Uma economia global sem almofada, por Stephen S. Roach

Em artigo, economista explica que redução de volume de reservas deixa economia global mais vulnerável a choques muito frequentes

Stephen S.Roach, pesquisador-sênior da Universidade de Yale e ex-presidente do banco Morgan Stanley na Ásia. Foto: Reprodução/Wikipedia

Jornal GGN – A divulgação dos dados econômicos consolidados de 2019 mostra que, por muito pouco, não houve um novo cenário global de desaceleração: dados divulgados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) mostram que, no ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) global cresceu apenas 2,9%, o menor resultado desde a crise de 2009 e muito abaixo da média de 3,8% vista entre 2010 e 2018.

Em artigo publicado no site Project Syndicate, o economista Stephen S.Roach, pesquisador-sênior da Universidade de Yale e ex-presidente do banco Morgan Stanley na Ásia, explica que um crescimento global de 2,9% não tão ruim, mas uma análise mais ampla mostra justamente o contrário: a chave para avaliar as implicações do crescimento pode ser encontrada nos desvios da tendência – uma proxy para o chamado hiato do produto, e o déficit do ano passado em relação à tendência (0,6 ponto percentual) trouxe um crescimento próximo do limite de recessão global amplamente aceito, de aproximadamente 2,5%.

Segundo Roach, analistas de ciclo de negócios global dizem que a faixa de crescimento de 2,5 a 3,5% é considerada a zona de perigo, e quando o crescimento da produção mundial cai para a metade inferior desse intervalo (como aconteceu em 2019), os riscos da recessão global precisam ser levados a sério.

Os riscos negativos são especialmente preocupantes, porque um resultado de crescimento de 2,9% para a economia mundial ressalta a falta de uma almofada confortável em caso de choque. “O ponto é que o crescimento global abaixo da tendência, especialmente quando se move para a metade inferior da faixa de 2,5 a 3,5%, está chegando à velocidade de estol. Isso deixa o mundo muito mais suscetível à recessão do que seria em um ambiente mais vigoroso de crescimento global acima da tendência”, alerta.

O crescimento do comércio global nunca se recuperou ao seu ritmo pré-crise, um déficit que tem sido objeto de intenso debate nos últimos anos. Segundo Roach, a rápida expansão do comércio transfronteiriço tem sido uma parte importante da almofada de crescimento global que protege a economia mundial de choques muito frequentes, mas essa almofada está se reduzindo por conta da queda do comércio global.

“Com a economia mundial operando perigosamente perto da velocidade de estol, a confluência de choques sempre presentes e uma almofada comercial acentuadamente diminuída levantam sérias questões sobre a visão cada vez mais otimista dos mercados financeiros das perspectivas econômicas globais”, pontua o economista.

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