PF acha que donos do Telegram, Snowden e hacker russo ajudaram Intercept

Teoria sobre donos do Telegram, Snowden e um hacker russo estarem por trás do dossiê do Intercerpt vazou primeiro no Twitter. Especialistas disseram que se trata de uma grande "lorota". Mas a Polícia Federal, sob Sergio Moro, decidiu abraçar a narrativa em investigação oficial

Jornal GGN – Nesta semana, o Twitter foi tomado por um súbita (e suspeita) onda de engajamento em torno de uma conta chamada “Pavão Misterioso”, que contou divulgou a teoria: quem vazou o dossiê recheado de conversas de membros da Lava Jato para Glenn Greenwald, do Intercept, foi um hacker russo que teria recebido o pagamento em bitcoins.

A história virou piada quando erros crassos foram apontados no suposto comprovante de pagamento. O Estadão até entrevistou especialistas em criptomoedas que analisaram o caso e concluíram que não passa de uma grande “lorota”. Fake news para afagar os corações lavajateiros.

Eis que, na quinta (20), IstoÉ surge com uma reportagem exclusiva detalhando as duas frentes de investigação da Polícia Federal (sob Sergio Moro) a respeito do suposto ataque hacker que teria resultado no vazamento contra a Lava Jato.

Uma das frentes, a nacional, mira uma quadrilha especializada em crimes cibernéticos, de Santa Catarina. Sergio Moro fez menção a ela durante sua sabatina no Senado. Ele afirmou que estão investigando se há relação entre este grupo hacker (que aparentemente tinha outro objetivo, o de vazar operações policiais contra o tráfico local) e o vazamento do Intercept.

Mas a linha de investigação internacional é o que mais chama atenção. Isto porque, segundo a IstoÉ, a Polícia Federal comprou a “lorota” de Twitter sobre o hacker russo. E foi além: segundo a publicação, os agentes acreditam e apuram se os donos do Telegram – os irmãos Nikolai e Pavel Durov – “estão por trás” da interceptação das mensagens e ajudaram a repassar o conteúdo captado diretamente a Glenn Greenwald, ou se teriam usado um amigo em comum, Edward Snowden.

“A PF suspeita que Snowden possa estar por trás do esquema de bisbilhotagem e divulgação das mensagens de membros do Ministério Público Federal. (…) há quem acredite que o americano refugiado na Rússia [depois do escândalo da NSA, em que atuou em parceria com Greenwald] possa ter se valido de recentes contatos com os Durov para ter acesso aos diálogos envolvendo as autoridades brasileiras”, publicou a revista.

De acordo com a IstoÉ, a PF “planeja-se para, nas próximas semanas, tentar emitir uma contundente resposta ao que classifica de ação orquestrada perpetrada por criminosos de alto calibre.” Não está claro se a ação focará na linha nacional ou internacional de investigação, mas a intenção é clara: tirar Moro da defensiva e partir para o contra-ataque.

O nome do hacker russo envolvido na história é Evgeniy Mikhailovich Bogachev, de 33 anos, o mesmo citado pela conta Pavão Misterioso, no Twitter. O hacker é “procurado pelo FBI americano por crimes cibernéticos”, afirmou a revista, acrescentando a versão divulgada nas redes sociais: “Um rastreamento identificou que Slavic (…) teria recebido US$ 308 mil em bitcoins. Resta saber se o depósito foi realmente a contrapartida financeira por ele ter participado do processo de quebra do sigilo telefônico dos procuradores.”

Slavic seria, portanto, “uma espécie de laranja no esquema”, “ligado a Snowden”.

Ao final, a cereja do bolo: segundo a versão divulgada pela IstoÉ, os irmãos Durov, bilionários donos do Telegram, teriam participado da operação contra a Lava Jato por pura motivação “ideológica”. Eles são muçulmanos e teriam ficado contrariado com a “predileção” de Jair Bolsonaro por Israel “em detrimento aos árabes”.

Para atacar Bolsonaro, portanto, os irmãos teriam decidido atacar a Lava Jato, pois “significaria enfraquecer o bolsonarismo e trazer a esquerda lulista de volta ao jogo”.

“Confirmada a tese, Greenwald teria sido a ponta final da operação comandada pelo trio Snowden, Slavic e Durov”, disparou IstoÉ.

A narrativa desenvolvida pela PF de Moro coloca Greenwald não como um jornalista que recebeu o conteúdo e decidiu publicar porque há interesse público, mas como parte do plano, alguém ligado à engrenagem que teria promovido o vazamento.

O tom contra Greenwald fica claro nesta passagem da matéria, em que IstoÉ afirma que a Polícia Federal “considerou realizar uma operação de busca e apreensão dos computadores do dono do The Intercept e conduzi-lo para prestar depoimento”, mas desistiu porque Moro entendeu que isso iria “transformar o jornalista em mártir e o governo ainda corria o risco de ser acusado de cercear a liberdade de imprensa.”

O GGN já chamou atenção, na semana passada, para a intenção de Moro de tratar o vazamento como um “crime em andamento”, o que permitiria à PF deflagrar operações ostensivas contra o Intercept. Leia mais aqui.

CARO LEITOR DO GGN,

ESTAMOS EM CAMPANHA PARA SUBSIDIAR UMA GRANDE REPORTAGEM QUE MOSTRARÁ A REALIDADE DE QUEM VIVE A CAPITALIZAÇÃO DA PREVIDÊNCIA NA PELE. CLIQUE AQUI PARA CONHECER O PROJETO E APOIAR O NOSSO JORNALISMO INDEPENDENTE

>>> WWW.CATARSE.ME/OEXEMPLODOCHILE <<<

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora