Para Ernesto Araújo, ditadura militar é “interpretação de história”

Ministro das Relações Exteriores respondeu a ofício que questionava uso de livro de Brilhante Ustra em palestra

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. Foto: Marcelo Camargo/Ag. Brasil

Jornal GGN – A existência da ditadura militar no Brasil (1964-1985) “se trata de uma questão de interpretação da história brasileira”. Pelo menos é o que afirma o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Tal colocação foi feita em resposta a um ofício apresentado pelo deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) pedindo explicações ao ministro sobre o uso de um livro do ex-chefe do DOI-CODI, Carlos Brilhante Ustra, para embasar uma de suas palestras. Na resposta, Araújo diz que “trata-se de uma questão de interpretação da história brasileira, que não compete ao Ministério das Relações Exteriores no contexto da presente consulta”.

Em sua coluna no jornal O Globo, a articulista Bela Megale explica que um grupo de diplomatas do Itamaraty recebeu o livro “A Verdade Sufocada”, escrito por Brilhante Ustra, condenado por tortura na ditadura militar, para embasar uma apresentação que estavam preparando para Araújo fazer a países estrangeiros.

Há cerca de três meses, o chanceler falaria sobre o Foro de São Paulo, uma reunião de partidos de esquerda e centro-esquerda da América Latina, ao Grupo de Lima, fórum de articulação política estruturado para acompanhar e crise na Venezuela.

Segundo a articulista, a orientação do assessor de Araújo para a área encarregada de preparar a palestra era se basear no livro de Ustra para mostrar a história da esquerda brasileira. O material integraria uma apresentação sobre o chamado Foro de São Paulo (reunião de partidos de esquerda e centro-esquerda da América Latina) ao Grupo de Lima, fórum de articulação que busca acompanhar a crise na Venezuela.

No fim, a palestra não ocorreu, mas Araújo conseguiu emplacar uma manifestação de rejeição ao Foro de São Paulo pelo Grupo de Lima, em julho de 2019.

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8 comentários

  1. Além de ser incapaz de conceber uma política externa coerente e independente Ernesto Araujo pretende revisar a História política do Brasil. Ele é irrevante como diplomata, mas consegue ser pior como ideólogo. Napoleão Bonaparte diria que ele é um monte de bosta vestindo Prada.

  2. Prezados, este sujeito é só um idiota. Um chato, literalmente, um chato.
    É outro que integra bem o conselho de amebas que boia no esgoto deste governo infame.

  3. A pior imbecilidade traz atrelada ao burro a carga difamatória da história em maiúsculas. Esse dito itamaratizado é prova inconteste do horror que o corporativismo é capaz de produzir, em sua pior face.
    Houvesse efetivamente um ministério de relações exteriores e essa coisa não seria nem servidor de cafezinho. Qualquer serventuário sabe, conhece e interpreta a história em sua totalidade: coisa que a cretinice unida à calhordice não consegue. O Celso Amorim, por exemplo, teve tempo mais do que suficiente para desbaratar o itamaraty dessas deformidades culturais. Perdeu tempo e agora o país tem de conviver com essas excrescências mal formadas e pior constituídas.

  4. gostaria de ver uma reportagem analisando o perfil dos principais membros deste ( )governo, suas posições face a ditadura, tortura, racismo… A conclusão óbvia é que estamos num governo fascista. Luis Nassif fica aí a sugestão.

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