10 de junho de 2026

Quem é Domingos Brazão e por que ele teria mandado matar Marielle Franco

Ronnie Lessa teria delatado o político Domingos Brazão como mandante da morte de Marielle, afirma o site The Intercept Brasil
Domingos Brazão é suspeito de ser o mandante do assassinato de Marielle Franco.
Fotos: CMRJ/Alerj

O ex-PM Ronnie Lessa, preso como um dos executores da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, teria delatado o político Domingos Brazão como um dos mandantes do crime que chocou o País em março de 2018.

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A apuração é do site The Intercept Brasil, que afirma que a colaboração premiada será analisada pelo Superior Tribunal de Justiça, já que Brazão tem foro privilegiado por ser conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.

Domingos Brazão, 58 anos, é ex-filiado do MDB, tem 25 anos de vida pública, foi vereador, deputado estadual por cinco mandatos consecutivos (1999-2015), até chegar ao Tribunal de Contas do Rio.

Ele foi eleito em 2015, pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, para ser conselheiro do TCE, um cargo vitalício com garantias semelhantes às que protegem os magistrados. Na época, 9 pessoas se candidataram à vaga, e ele venceu a eleição com 61 votos.

Em 2019, Domingos Brazão foi acusado formalmente de obstruir as investigações do caso Marielle. Antes disso, em 2017, ele foi preso por supostamente receber propina de empresários, em uma operação que é desdobramento da Lava Jato do Rio de Janeiro. Passou, então, 4 anos afastado do Tribunal de Contas, mas foi reconduzido.

A motivação

Segundo o site The Intercept Brasil, a principal hipótese é que Brazão teria contratado o Escritório do Crime – uma milícia de ex-policiais que trabalham como assassinos de aluguel no Rio de Janeiro – para matar Marielle Franco como vingança pela atuação política do hoje deputado federal e presidente da Embratur, Marcelo Freixo.

Freixo tem carreira política no Rio de Janeiro. Foi autor e participou de comissões parlamentares de inquérito que incomodaram políticos envolvidos com grupos paramilitares. Marielle era amiga pessoal e foi assessora de Freixo, antes de se tornar vereadora na capital fluminense.

Segundo a publicação, Domingos Brazão apareceu no relatório da CPI das milícias, em 2008, como um dos políticos com autorização para fazer campanha em Rio das Pedras, território dominado por paramilitares. Freixo também atuou na Operação Cadeia Velha, em 2017, para levar políticos ligados a milicianos à prisão. A operação ocorreu cinco meses antes do assassinato de Marielle. As ações de Freixo culminaram, portanto, na prisão e afastamento de Brazão do TCE.

O Escritório do Crime, a Família Brazão e os Bolsonaro

Ronnie Lessa tem tomado conta do noticiário nesta semana por ter aceitado fazer um acordo de delação premiada no caso Marielle. Antes dele, o também executor do atentado, Élcio de Queiroz, já havia dado sua colaboração sobre o crime e apontado o envolvimento de Domingos Brazão.

Tanto Ronnie quanto Élcio foram contratados pelo Escritório do Crime para executar Marielle. A milícia do Rio tinha, em sua cúpula, ninguém menos que Adriano da Nóbrega, ex-agente do Bope e figura próxima da família Bolsonaro.

A esposa e a mãe de Adriano, por exemplo, foram contratadas pelo gabinete de Flávio Bolsonaro. Outro assessor de Flávio e de Jair Bolsonaro, Fabrício Queiroz, operador do suposto esquema de rachadinha da família, se refugiou justamente na região de Rio das Pedras quando entrou na mira da Justiça.

Já a família Brazão é um importante grupo político do Rio. Domingos Brazão é o líder do clã, que também é composto pelo deputado estadual Manoel Inácio Brazão, mais conhecido como Pedro Brazão, e Chiquinho Brazão, colega de Marielle na Câmara dos Vereadores na época da execução. Além dos irmãos, tem também o vereador Waldir Brazão, que é um agregado que adotou o sobrenome da família para fins eleitorais.

Durante a presidência de Jair Bolsonaro, familiares de Chiquinho Brazão receberam do governo federal passaporte diplomático. A informação foi revelada pelo Brasil de Fato com base na Lei de Acesso à Informação.

Preso com Ronnie Lessa pela execução do assassinato de Marielle, Elcio tinha em suas redes sociais uma fotografia com Bolsonaro.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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7 Comentários
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  1. arara

    23 de janeiro de 2024 2:39 pm

    Acho que nem a saudosa Velhinha de Taubaté acredita nessa versão …

    1. Fernando Antônio Bastos e Silva

      23 de janeiro de 2024 9:24 pm

      Pois é! Se ele queria sacanear o Freixo, porque não mandou mata-lo? Miliciano não delata miliciano, pois tem que proteger a sua família. Delação furada, se for verdade o que estão publicando.

      1. Moacir Felizari

        24 de janeiro de 2024 8:43 am

        Kkkkk deixou a familia amiga de fora, é claro. Aceitaram essa versão??? Kkkkk

    2. Lúcia

      23 de janeiro de 2024 10:41 pm

      Apesar de ser um político corrupto e cafajeste, acho que ele é um bode expiatório. Pra mim, esse crime tem ligação com o clã Bolsonaro. Deve ter rolado alta grana pra ele assumir a mentoria do assassinato.

  2. Marcio

    23 de janeiro de 2024 3:42 pm

    Esse é o maior Escândalo do Brasil, que de acordo com nossa grande Mídia 50% da População Ignora !!!!…..

  3. Fernando Bonato

    24 de janeiro de 2024 2:13 am

    E a narrativa da extrema direita, que o bandido é atual presidente, ainda cola pra 30% da população. “Acuse seu oponente de ser o que você é”.

    Fico me perguntando, lembrando do powerpoint, qdo que vão pegar o chefe da quadr.. da milícia?

  4. Fernando Aquino Freire

    20 de março de 2024 11:26 pm

    Quanto ao escritório do crime, os “tolinhos” sabem o que estão fazendo. Atribuem o crime a um conselheiro do TCE que tem foro privilegiado e outras regalias. Por exemplo, será punido com uma mansa aposentadoria e sem perda pecuniária. E o atirador e delator, livre, reassumirá sua função no escritório do crime. A propósito: E os passaportes de diplomatas continuam válidos?…

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