5 de junho de 2026

Papa Francisco recoloca a Igreja no centro do mundo

 

 
 
A Igreja Católica Romana é a única e maior instituição no ocidente capaz de fazer contrapeso cultural e político ao próprio ocidente. É a única instituição que a partir de sua maior liderança, o Papa, pode mudar de maneira significativa o rumo do mundo. É o que tem feito o Papa Francisco.
Quando Bento XVI renunciou, o papa intelectual, se abriu um enorme vácuo de certezas a respeito do que aconteceria a partir dali. A ideia de crise ventilou-se por todos os cantos, como se a Igreja pudesse, naquele momento de renuncia papal, ficar à deriva.
Escapou a muitos, talvez a maioria, de que a Igreja é uma instituição de 2 mil anos. Que o próprio ocidente é mais ou menos uma invenção sua e, que tudo aquilo vivido, acontecido, experimentado, transformado, morrido, renascido e recriado, nestes 2 mil anos, foi acompanhado ao lado, por dentro, encima e junto pela Igreja Católica.
Não há outra instituição no ocidente com a bagagem, background e produção intelectual a respeito de si mesma e, do mundo, como a Igreja, em suma, expertize. A maneira como a sucessão papal se deu, calma e rápida; a escolha de um Papa argentino, não europeu, inédito, num momento extremamente delicado de renuncia, evidencia que a Igreja ao fazer isso tudo, não o fez desconhecedora dos desdobramentos subsequentes.
Certamente momentos como estes já foram experimentados e vividos antes. O que quero dizer é que a Igreja tem case para tudo. Um Papa Argentino, latino americano, jesuíta, outsider. Outsider num mundo em crise, econômica, cultural, social e ecológica. Isto é, extremamente oportuno.
De repente o Papa chama Francisco, não dorme nos aposentos papais, anda de carro popular e paga os hotéis onde se hospeda. De quebra, diz que fumou maconha na juventude.
Quando a Igreja católica brasileira e as evangélicas se perdem num leilão sem fim por dinheiro, o Papa desnuda o banco do Vaticano, afasta um Bispo alemão que vivia como um magnata e, discursa em nome dos pobres e da simplicidade.
Perguntado sobre os gays, responde: “quem sou eu para julgar”. Desta forma, enquadra um dos maiores e mais barulhentos movimentos militantes do mundo numa frase, deixando datado um dos mais importantes temas surgidos na revolução cultural dos anos de 1960. Apontando que diante das urgências globais, onde a própria civilização humana encontra-se em risco, a demanda gay é apenas uma questão…
O mesmo se dá em relação a maconha. Diante do descalabro do uso de álcool e psicotrópicos e drogas químicas vendidas pela indústria farmacêutica, maconha é um não tema.
Isso tudo em poucos meses de papado. E com isso apenas, recoloca indiretamente a força e o significado de uma autoridade, seja ela qual for, quando revestida de credibilidade, sinceridade e visão de mundo. Papa Francisco traz à tona o significado de uma autoridade em seu maior sentido e, a importância dela em momentos como o que o mundo vem vivendo; profundamente intoxicado pela corrupção e degradação moral.
 
O Papa Francisco chama a atenção de católicos e não católicos e, isso provém de sua autoridade moral, que não quer dizer religiosa. E pra finalizar, a mais importante autoridade moral do mundo hoje não provém de uma instituição democrática, chamando atenção também para a crise profunda da democracia ocidental. Luciano Alvarenga

 

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15 Comentários
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  1. Anarquista Lúcida

    18 de janeiro de 2014 2:15 am

    Haja blablablá

    A ICAR sempre foi uma praga para o Ocidente, e sempre o será. O resto é apenas campanha de marketing.  

    1. Natan Pardinho

      18 de janeiro de 2014 3:26 am

      Poderia dizer porque é uma

      Poderia dizer porque é uma praga para o Ocidente?…tipo, sem ser MUITO genérica ou completamente bitolada ou cegada pela ideologia…

      1. Anarquista Lúcida

        18 de janeiro de 2014 3:33 am

        Cruzadas, guerras santas, opressao da mulher, obscurantismo

        Basta para você ou quer mais? 

        1. Natan Pardinho

          18 de janeiro de 2014 3:39 am

          Bom, dentro da cegueira

          Bom, dentro da cegueira ideológica, o mesmo do mesmo… genérico, como sempre…

          1. Anarquista Lúcida

            18 de janeiro de 2014 4:06 pm

            É. Carolas falando de cegueira ideológica é HILÁRIO.

          2. Natan Pardinho

            18 de janeiro de 2014 8:05 pm

            Acho que até fui complacente

            Acho que até fui complacente em dizer que é só cegueira ideológica…

          3. Anarquista Lúcida

            18 de janeiro de 2014 8:14 pm

            Caríssimo, nao seja ridículo…

            EU fui complacente. Nem citei a Inquisição, veja só. E nao há cegueira ideológica mais completa que a de crentes (de qualquer religiao) que crêem incondicionalmente em mitos. Passe bem. 

