Pequeno Manifesto

Participo já há certo tempo deste Blog, que tem me proporcionado a aprendizagem do debate democrático, o exercício da cidadania e o encontro de boas camaradagens.  

Quando perguntada sobre o que gostaria de ser quando crescesse, respondia “quero ser justa”.

Como tem ocorrido manifestações um tanto estranhas e algumas até absurdas em relação a alguns dentre nós, logo resolvi falar – ainda que isto tenha pouca ou nenhuma importância – de como sinto as relações aqui.

Não existe turmas, grupos ou até facções, como vez por outra, explicitam. Há afinidades e partilha de conhecimento e descobertas. Quem quer, participa, a porta está aberta. Há, sim, amizades que se construíram.

Gosto de gente. Gente me interessa. Os mais diversos tipos possíveis. A priori, todos são bem-vindos.

De minha parte não ambiciono culto a persona. Mais sim a importância da estética das coisas, tanto na natureza, como nas artes.

Eu sou mulher e sempre gostei do meu gênero. Não o denigro, não o desmereço, não o acho desleal ou mais vingativo que os homens. “Essa espécie ainda envergonhada”.

E gosto, principalmente, de trocas. De compartilhar.

Somos cabotinos ? Falamos demais? E às vezes dizemos absolutamente nada apesar das enormes frases construídas.

Certamente. É difícil lidar com a própria vaidade. A alheia, menos ainda.

Aceito pretensões literárias e outras.

Mas, às vezes, como não sentir pena de nossa condição humana?

Procuro não julgar. Todos têm suas razões. Boas ou injustas. Todos têm seus embates e padecimentos. Sempre tentei entender e não acusar. Ou pior ainda, responder com brutalidade ou maldosa ironia.

Leia também:  “Quando a nossa história chega, é possível desfazer os preconceitos”, diz autora Glicéria Tupinambá

Mas não tolero crueldades nem injustiças.

Quando gosto de algo ou alguém, expresso esse gostar. Porque aprendi que o humano precisa ser incentivado. E o que me toca ou comove, aplaudo. Porque assim fui criada. Meus pais ensinaram que a gentileza e o sorriso são as nossas melhores armas. E que se deve crer no humano.

Não sou maniqueísta. Todos têm qualidades e defeitos. Erramos, acertamos, caímos, levantamos, continuamos.

Porém, ultimamente, tem uma questão que me depassa : em que momento, nesses encontros apenas virtuais, as pessoas pensam saber tudo ou quase, sobre as outras? Como é possível, à partir de um contato bastante superficial, definir terceiros, com quem nunca se teve uma única conversa pessoal? Afirmar peremptoriamente o que A ou B é ou sente, quando na realidade não se sabe absolutamente nada!?

Podemos entrever além das ‘máscaras’. Mas daí, pretender saber o que se passa na alma e coração de outrem, que se encontra distante, é sem sentido.

E o que não faço e não gosto, é de sair por aí, gritando as “minhas verdades”. Não me permito sair com um metralhadora giratória, atirando em todos e constrangendo terrivelmente as pessoas.

No livro Uma Apredizagem ou O Livro dos Prazeres, Clarice Lispector que, como eu, não crê, pede. E nessa pequena prece, ela sintetiza o que todos precisamos um pouco, às vezes muito.

“Alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entedê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora da minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém”.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

17 comentários

    • chove

       

                          


                           Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva 
                           Não faz ruído senão com sossego. 
                           Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva 
                           Do que não sabe, o sentimento é cego. 
                           Chove. Meu ser (quem sou) renego… 

                           Tão calma é a chuva que se solta no ar 
                           (Nem parece de nuvens) que parece 
                           Que não é chuva, mas um sussurrar 
                           Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece. 
                           Chove. Nada apetece… 

                           Não paira vento, não há céu que eu sinta. 
                           Chove longínqua e indistintamente, 
                           Como uma coisa certa que nos minta, 
                           Como um grande desejo que nos mente. 
                           Chove. Nada em mim sente… 

                           Fernando Pessoa, in “Cancioneiro”

    • Tonto de tanto cantar, sou

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=aaEiirzhMq0%5D

      Tonto de tanto cantar, sou pássaro.

