Vizinhos de lixão que explodiu em SP temem novo deslizamento

http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/04/moradores-temem-novo-deslizamento-em-lixao-que-explodiu-na-grande-sp.html

26/04/2011 10h42 – Atualizado em 26/04/2011 11h01

Vizinhos de lixão que explodiu em SP temem novo deslizamento

Lixo e chorume invadiram quintais e interditaram estrada.
Famílias estão sem transporte público em Itaquaquecetuba.

Juliana Cardilli Do G1 SP

Chorume invadiu quintais após explosão em aterro sanitário de Itaquaquecetuba  (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Famílias que vivem ao lado do aterro sanitário onde houve uma explosão seguida de um desmoronamento nesta segunda-feira (25) em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, passaram a noite em claro temendo um novo deslizamento. Em muitas casas, o lixo e o chorume invadiram quintais, estragando hortas e contaminando árvores. Quem vive na região teme também a chegada da chuva, que pode fazer com que mais partes do aterro sanitário se movam.

A aposentada Cecília Alves de Araújo, de 74 anos, vive com o marido e dois filhos há cerca de 20 anos na casa mais próxima ao lixão. Seu quintal foi tomado por lixo – há sacos plásticos e garrafas espalhadas. Por pouco os resíduos não entraram em sua casa. “O chorume invadiu todo o quintal. Foi sorte que não entrou em casa. Acabou com as minhas bananeiras, todas cheias de cachos. As outras frutas também vão ficar todas contaminadas”, contou ela na manhã desta terça-feira (26).

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O marido da aposentada tinha acabado de passar pelo local soterrado quando ocorreu o acidente. “Quando ele chegou em casa veio outro rapaz e disse ‘o lixo desmoronou’. Eu saí e estava tudo alagado”, afirmou. Pelo menos 120 mil toneladas de terra desmoronaram, interditando uma estrada que passa pelo local. Com isso, os moradores ficaram sem transporte – ônibus que passavam por ali não estão operando, e quem não tem carro só pode sair da região a pé.

“Estamos sem ônibus, sem condução nenhuma. Estou até imaginando como vou fazer compras. Não tenho carro, não tenho como sair daqui”, contou a dona de casa Eunice Marques, de 51 anos. A casa dela fica a cerca de cem metros da de Cecília, mas o lixo também chegou ao seu quintal, estragando sua horta. “Nem desci lá, é contaminação muito forte, de muitos anos. Vem lixo de tudo quanto é lugar.”

Ela também temeu que o lixo invadisse sua casa. “A vizinha chamou para sair de casa porque estava invadindo tudo. A gente fica com medo. Se chover forte vai descer mais. A gente não tem para onde ir.”

Quintal da casa da aposentada Cecília de Araújo foi
invadido por chorume (Foto: Juliana Cardilli/G1)

Na segunda, ela chegou a passar mal com o cheiro vindo do aterro. “Tive dor de cabeça, dor nos olhos, minha pressão subiu. Sempre teve cheiro ruim, mas ontem [segunda-feira, 25] estava terrível. Hoje [terça-feira, 26] melhorou um pouco, depende da direção do vento”, contou Eunice.

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Grávida de sete meses, a babá Jéssica Marques dos Santos, de 18 anos, passou a noite em claro com medo que sua casa desabasse. Ela mora em uma encosta ao lado do lixão. “Ninguém dormiu aqui, 4h da manhã estava todo mundo olhando. Disseram que se chover vai descer mais. Passamos o dia na rua, na calçada, com medo de ficar dentro de casa”, afirmou.

Em entrevista ao G1, os moradores reclamaram da falta de assistência recebida desde segunda-feira. Por volta das 10h, enquanto a reportagem ainda estava no local, agentes das secretarias municipal e estadual de Saúde e da Defesa Civil chegaram à área e passaram a visitar as famílias.

Interdição
O aterro já recebeu mais de R$ 3 milhões em multas da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Os débitos são resultado de mais de 80 multas.

Segundo a Cetesb, o aterro funcionava com um licença precária desde 2009. Há quase dois anos o terreno foi interditado, mas a decisão foi suspensa. O gerente da companhia Edson Santos informou que o aterro recebeu a autorização para funcionar porque apresenta mensalmente estudos que comprovam a segurança.

A empresa Ecoespaço, responsável pela coleta e destinação do lixo das cidades do Alto Tietê, informou que ainda não sabe para onde será levado todo o lixo dessas cidades, agora que o aterro está fechado.

Na manhã desta terça-feira (26), os bombeiros e a Defesa Civil retomaram as buscas por possíveis vítimas. De acordo com testemunhas, um carro e uma moto que passavam pela região no momento do acidente foram soterrados por lixo.
 

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