          4. Natan Pardinho

            18 de janeiro de 2014 11:04 pm

            mais um pouco e vc vai

            mais um pouco e vc vai colocar nessa conta o holocausto…rs…

            como eu disse, como bom cristão, estou sendo complacente contigo…

          5. Anarquista Lúcida

            19 de janeiro de 2014 12:55 am

            Diretamente, nao. Indiretamente é claro

            Sem o antissemitismo sempre desenvolvido no seio da Igreja, e isso por séculos, nao haveria clima para o Holocausto. 

          6. EMILIAMMM

            19 de janeiro de 2014 12:54 am

            A título de curiosidade. Quem

            A título de curiosidade. Quem deu as pistas para a descoberta de Troia não foi nenhum pesquisador racionalista de carteirinha mas o autodidata Heinrich Schliemann que, incondicionalmente, contra toda a arqueologia considerada científica de sua época, apostou no relato mítico de Homero.

            Seguindo sobretudo as indicações ‘geográficas’ do poeta, guardião e transmissor dos mitos gregos, ele fundou a denominada arqueologia homérica quando chegou ao sítio onde, posteriormente, os arqueólogos profissionais localizariam a Troia histórica. O relato sobre essa bela descoberta pode ser lido aqui: 

            http://www.cinfil.com.br/arquivos/heinrich_schliemann.pdf‎

               

        2. Ugo

          18 de janeiro de 2014 10:55 am

          um livrinho

          Thomas E. Wood, intelectual norte americano escreveu, está disponível em português: “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, pode ser útil para amliar os horizontes.

  2. Oswaldo Conti-Bosso

    18 de janeiro de 2014 2:48 am

    Celso Furtado e o Ocidente em ‘State of Denial’

    Publicado em outubro 3, 2013 :  

    Celso Furtado e o Ocidente em ‘State of Denial’

    (…) Qual a novidade no Ocidente hoje, desde o livro de Bob Woodward, The State of Denial (2006) – o pico do julgamento moral e ausência (vácuo) de poder do Governo Bush Jr. – derivando na grave crise de valores e na grande surpresa de um negro americano ser eleito para presidente dos EUA?

    A novidade no Ocidente é um Papa Latino “del fim del mundo”, como ele próprio se definiu. É o primeiro Papa vindo da Companhia de Jesus, quase 500 anos depois de ser criada por Inácio de Loyola em 1534 e a bula papal em 1540. Chegou ao cume do poder numa instituição que tem quase 2000 anos. Instituição que tem história e cultura para dialogar com as culturas milenares da Ásia.

    Nas últimas décadas, a igreja mostrou; que tem um padrão (sinais aparente de não ser um mero acaso). Nos anos 70 a “fumaça branca” que saiu do chaminé na praça de São Pedro no Vaticano, elevou um Bispo do mundo comunista para ser Papa. Após o total fracasso da doutrina ( e da administração) do teólogo anglo saxão alemão, o consenso da igreja milenar é a aparente volta ao Concilio Vaticano II de João XXIII, com a chegada de um Papa latino “del fim del mundo”.

  3. Marcos K

    18 de janeiro de 2014 8:06 am

    Gosto muito de estudar a

    Gosto muito de estudar a história da Igreja e não tenho dificuldade em confessar que quanto mais a estudo mais me convenço da minha completa ignorância sobre o tema. Mas algumas coisas eu sei: é uma instituição poderosa em todos os sentidos; uma instituição capaz; seus líderes são extremamente bem preparados, capazes de verem coisas anos a frente dos réles mortais; nada que ela faz é de graça e sem objetivos, muitas vezes invisíveis para nós, e sem ela o Ocidente simplesmente nem existiria, pois foi ela quem preservou (embora muitas vezes também tenha destruído) o legado da antiguidade greco-romana. Querendo ou não, como disse o autor, nesses 2.000 anos ela está por trás de tudo o que aconteceu no Ocidente, para bem ou para mal. por isso antes de desejar o seu fim ou criticá-la devemos tentar compreendê-la.

  4. Miguel A. E. Corgosinho

    18 de janeiro de 2014 11:13 am

     “É a única instituição que a

     “É a única instituição que a partir de sua maior liderança, o Papa, pode mudar de maneira significativa o rumo do mundo.”

    A única forma de obter a hipótese significativa do mundo, no seu ramo de determinar sobre a realidade dos povos, é saber como o seu espaço-tempo se torna uma instituição exata da natureza, frente ao mercado financeiro, fundamentalmente com direito central sobre a existência.

    Aliás, isso reconheceria a falta dos rumos estruturais do mundo, de mover-se puramente no domínio entre os matemáticos, para assumir a liderança teórica de fatos econômicos, que ainda conduzem países ricos dando voltas em um painel temporal, como princípio da sua miséria. 

  5. Miguel A. E. Corgosinho

    18 de janeiro de 2014 12:04 pm

    Fala sério!

    Em termos religiosos, o único que pode mudar os rumos do mundo é Deus.

    Aquele que quiser ser o maior entre os homens, como diz a bíbilia, é aquele que se faz o menor para servir. 

    E sabedoria de Deus não é para nos salvar deste mundo. 

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