      Somente pena,

      Apenas Canto,

      Somente Ar,

      Tenta como eu ser asa enquanto o tempo passa,

      Tenta como eu…ser pássaro,

      Tenta ultrapassar, a temporada da caça,

      Tenta provar do açucar das frutas,

      Tenta romper a casca,

      Têm tanto sol,

      Têm tanto chuva,

      Têm tanto ar…

      Tenta como eu ser pássaro,

      E passarás, passarás, passarás, as penas,

      Tenta apenas ultrapassar o penar,

      Ai…há tanto açucar nas frutas,

      Ah! tantas mudas, há tanto açude no olhar,

      Tantas palmeiras, não cansa nada voar vida inteira,

      Ser como um pássaro, não se deixar passar,

      Nem pelo verde dos olhos, nem pelo negro da noite,

      Não cansa nada voar.

      Tenta ser como pássaro e passarás, passarás, passarás as penas,

      Tenta apenas, ultrapassar o penar,

      Tenta apenas, ultrapassar o penar.

      • Leve

        Eu quero crer na paz do futuro,
        Eu quero ter um quintal sem muro
        Quero meu filho pisando firme,
        Cantando alto, sorrindo livre
        Quero levar o meu canto amigo
        A qualquer amigo que precisar

        Venha comigo olhar os campos,
        Cante comigo também meu canto
        Eu só não quero cantar sozinho,
        Eu quero um coro de passarinhos
        Quero levar o meu canto amigo
        A qualquer amigo que precisar.

  1. Tranquila

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=YrsZtryhxjI%5D

    Tranqüila
    Levo a vida tranqüila
    Não tenho medo do mundo (2x)
    Não vou me preocupar (2x)
    Tranqüila
    Levo a vida tranqüila
    Não tenho medo da morte (2x)
    Não vou me preocupar (2x)
    Que passe por mim a doença
    Que passe por mim a pobreza
    Que passe por mim a maldade, a mentira e a falta de crença
    Que passe por mim olho grande
    Que passe por mim a má sorte
    Que passe por mim a inveja, a discórdia e a ignorância
    Tranqüila
    Levo a vida tranqüila
    Não tenho medo do mundo (2x)
    Não vou me preocupar (2x)

    Que me passe a doença que me passe,
    A pobreza que me passe a maldade que me passe.
    Olho grande que me passe a má sorte que me passe.
    A inveja que me passe a tristeza da guerra.

    Tranqüila
    Levo a vida tranqüila.
    Não tenho medo da morte
    Não vou me preocupar

  2. Viver é isso

    “Sou grato pela minha vida. Não terei ultimas palavras a dizer.  As que tinha para dizer, disse durante a minha vida. Recebi muito. Fui muito amado. Tive muitos amigos. Plantei arvores, fiz muitos jardins. Construi fontes, escrevi livros. Tive filhos, viajei, experimentei a beleza, lutei pelos meus sonhos. Que mais pode um homem desejar? Procurei fazer aquilo que meu coração pedia”.

    Rubem Alves

    • Cada tempo em seu lugar

      (…)

      Cada coisa em seu lugar
      A bondade, quando for bom ser bom
      A justiça, quando for melhor
      O perdão:
      Se for preciso perdoar

      Agora deve estar chegando a hora de ir descansar
      Um velho sábio na Bahia recomendou: “Devagar”
      Não posso me esquecer que um dia
      Houve em que eu nem estava aqui
      Se eu ando por aí correndo, ao menos
      Eu vou aprendendo o jeito de não ter mais aonde ir

      Cada tempo em seu lugar
      A velocidade, quando for bom
      A saudade, quando for melhor
      Solidão,
      Quando a desilusão chegar

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=DZHw6RiAa74%5D

  3. Querida Maria Luiza

     Por favor me permita o querida, pois  seus textos  me fazem bem. Não necessariamente porque concordem comigo ( veja que muitos querem isto), mas  me fazem bem porque você traz reflexão, indignação, e sem perder a ternura traz coisas belas, traz sentimentos, sensações enfim  como  disse um poeta ” hay cosas que me ayudam a vivir”

  4. + comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome