seringueiros a “cobaias humanas” – e a deputada federal Mara Rocha (PSDB-AC) protocolou projeto de lei que retira da Resex uma parte já tomada pela pecuária.

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