Os efeitos drásticos da pandemia em Manaus: falta de oxigênio, pacientes transferidos e toque de recolher

Ontem, a capital do Amazonas bateu recorde de novas hospitalizações e sepultamentos. Hoje, o desesperos de amazonenses invadiu as redes sociais. Estado clama pela ajuda do governo federal

Vala coletiva em cemitério público na zona oeste de Manaus. | Foto: Michael Dantas/AFP

Jornal GGN – A crise em Manaus, no Amazonas, provocada pelo repique de casos da Covid-19, colocou a capital no centro das urgências desta quinta-feira, 14. Com a falta de oxigênio, o insumo mais importante para o tratamento dos casos graves da doença, o governador do estado, Wilson Lima (PSC), afirmou que pacientes amazonenses serão transferidos para Goiás, Piauí, Maranhão, Brasília, Paraíba e Rio Grande do Norte. 

Nas redes sociais circulam vídeos de pessoas desesperadas nas unidades de saúde da capital. À coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, o pesquisador Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, afirmou que tem recebido diversos relatos dramáticos de profissionais que atuam na linha de frente de unidades de saúde. 

“Estão relatando efusivamente que o oxigênio acabou em instituições como o Hospital Universitário Getúlio Vargas e serviços de pronto atendimento, como o SPA José de Jesus Lins de Albuquerque”, disse ele. “Há informações de que uma ala inteira de pacientes morreu sem ar”, completou.

Mais cedo, o Coronel Franco Duarte, representante do Ministério da Saúde, disse que outros estados deverão receber pacientes amazonenses com estado de saúde em fase moderada da doença, informou o G1.

“São pacientes que ainda continuam dependentes do oxigênio, mas eles têm toda a segurança plena para serem aerotransportados”, disse Duarte. “O paciente do Amazonas que subir na aeronave terá toda a segurança e assistência, com cobertura até de assistentes psicossociais, para não haver falha nenhuma”, disse. 

No início da semana, o governador Wilson Lima há havia gravado um vídeo apelando para a ajuda do governo federal e de outros estados: “Nós estamos entrando em uma situação dramática”, disse.

No comunicado foi relatado a falta de oxigênio líquido para a rede estadual. Após o consumo passar de 176 mil para 850 mil metros cúbicos por mês, as empresas que fornecem o insumo comunicaram que não seriam capazes de dar conta da demanda.

Ontem, a capital bateu recorde de novas hospitalizações, totalizando 2.221 só nos 12 primeiros dias de janeiro. Também houve recorde de sepultamentos nas duas últimas semanas, com média diária de 111 enterros. 

Na terça-feira, Manaus tinha taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de 90% na rede pública e 93% da rede privada. 

Toque de recolher e Enem adiado

Após a repercussão da situação, o governador Wilson Lima anunciou no início desta tarde um decreto que proíbe a circulação de pessoas em Manaus entre às 19h e 6h, a fim de conter as contaminações pela doença. Apenas serviços essenciais serão liberados.

A ordem deve passar a valer a partir da publicação do decreto, que deve ocorrer ainda hoje.

Nesta quarta-feira, a Justiça Federal também suspendeu a realização Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Amazonas, devido a crise. As provas estavam previstas para acontecer no próximo domingo.

Nova Cepa

De acordo com especialistas, o novo surto em Manaus pode ter sido potencializado por uma nova variante que torna o vírus mais letal, também encontrada no Japão. As informações são do G1.

A nova cepa, que recebeu o nome de P.1, foi estudada por cientistas de dez instituições, entre elas o Imperial College London e a Universidade de Oxford, ambas na Inglaterra, e o Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo. 

Segundo o estudo, que analisou material genético de 31 amostras de pacientes com Covid-19 de Manaus, entre os dias 15 e 23 de dezembro, 42% do total apresentaram justamente essa nova linhagem. 

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