5 de junho de 2026

STF investigará coronéis que escreveram carta golpista e foram blindados pela Justiça Militar

Na Justiça Militar, os coronéis não foram acusados de incitar golpe, mas apenas de cometer ‘indisciplina’ e ‘crítica indevida’
Jair Bolsonaro, Braga Netto e militares
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF), e não mais à Justiça Militar, investigar 4 coronéis que escreveram uma carta que incitava o Comando do Exército ao golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro no poder, em novembro de 2022.

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A decisão foi tomada em meio às polêmicas de que os quatro coronéis não foram devidamente punidos pela Justiça Militar por escrever as cartas que incitavam o general Freire Gomes, comandante do Exército, a aplicar o golpe de Estado.

Conforme o GGN divulgou em outubro, o último desdobramento do caso foi a conclusão do Inquérito Policial Militar (IPM) pelo Exército de que os militares que escreveram a carta não incitaram golpe, mas cometeram somente ‘indisciplina’ e ‘crítica indevida’, e que deveriam ser punidos nessa esfera inferior.

A Justiça Militar havia indiciado nestes termos os três coroneis por produzir uma carta do Exército que pedia a adesão das forças militares para impedir a posse do presidente Lula, por meio de uma ação de Garantia da Lei e da Ordem.

Carta golpista de militares foi encontrada com Mauro Cid

A carta foi encontrada pela Polícia Federal, que apura as tentativas de golpe, incluindo a minuta golpista, no celular do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. Após ter acesso ao documento, a carta foi remetida ao Exército para providências.

Apesar da carta golpista ter ocorrido em 2022 e ter sido encaminhada aos militares do Exército, incluindo o próprio general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, nenhum comandante militar foi apontado na investigação.

Então comandante do Exército não foi acusado de negligência

Na investigação militar, o general Freire Gomes não foi indiciado e não foi apontada relação dele com a carta, ou a sua negligência de atuação.

Tanto na carta, como no caso da minuta golpista, o comandante do Exército admitiu, aos investigadores, que ele tinha tomado conhecimento destes e de outros documentos que buscavam impedir a posse de Lula ou manter Bolsonaro no poder.

No caso da minuta golpista, o próprio general disse que quando Jair Bolsonaro apresentou propostas de minutas ou decretos golpistas, ele teria rechaçado a proposta e informado Bolsonaro que a medida não tinha chance de dar certo e que ele poderia ser responsabilizado por isso.

Apesar de afirmar não aderir às propostas golpistas, Freire Gomes não denunciou a tentativa, imediatamente, às autoridades, prestando os esclarecimentos somente após os investigadores terem tido acesso aos documentos.

Pedido de investigação foi inicialmente encaminhado à Justiça Militar

Dentro do Exército, o atual comandante do Exército no governo Lula, o general Tomás Paiva, determinou a abertura de um Inquérito Policial Militar (IPM), especificamente para investigar essa carta dos militares.

Em outubro, o inquérito foi concluído, não apontando responsabilidade do antigo comandante do Exército, mas pedindo a punição dos militares que teriam sido os autores da carta: os coronéis Anderson Lima de Moura, da ativa, e Carlos Giovani Delevati Pasini e José Otávio Machado Rezo Cardoso.

Sem, ainda, acusá-los de tentativa de golpe, mas de “incitação à indisciplina militar e crítica indevida”.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    7 de janeiro de 2025 8:20 am

    A Justiça Militar é mais corporativista do que o restante do judiciário.
    Sanguessugas

  2. WRamos

    7 de janeiro de 2025 11:03 am

    Não se deve passar pano para os comandantes militares que tomaram conhecimento da tal carta dos coronéis golpistas. Eles foram instados simplesmente a desrespeitar a posse daquele que o povo elegeu para comandante supremo deles. O poder de comando não pertencia a Bolsonaro nem passaria a Lula, mas ambos receberam delegação do povo para exercê-lo. Então a desobediência foi ao poder maior do povo. Todos os comandantes devem ser processados por leniência, desobediência e facilitação de ações golpistas e terroristas.

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