Parcerias favorecem estudos no setor

Dayana Aquino

Da Redação ADV

As parcerias para pesquisas sobre a produção e pesquisa em biocombustíveis são comuns entre instituições de ensino e pesquisa no Brasil, e estão se tornando cada vez mais frequentes no âmbito internacional. O intercâmbio de conhecimento, favorecido pela troca de tecnologia e de pesquisadores, gerou duas recentes parcerias que devem beneficiar os estudos para biodiesel e etanol.

A Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) selaram um acordo de cooperação científica em diferentes áreas, que inclui o cultivo de oleaginosas e a produção de biocombustíveis em área de reforma de canaviais. Uma das espécies alvo dos estudos será o crambe, que apresenta maior tolerância à seca.Já na outra ação, por meio de uma parceria fechada com a Embrapa Agroenergia e Universidades e Centros de Pesquisa do Reino Unido, pesquisadores podem se inscrever e participar do projeto “Inglaterra-Brasil: pesquisa com biocombustíveis de segunda geração”, na Inglaterra. A iniciativa vai permitir o intercâmbio de 15 profissionais, por um período de seis meses no Reino Unido para o desenvolvimento de pesquisas em laboratórios.De acordo com a Embrapa, em uma primeira parte do edital, já concluída, foram selecionados quatro pesquisadores que vão para a Inglaterra e Escócia, ainda em março. Na lista dos trabalhos a serem desenvolvidos, estão os processos fermentativos para o etanol de segunda geração e genética. Podem participar analistas e pesquisadores da Embrapa e das instituições parceiras do Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária – SNPA.

Para o pesquisador da empresa, Hugo Molinari, a pesquisa vai propiciar o compartilhamento de técnicas e metodologias. Em seu trabalho, que envolverá a estrutura da parede celular de gramíneas, os dados poderão ser incorporadas às novas estratégias de manipulação de espécies com importância econômica para o Brasil, como a cana-de-açúcar.

O pesquisador acredita que a oportunidade de intercâmbio permitirá ganho de conhecimento na área de feruloilação da parede celular de gramíneas, que representam um importante alvo para a engenharia genética de culturas de interesse energético.

Crambe

Embora a cultura seja promissora, ainda é necessária a definição de parâmetros técnicos e agronômicos, bem como a confirmação da viabilidade econômica da planta. O crambe é uma leguminosa de inverno, cultivada em maior escala no México e nos Estados Unidos para a produção de óleo industrial. O cultivo da planta no Brasil teve início em 1995. A semente tem teor de óleo entre 26% a 38%. A título de comparação, o teor do grão da soja, responsável por cerca de 80% da atual produção nacional de biodiesel, é em torno de 20%.

Também estão na pesquisa com as oleaginosas as culturas da soja, amendoim e girassol mais conhecidos da agricultura brasileira. As análises vão considerar a produção em sistema cooperativo na agricultura familiar e sua integração com o setor energético.

O acordo prevê cooperação através da utilização recíproca de infra-estruturas técnicas e administrativas, incluindo equipamentos, máquinas, implementos e insumos; parcerias para a obtenção de recursos financeiros e, principalmente definir, planejar, coordenar e executar estudos, levantamentos, pesquisas, planos e programas destinados ao desenvolvimento técnico-científico nas áreas de atuação.As atividades acontecem no assentamento da Fazenda Monte Alegre, localizado nos municípios de Motuca, Araraquara e Matão, região central do estado de São Paulo, onde as unidades da Embrapa vão coordenar a introdução das culturas de soja, amendoim, girassol e crambe.O assentamento da Fazenda Monte Alegre abriga 400 famílias de agricultores e é um dos primeiros assentamentos da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo – ITESP.“O cultivo de oleaginosas para produção de biocombustíveis deve aumentar a renda e a geração de empregos no meio rural, além de proporcionar a melhoria no sistema de produção das cultivares envolvidas no projeto” afirma Pedro Abel, pesquisador do Escritório de Negócios de Campinas da Embrapa Transferência de Tecnologia e coordenador do projeto.

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