O IPCC, o Aquecimento Global, e os mitos das “verdades inconvenientes”

Recomendo à todos a leitura da matéria da edição de Abril da revista Fapesp sobre o que o veículo chamou de “campanha contra o IPCC”.

O IPCC é o “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas”, braço das Nações Unidas que cuida de assuntos sobre o clima e mudanças climáticas. O modo de ação do IPCC é interessante, e ao que parece, democrático… Na própria reportagem da revista podemos entender um pouco de como se tomam as decisões dentro do painel.
Resumidamente, o painel reúne cientistas voluntários escolhidos por região em todo o mundo, organizando grandes plenárias onde se discute teses da comunidade científica mundial, gerando extensos relatórios com os resultados.

Pois bem. O IPCC vem defendendo há anos a idéia de que o planeta Terra está num processo de aquecimento global proveniente de causas antropogênicas, ou seja, um aquecimento do mundo inteiro causado pelo homem.
Algumas das consequências desse aquecimento preconizado pelo IPCC seria o aumento do nível do mar, seca em regiões úmidas como a amazônia, e um aumento na intensidade de processos naturais como tempestades e furacões, gerando as tais catástrofes que temos visto em diversos filmes, documentários e matérias jornalísticas que se tem lançado por ai.

A ciência, que necessita a rigor de um método científico, é baseada em modelos que podem ser normalmente questionados. É assim que a física relativista de Einstein surge respondendo o que a física clássica newtoniana não dava conta de resolver em estudos que envolvessem grande quantidade de matéria e energia. Isso permitiu a teoria da deformação do espaço e etc…. falta lembrar isso aos cientistas do IPCC…

Ocorre que raquearam (ou seja, roubo virtual) emails dos cientistas do IPCC, vindo à tona mensagens comprometedoras que evidenciaram a manipulação de dados que constavam nos relatórios do organismo. Entre as “gafes” do relatório, há algumas citadas na reportagem, como a utilização de dados não científicos da ONG WWF num relatório do IPCC que prenunciava o derretimento completo do gelo na cordilheira do Himalaia até 2035. Obviamente tiveram que admitir que a informação não tinha fundamento científico para constar o relatório.
Antes desse episódio, já havia cientistas que refutavam a idéia de aquecimento global, alguns defendendo inclusive hipótese contrária com a tese do resfriamento global. O físico PhD em Meteorologia, Carlos Molion é um dos que apóiam essa teoria, não tendo porém espaço na mídia como os chamados “aquecimentistas”.

Na realidade o aquecimento global antropogênico tem sido tomado como verdade absoluta para grande parte da população e pelos grandes veículos de comunicação que transmitem as “análises” do IPCC sem qualquer problematização dos parâmetros usados pelo painel do clima. A matéria citada da Fapesp é um exemplo dessa posição. A edição entrevista diversos expoentes do painel, sendo reativa aos que questionam o aquecimento, colocando-os ao lado de grupos de interesse ligados à energia fóssil emissora de CO2, ao tempo que não abre espaço à “nenhum” cientista contrário às HIPÓTESES (que chamam de verdades) do IPCC. Os cientistas contrários à verdade absoluta do painel, são para a revista, conspiradores. Vale a pena ler a matéria e procurar questionar as teorias que nos estão sendo impostas:

http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4098&bd=1&pg=1&lg=

A Terra tem um sistema ecodinâmico complexo e extremamente variável em cada região, onde o homem pode interferir em diversos aspectos que muitas vezes é difícil de mensurar. Só para simplificar com alguns exemplos, a simples perfuração de poços artesianos pode causar tremores de terra a distâncias quilométricas, uma vez que podem desestabilizar as rochas abaixo do solo. Esse exemplo ocorre em Bebedouro, interior de SP e está também em uma das reportagens da Fapesp deste mês:

http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4105&bd=1&pg=1&lg=

Outro exemplo, também da revista Fapesp, são as queimadas na Amazônia que podem ter impacto de resfriamento, uma vez que camadas de partículas suspensas provenientes da queima da floresta formam nuvens negras que bloqueiam parte da luz solar, impedindo o contato direto com o solo, provocando diminuição das chuvas e da temperatura local. Também vale a pena ler:

http://revistapesquisa.fapesp.br/index.php?art=2107&bd=1&pg=1&lg=

Esses são exemplos simples que ainda estão sendo estudados e inclusive, passíveis de controvérsias admitidas pelos próprios pesquisadores.

….este trecho de um estudo geológico eu acho emblemático para mostrar essa dificuldade em se entender os processos naturais…segue:

“Se considerarmos que os eucaliptos atuam como absorvedores de água do solo, neste caso promoveriam o rebaixamento do nível freático e, desta forma, poderiam ser vistos como redutores da erosão e estabilizadores das encostas, diminuindo o assoreamento nos rios coletores principais. Por outro lado, este rebaixamento implicaria na perda de mananciais de água para os contingentes locais, indisponibilizando algumas fontes alternativas de abastecimento. Diante desta ambivalência, e levando-se em conta a ausência de suporte teórico para aplicação de modelos preditivos e de medidas preventivas, iniciamos uma pesquisa nesta região tendo em vista avaliar as respostas geo-hidroecológicas da introdução de monoculturas de eucaliptos na paisagem.”
(Link: http://www.seb-ecologia.org.br/viiceb/resumos/205a.pdf)

…ou seja, é difícil entender a simples plantação de monocultura eucalipal, mas é fácil (para o IPCC) entender o aquecimento em escala “global”….Os cientistas do IPCC são homens ou deuses?

A tentativa de se estabelecer um modelo que explique a mudança climática global a partir da ação humana torna-se uma tarefa dificílima já que os processos dinâmicos da natureza apresentam variabilidade de local para local. A possibilidade de um aquecimento de toda a Terra pode provocar uma gama de efeitos que ainda não podemos calcular, mas sim, imaginar e formular hipóteses.

É ai que está a relatividade dos argumentos ao se tratar de um tema com possíveis conseqüências mundiais.

Será mesmo que conseguimos aquecer a Terra inteira emitindo seis bilhões de toneladas de CO2 por ano, num sistema com fluxo natural de carbono envolvendo oceano, solo, vegetação e atmosfera que somam 200 bilhões de toneladas/ano?

A natureza transformada numa bolsa comercial de carbono é mais uma preocupação ambientalista, ou só mais um setor do sistema financeiro?

Será que nós, demasiado humanos, temos tanto poder manipulando apenas 7% da superfície terrestre?

Apelidar a monocultura de eucalipto transgênico de “reflorestamento” é mais uma ajuda ao planeta Terra? Quem ganha dinheiro com isso? Para que a Votorantim abriu a Votorantim Celulose?

O tal “aquecimento global” matará mais que a diarréia? Doença que vitíma até hoje, em pleno século XXI, 1,5 milhão de crianças a cada ano:

http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1340736-5603,00.html

Qual é o nosso maior problema? O calor ou a distribuição de renda?

Porque estão transformando o clima no mal do século, e mandando os pobres fecharem as torneiras?

O problema da água está mesmo em quem escova os dentes com a torneira aberta ou nos defasados sistemas de irrigação para agricultura que consomem aproximadamente 69% de todo o gasto de água no mundo?

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